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Devido O Feriado Ou Devido Ao Feriado

Devido O Feriado Ou Devido Ao Feriado

Preposição com "devido": como usar corretamente

Essa é uma dúvida que aparece o tempo todo, especialmente em e-mails corporativos e documentos formais. A confusão é simples: algumas pessoas falam "devido o feriado", outras "devido ao feriado". Ambas as formas existem, mas elas não significam a mesma coisa. Usar a errada não vai fazer você errar gramaticalmente no sentido estrito, mas pode mudar completamente o sentido do que você está dizendo. O problema começa porque "devido" pode funcionar de duas maneiras diferentes na língua portuguesa. Quando é um adjetivo, ele significa "devido" no sentido de "devidamente dado" — como em "pagamento devido". Quando vira preposição, ele significa "em razão de", "por causa de". Essa segunda função é a que gera a polêmica. Quando "devido" funciona como preposição de causa, a norma culta exige a contração com o artigo. Então seria "devido ao feriado", "devido à chuva", "devido às férias". O "a" vem da preposição e o "o" ou "a" vem do artigo que acompanha o substantivo. Sem a preposição, não tem sentido causal.

Existe um caso em que se usa "devido" sem a preposição, e é quando ele funciona mesmo como adjetivo. Por exemplo: "O pagamento devido o funcionário foi adiantado." Nesse caso, "devido" está ligando o pagamento ao funcionário, indicando a quem se destina. Não é causalidade, é indicação de beneficiário. Aqui não se usa "ao" porque a regência é diferente. Outro ponto importante: essa questão não é apenas norma culta escrita. Em avaliações de redação do ENEM e em processos seletivos de grandes empresas, o uso incorreto de "devido" como preposição causal sem a contração pode ser marcado como erro. Não é um erro gravíssimo, mas em contextos formais ele é observado. Eu me lembro de ter corrigido um parecer técnico onde o autor escreveu "o projeto foi atrasado devido o Carnaval". Na leitura rápida, parece inofensivo. Mas o efeito é estranho porque soa como se o Carnaval fosse o beneficiário do atraso, não a causa. A forma correta nesse contexto seria "devido ao Carnaval". Isso aconteceu num escritório de consultoria há uns anos e eu ainda lembro porque o revisor da equipe passou mais de dez minutos discutindo isso com o cliente antes de aceitar a correção.

Existem também situações ambíguas que merecem cuidado. Quando você diz "não irei devido a compromissos", aqui a preposição "a" já aparece separada porque o substantivo "compromissos" é masculino plural e não tem artigo definido. Nesse caso, a regência exige "a" mesmo sem contração. Se fosse "devido aos compromissos", aí sim teria a contração com artigo. A diferença entre "devido a" e "devido ao" não é arbitrária, segue a regência nominal. Uma armadilha comum é usar "devido" no lugar de "porque" ou "já que" sem prestar atenção na regência. Frases como "Ficamos em casa devido o mau tempo" são extremamente frequentes na fala cotidiana e até em textos informais. Tecnicamente, o certo seria "devido ao mau tempo". Em um WhatsApp não faz diferença nenhuma, mas em um documento oficial faz, sim. Aqui vai algo que poucos mencionam: o uso de "em razão de" ou "em virtude de" como alternativas mais seguras quando a dúvida surge. Essas locuções prepositivas são imunes a esse tipo de problema porque a preposição já está fixa. Se você escrever "em razão do feriado" ou "em virtude da reunião", não corre risco de errar a regência. É uma saída prática quando estiver em dúvida.

CENTRALESTAGIO.COM no LinkedIn: 🚨🚨🚨 ATENÇÃO 🚨🚨🚨 Devido ao Feriado ...
CENTRALESTAGIO.COM no LinkedIn: 🚨🚨🚨 ATENÇÃO 🚨🚨🚨 Devido ao Feriado ...

Também vale notar que o Ciberdicionário e o Vocabulário Ortográfico da Língua Portuguesa da Academia Brasileira de Letras tratam "devido" como preposição causal, mas a resistência no uso popular permanece enorme. Dicionários como o Houaiss registram o uso prepositivo de "devido", mas muitos manuais de redação empresarial ainda recomendam evitar a construção por considerá-la controversa. Se você trabalha com direito ou contabilidade, saiba que juízes e fiscais costumam ser rigorosos com essa regência em peças e lançamentos. Um exemplo concreto do dia a dia: em despachos administrativos, é comum ver "requerido devido ao interesse público". Nesse caso, "devido ao" indica a causa do requerimento. Trocar para "devido o interesse público" mudaria a leitura para algo como "o interesse público é o destinatário do requerimento", o que não faz sentido. A diferença é sutil mas determinante. Se quiser consultar a regência oficial, a obra "Nova Gramática do Português Contemporâneo" de Celso Pedro Luft aborda o tema na seção de preposições e locuções prepositivas. Não é leitura obrigatória, mas é referência direta quando a dúvida aperta.