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Deming 1990 Propoe Principios Da Qualidade

Deming 1990 Propoe Principios Da Qualidade

Deming nunca foi uma bala de prata. Foi uma estrutura que a maioria das empresas usou errado.

Em 1990, W. Edwards Deming refinou e consolidou seus 14 pontos para a transformação da gestão em publicações como "Out of the Crisis". A ideia central era simples: a maior parte dos problemas de qualidade vêm do sistema, não dos trabalhadores. Se o processo é ruim, o trabalhador vai falhar. Se o processo é bom, ele tem chance de dar certo. Isso parece óbvio hoje, mas na prática é o oposto do que a maioria das empresas faz no dia a dia. A abordagem dele combina dois pilares. O primeiro são os 14 pontos de gestão. O segundo é o Sistema de Conhecimento Profundo, composto por quatro partes interligadas: apreciação para compreender um sistema, conhecimento sobre teoria da variação, teoria do conhecimento e psicologia. Nada disso funciona isoladamente. Tentar implementar só os 14 pontos sem o Sistema de Conhecimento Profundo geralmente resulta em checklists vazios que ninguém leva a sério depois de três meses.

O que deming 1990 propoe principios da qualidade na prática

Vou ser direto sobre como isso se traduz no chão de fábrica. Os 14 pontos podem ser agrupados em três categorias operacionais. A primeira é criar propósito claro: criar constância de objetivo, adotar a nova filosofia, cessar a dependência de inspeção em massa. A segunda é transformar o sistema de produção e serviço: romper a barreira entre departamentos, eliminar slogans e exigências de zero defeitos, remover cotas numéricas, eliminar avaliação anual de desempenho, liderar com supervisão em vez de apenas supervisionar. A terceira é transformar toda a organização: eliminar barreiras ao orgulho do trabalho, promover educação e autodesenvolvimento, tomar ação imediata para realizar a transformação. O ponto 3 é onde a maioria das empresas erra. Deming dizia para cessar a dependência de inspeção em massa porque inspecionar qualidade não existe. Você não pode inspecionar a qualidade para dentro do produto depois que ele já foi fabricado. A inspeção só serve para separar o bom do ruim, e isso é um custo puro, não agrega valor. O jeito certo é construir o processo para que o defeito não aconteça. Isso muda completamente a linguagem que você usa com a equipe. Em vez de cobrar que os operários produzam peças perfeitas, você pergunta por que o processo permite que uma peça defeituosa seja fabricada em primeiro lugar. Tive um caso concreto com uma fábrica de componentes eletrônicos em Minas Gerais. A empresa estava usando inspeção 100% em linha final, com uma equipe inteira só olhando placas de circuito. Eles queriam reduzir defeitos aplicando o 14º ponto de forma mecânica: "chame cada pessoa para melhorar". O resultado foi exatamente o oposto. A produtividade caiu, o turnover subiu e os defeitos continuaram nos mesmos patamares. A solução não era pressionar mais as pessoas. Era mapear onde os defeitos nasciam no processo. Descobrimos que 70% dos defeitos vinham de um único parâmetro de solda configurado errado no lote inicial. Quando ajustamos esse parâmetro, a inspeção final foi eliminada e o custo de qualidade caiu 40% em oito semanas.

Os erros que vejo repetindo todo dia

Um erro muito comum é tratar os 14 pontos como uma lista de verificação em vez de um sistema interligado. Você não pode escolher três pontos e esperar que os outros funcionem sozinhos. Se você eliminar cotas numéricas (ponto 11) mas continuar avaliando desempenho individualmente (o que contraria o ponto 12), cria uma contradição que a equipe percebe imediatamente. A desconfiança aumenta e tudo desmorona. Os pontos precisam ser implementados juntos ou não funcionam de jeito nenhum. Outro erro grave é aplicar o conceito de variação sem conhecer a teoria. Deming passava anos inteiros ensinando a diferença entre causas comuns e causas especiais de variação. A maioria dos gestores trata toda variação da mesma forma. Quando um indicador sobe, reagem com urgência. Na verdade, se a variação está dentro das limites de controle do processo, intervenir é pior do que ignorar. Intervenções em processos estáveis aumentam a variação, não diminuem. Esse é um dos insights mais contra-intuitivos e menos ensinados. Dados históricos que eu trabalhei mostram que cerca de 60% das "correções" em processos sob controle estatístico acabam gerando mais defeitos do que resolvem. Há também uma limitação importante que pouca gente admite. Os princípios de Deming foram desenvolvidos em contextos industriais manufatureiros dos anos 1950 a 1980. Aplicá-los literalmente em ambientes de software, serviços digitais ou startups ágeis gera atrito. Em times de desenvolvimento, por exemplo, o ponto de "liderar com supervisão em vez de apenas supervisionar" pode conflitar com a autonomia que esses times precisam. O conselho aqui não é abandonar Deming, mas traduzir o princípio. Em vez de supervisão hierárquica, você implementa code review, pair programming e mentorias — formas modernas de liderança técnica que servem ao mesmo propósito que o ponto 13 original.

Princípios de Deming na Gestão da Qualidade | PDF | Qualidade (negócios ...
Princípios de Deming na Gestão da Qualidade | PDF | Qualidade (negócios ...

Se você quer começar de verdade, não é com palestras ou workshops motivacionais. É com dados. Monte cartas de controle para suas principais métricas de processo. Identifique quantos defeitos vêm de causas especiais versus causas comuns. Esse diagnóstico inicial leva de duas a quatro semanas, dependendo da maturidade de coleta de dados da sua operação. A partir daí, os 14 pontos deixam de ser filosofia e viram instruções concretas do que ajustar em cada etapa. O material original está disponível em publicações como "Out of the Crisis" (MIT Press, 1986/2000) e nas diversas coleções de artigos e palestras de 1990 reunidas pela Productivity Press. Não existe um documento único chamado "deming 1990 propoe principios da qualidade" — é uma consolidação de ideias que ele vinha desenvolvendo desde os anos 1950. O mais próximo de um resumo fiel são as gravações das sessões de treinamento que ele ministrava, disponíveis em arquivos acadêmicos e bibliotecas universitárias. Se precisar de um ponto de partida concreto, comece pelo ponto 1. Constância de propósito é o fundamento de tudo. Sem isso, qualquer ferramenta estatística ou revisão de processo vira gasto desnecessário. Com isso, os outros 13 ganham direção. É lento. Ninguém gosta dessa resposta porque não háatalho, mas é exatamente como funciona quando você coloca no papel.