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Desenho De Um Anel

Desenho De Um Anel

Como funciona o desenho de um anel na prática

O desenho de um anel começa com medições. O dedo não é cilindro perfeito, tem formato oval e varia conforme a temperatura. Um anel que parece bom no papel pode girar, apertar em uma mão e cair na outra. Por isso, o primeiro passo real não é abrir o software ou pegar papel e caneta. É decidir se você vai desenhar para produção em série ou para peça única. A diferença é brutal. No caso de peças únicas, eu costumo usar modelagem 3D mesmo. Antigamente eu desenhava à mão e mandava para um ourives, mas perder duas sessões de medição e ver o metal sair errado é caro. Hoje eu faço isso no Rhinoceros com o plugin Matrix, ou no Fusion 360 se for algo mais simples. A curva de aprendizado é de umas três semanas trabalhando meio período, e depois você consegue um anel do conceito à impressão em cera em cerca de duas horas.

O que considerar antes de fazer um desenho de um anel

O erro mais comum é ignorar a espessura mínima do material. Se você está desenhando para fundição, o metal precisa fluir. Para ouro 18k ou prata, paredes abaixo de 0,8 milímetro tendem a quebrar ou rasgar durante o polimento. Eu já perdi um projeto inteiro porque o designer colocou uma faixa decorativa com 0,4 mm de espessura em um anel de ouro rosa. O metal esquentou, esticou e rachou na primeira passada de lixa. A solução foi aumentar para 1,0 mm e ajustar o filete para baixo, o que mudou o visual mas salvou a peça. Outra coisa que ninguém ensina: a pedra muda tudo. Se o anel vai receber uma pedra central, você precisa de caixa (setting) desde o início. Não adianta fechar o anel depois e tentar encaixar. A caixa determina a altura do topo, o peso, o centro de gravidade. Um anel com pedra grande e caixa alta vira alavanca e torce no dedo. Eu costumava fazer um teste de equilíbrio rápido colocando o modelo 3D numa balança de precisão e vendo onde ficava o ponto de apoio. Se a pedra faria o anel virar pra frente, eu achata o perfil inferior ou rebaixo a caixa. Para quem ainda quer fazer à mão, o processo tradicional funciona assim. Você desenha o perfil transversal do anel, o que os oursives chamam de secção. Isso define se é redondo, chanfrado, plano em cima, côncavo por dentro. Depois desenha a vista superior com as medidas da circunferência. O tamanho do dedo se converte em diâmetro interno. Tamanho 18 brasileiro é cerca de 52,2 mm de circunferência, o que dá aproximadamente 16,6 mm de diâmetro interno. O papel deve ser milimetrado ou você usa uma régua de ourives. Cada traço que você faz no papel precisa ter escala double checked, porque erro de 1 mm no desenho vira 3 mm no metal fundido.

Fluxo de trabalho que eu uso atualmente

Eu comecei a usar desenho de um anel em CAD há quatro anos. O fluxo que funciona para mim é o seguinte: Primeiro, vou ao cliente com paquímetro e tirinha de medição. Anoto circunferência, largura do dedo, se ele tem falange mais larga que a base. Isso evita retorno. Segundo, faço um esboço rápido no papel só para travar a ideia visual. Terceiro, modelho no software. Quarto, salvo em STL com resolução 25 micrômetros de camada, que é o padrão para impressão de cera Lost Wax. Quinto, reviso a malha com a ferramenta de análise de espessura. Sexto, se estiver ok, mando para a impressora ou entrego o arquivo para a oficina de confiança. O tempo total costuma ficar entre 40 minutos e 90 minutos, dependendo da complexidade. Um anel liso leva 20 minutos. Um anel com micro pavê e perfil personalizado leva cerca de 75 minutos.

Ilustração vetorial Doodle desenhado à mão de um anel com um diamante ...
Ilustração vetorial Doodle desenhado à mão de um anel com um diamante ...

Pegadinhas que eu aprendi na marra

A principal pegadinha é o recuo de fundição. O metal encolhe ao esfriar. A liga que eu mais uso, ouro 18k amarelo, encolhe cerca de 1,5 a 2 por cento. Isso significa que um anel desenhado com 18 mm de diâmetro interno vai virar algo em torno de 17,6 mm após a fundição. A solução é superdimensionar o modelo digital em 1,8 por cento. Eu coloquei isso num script automático no Rhino e economizo uns cinco minutos por trabalho, mas se você esquecer, o anel vai ficar apertado e vai ter que retorcer ou refazer. Outra pegadinha é o suporte de fundição. O anel precisa ter pelo menos um ponto de contato com o tronco de fundição. Se o anel é todo cerrado, sem barra de sustentação, ele pode deformar quando o metal derretido entra. Eu sempre deixo uma pequena aba em uma região que será escondida pelo dedo ou que será cortada depois. Esse detalhe muitos designers esquecem e acabam com anéis tortos na primeira produção.

Quando o desenho de um anel digital não é a melhor opção

Existe caso em que o digital não compensa. Se você está fazendo apenas dois ou três anéis para uma coleção piloto e não tem experiência com software 3D, gastar duas semanas aprendendo pode não valer. O desenho manual com molde existente sai mais rápido nesses casos. Eu já fiz três anéis iguais com leve variação de acabamento usando matrizes de latão em uma semana, gastando menos do que aprenderia a exportar um STL corretamente. Também não funciona bem quando o cliente pede formas orgânicas extremas com texturas que lembram pele de serpente, folhas muito finas ou irregularidades que quebram a simetria do modelo paramétrico. Nesses casos, eu desenha o esqueleto básico no software e uso argila epóxica para o acabamento final, porque o modelador consegue controlar a textura como quer. O anel final ainda é fundido, mas a parte visual é feita à mão. Se você quer começar, eu recomendo baixar uma versão de avaliação do Rhinoceros 3D e seguir um tutorial de anel simples. Leva duas tardes para fazer seu primeiro anel redondo liso. Depois disso, o desenho de um anel com detalhes já fica. O que mais trava iniciante é a parte de criar a caixa da pedra. Só mesmo errando três ou quatro vezes é que você entende a lógica.