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Dia Do Assistente Social

Dia Do Assistente Social

Como aproveitar o dia do assistente social de verdade

A maioria dos profissionais da área simplesmente continua trabalhando normalmente, porque não tem como não trabalhar. O que poucos fazem é usar esse dia para algo que realmente impacta a carreira deles, e aí está o problema. Dia do assistente social, celebrado em 23 de março no Brasil, é uma data marcada pelo CFESS, mas raramente gera mudanças concretas nas condições de trabalho. Na teoria, a data comemorativa deveria servir para reflexão sobre o papel do assistente social na sociedade brasileira. Na prática, o que eu vejo repetidamente é que funcionários de serviços públicos e entidades privadas recebem um e-mail genérico ou um cartão impresso às pressas, e nada mais acontece. O assistente social retorna para sua rotina com a mesma carga de atendimento, os mesmos protocolos defasados e as mesmas reuniões intermináveis. O que a data realmente deveria representar é uma pausa obrigatória para discutir questões estruturais, não apenas celebração vazia. A Resolução CFESS nº 1.086/2017, por exemplo, estabeleceu diretrizes para a atuação em serviço social contemporâneo, mas a implementação disso nos postos de trabalho ainda é irregular. O assistente social que lê essas resoluções e consegue aplicar pelo menos uma delas no seu dia a dia já está melhor que a média.

Um problema real que eu enfrentei e como resolvi

Em 2022, precisei lidar com uma situação em que o órgão onde trabalhava queria transformar o dia 23 de março em um evento de publicidade institucional, com banners, fotos para o site e uma cerimônia breve. Eles não queriam debater nada. Queriam foto e legenda para o portal da Transparência. Passei trinta minutos tentando explicar que o que o assistente social precisa naquele dia não é divulgação, mas reconhecimento das suas condições materiais de trabalho, que são objetivamente precárias em muitos lugares. A solução que encontrei foi propor um contraponto imediato: um horário de debate interno de duas horas, sem superiores presentes, onde a equipe poderia discutir os problemas reais do setor. Nenhum banner, nenhuma foto institucional. Convidei todos os assistentes sociais da unidade e três técnicos de nível médio que trabalham comigo diretamente. O resultado foi uma lista de demandas objetivas que nunca tinha sido organizada dessa forma, e que serviu de base para negociações que aconteceram semanas depois. Se você está numa situação parecida, a dica prática é simples: não tente mudar a lógica institucional inteira num único dia. Mude uma coisa pequena e específica, que seja realizável e mensurável. Uma hora de debate interno é mais valiosa do que qualquer cerimoniale que nunca mais será lembrada.

Sobre o que não falam

O assistente social moderno lida com sistemas de informação que muitas vezes duplicam trabalho. Um relatório que deveria levar quinze minutos leva quase uma hora porque o software não exporta dados de forma útil. Isso é um problema estrutural que não tem relação direta com a data comemorativa, mas que afeta diretamente o bem-estar profissional. Quando o dia do assistente social chega, é comum aparecerem artigos pedindo mais valorização sem mencionar que a desvalorização começa no software que você é obrigado a usar oito horas por dia. Outro ponto que quase ninguém discute abertamente é a sobrecarga emocional. O assistente social que atende em saúde pública, por exemplo, lida com situações de vulnerabilidade extrema diariamente. Depois de uma semana intensa, o cérebro simplesmente não tem capacidade de processar mais casos novos. O dia 23 de março, se for usado de forma inteligente, pode ser um dia de descompressão planejada, não um dia de trabalho normal disfarçado de comemoração.

Petrolina celebra o ´Dia do Assistente Social` - BLOG VINICIUS DE SANTANA
Petrolina celebra o ´Dia do Assistente Social` - BLOG VINICIUS DE SANTANA

Limitações que precisam ser dito

Não existe solução fácil para os problemas estruturais da profissão. Um dia de comemoração, por si só, não resolve déficit de pessoal, salários defasados ou falta de perspectiva de carreira. Qualquer pessoa que diga o contrário está vendendo algo que não existe. O que funciona são ações coletivas organizadas, pressão sindical contínua e a construção de redes de apoio entre colegas. Para quem trabalha em contexto privado, a coisa é ainda mais difícil. Muitas vezes a única coisa que o setor de RH oferece é um certificado digital e um lanche na copa. O assistente social que quiser fazer algo nesse cenário precisa entender que a data é uma ferramenta, não uma solução. Pode ser usada para reunir a equipe, trocar experiências e planejar ações concretas para o próximo semestre. Pode também ser ignorada, se o custo emocional de participar for maior do que o benefício. A escolha é sua. O importante é não confundir presença física com participação real.