De Onde Vem O Salmão Consumido No Brasil
Uma olhada na cadeia do salmão brasileiro
O salmão que chega às prateleiras brasileiras não vem de um só lugar. A maior parte é importada, mas existe produção nacional em crescimento. Entender isso evita surpresas na hora de escolher o produto ou negociar com fornecedores. O Brasil importa cerca de 90% do salmão que consome. Os principais fornecedores são Chile e Noruega, sendo o Chile o maior de longe. Em 2024, o Chile respondeu por aproximadamente 70% das importações brasileiras, seguido pela Noruega com cerca de 15%. O restante vem de outras origens, como Canadá e Ilhas Faroe, em volumes menores. No Chile, as principais regiões produtoras ficam na Patagônia e nos fiordes da zona austral, entre os estados de Los Lagos e Aisén. A temperatura mais baixa dessa região produz carne mais firme e com teor de gordura mais controlado. Na Noruega, a produção se concentra ao longo da costa, com destaque para as regiões de Midt-Norge e Nordland. O salmão norueguês tende a ter um perfil de gordura mais consistente, o que explica a preferência de muitos distribuidores brasileiros por essa origem.
A produção nacional ainda é pequena, mas existe. O Rio Grande do Sul é o principal produtor, com fazendas de cultivo em água doce no Vale do Rio Pardo e região de Porto Alegre. Santa Catarina também tem operações relevantes, especialmente nos municípios de Orleans e Criciúma. A produção brasileira gira em torno de 5 a 8 mil toneladas por ano, o que representa menos de 10% do consumo interno. O resto vem do exterior. Um detalhe importante: o rótulo "salmão norueguês" ou "salmão chileno" é padrão no comércio. Mas há ocasiões em que o pescado é embarcado em um país e desembarcado em outro antes de chegar ao Brasil. Isso acontece com frequência nos portos de Santos e Rio de Janeiro, onde containeres chegam de múltiplas origens e são consolidados antes do despacho. Se você trabalha com importação ou revenda, pedir a certificate of origin e cruzar com o Bill of Lading é o mínimo para evitar problemas na fiscalização. Outro ponto que pouca gente considera é a diferença entre salmão selvagem e criado. No Brasil, praticamente todo o salmão disponível é de aquicultura. O salmão selvagem entra em quantidades marginais, vindos principalmente do Alasca e vendida como produto premium. A diferença de preço é enorme: o salmão selvagem pode custar três ou quatro vezes mais que o certificado de produção. Nem sempre o consumidor final faz essa distinção, e isso gera conflito em balcão quando o cliente reclama do sabor ou da textura.
Quem importa salmão pelo portos do Sul costuma lidar com sazonalidade. Nos meses de verão, a demanda interna por peixes mais leves aumenta e o salmão perde espaço para tilápia e robalo. Isso afeta o preço. Já no segundo semestre, com o Natal e o Réveillon, os estoques apertam e os preços disparam. Planejar a compra com pelo menos 60 dias de antecedência evita pagar ágio desnecessário. Existe ainda a questão do tratamento anti parasitas. O salmão chileno passa por processos de congelamento controlado para eliminar possíveis parasitas, conforme exigência da ANVISA. O salmão norueguês, por sua vez, segue normas diferentes de controle que, na prática, resultam em produtos similares, mas com documentação distinta. Manter essa separação na cadeia de frio é essencial, pois confundir as origens na hora da documentação pode travar a liberação aduaneira. No varejo, a variedade de apresentações é grande: filé com pele, filé sem pele, salmão inteiro, defumado, curado. Cada um tem uma cadeia de suprimentos diferente. O salmão defumado, por exemplo, muitas vezes é importado já processado da Polônia ou dos Países Baixos, mesmo que a matéria-prima tenha sido criada no Chile ou Noruega. Isso significa que a origem do peixe e a origem do processamento são coisas distintas, e ambas devem constar na rotulagem.

Para quem está começando a importar ou revender, o caminho mais seguro é trabalhar com distributors especializados que já tenham registro ativo no Siscomex e experiência comprovada com a cadeia do salmão. Tentar fazer a operação do zero, sem knowledge de documentação e logística de frio, costuma resultar em perdas por deterioração ou multas por inconsistência documental. O custo do erro, na prática, ultrapassa em muito o valor da consultoria ou intermediação.
Galeria
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