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Dia Do Medico Veterinario

Dia Do Medico Veterinario

O que acontece de verdade no dia do médico veterinário

23 de setembro é o dia do médico veterinário no Brasil. Está oficializado pela lei federal 5.517/1968, que regulamenta a profissão, e pelo Conselho Federal de Medicina Veterinária. Não é feriado nacional. Os animais não tiram folga nessa data, e muita gente espera que a clínica fique vazia. O oposto acontece. Acho que todo mundo que trabalha com isso sabe o porquê. O dia vira um momento de consciência pública, mas também de alta demanda concentrada. Vacinas, castrações, emergências — tudo num só lugar. E o plantonista da semana ainda tem que aguentar o fluxo normal, porque a rotina não para.

Por que o dia do médico veterinario existe e como ele é vivido na prática

A data nasceu mais por impulso institucional do que por algo espontâneo. O CFMV consolidou a comemoração em conjunto com a criação dos conselhos regionais. Antes disso, o veterinário era visto como profissional de rebanhos e abatedouros, ou coisa do gênero. A mudança de imagem levou décadas. O que eu vejo na prática é diferente do que aparece nas redes sociais. No dia, muitas clínicas fazem campanhas de vacinação gratuitas ou com desconto. Castrações promocionais também. As pessoas chegam, filma tudo pra Instagram, e na hora da consulta propriamente dita o atendimento fica apressado. Já vi dono de animal reclamar que a consulta durou cinco minutos e o veterinário não olhou nos olhos do bicho. Tem uma coisa que poucos comentam: o custo operacional de rodar uma campanha assim. O desconto no preço de venda não cobre os custos fixos. Vacina gratuita significa mão de obra de enfermagem aplicando, descartáveis, refrigerador funcionando, tempo de mesa. O lucro real fica perto de zero. O ganho é visibilidade, retenção de clientes futuros e divulgação da marca. Isso é válido, mas precisa ser computado na hora de orçar a ação.

Tive um caso específico há uns três anos. Uma rede de clínicas pediu pra mim estruturar uma campanha de castração solidária no dia do veterinário. A proposta original era castrar 40 gatas em um único sábado, de manhã. Parecia factível no papel. Na prática, o tempo cirúrgico médio de uma gata adulta sem complicações é cerca de 25 a 35 minutos, contando anestesia, preparo do campo, cirurgia e retorno ao despertar. Com dois mesas operatórias e uma equipe mínima, dá pra fazer no máximo seis a oito procedimentos seguros por turno, considerando o risco de hipotermia e a necessidade de monitoramento contínuo durante a recuperação. Quarenta era.irreal. A solução que propus foi dividir em três dias consecutivos, limitar a 15 gatas por dia, e exigir peso mínimo de 2kg e esquema pré-cirúrgico obrigatório. Além disso, usar protocolo de anestesia com cetamina e medetomidina em vez de isoflurano puro, o que reduz o tempo de emergência respiratória em cerca de 30%. No fim, realizamos 42 castrações em três dias, com zero complicações graves. A equipe aguentou sem se esgotar. Os donos ficaram satisfeitos porque foram contactados individualmente e sabiam o horário exato. Se a gente tivesse feito tudo num dia, provavelmente teria Havido pelo menos um evento adverso.

Dia do Veterinário: os avanços para garantir saúde e bem-estar aos animais
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Como funciona o reconhecimento oficial

O CFMV mantém um calendário de datas comemorativas, e 23 de setembro está nele como Dia do Médico Veterinário. Alguns estados e municípios têm leis próprias que criam eventos, mas nenhuma tira a atividade profissional. A OIE, agora WOAH, também reconhece a importância da data em comunicados, mas o efeito prático fica mesmo nas ações das associações locais. Na minha experiência, o que tem mais impacto não são os panfletos ou postagens. São as ações de saúde pública que conseguem ser executadas com método. Campanhas de raiva, controle de zoonoses, orientação sobre uso responsável de antibióticos. Isso salva vidas de verdade, não só de animais domésticos. Tem um detalhe técnico que todo mundo esquece: a questão do antibiótico. No dia do veterinário, a pressão por prescrição aumenta. Produtores rurais querem receita pra medicamento, tutores querem antibiótico pro animal com diarreia. O veterinário precisa saber a hora de não prescrever. Antibiótico pra diarreia viral não resolve e contribui pra resistência bacteriana. Já vi colega ceder porque o dia era movimentado e ele queria entrar no ritmo de entregar satisfação imediata. Isso é erro profissional, não empatia.

Outro ponto cego: a documentação. Campanhas de vacinação em massa geram volumes grandes de carteiras de vacinação. Se o sistema da clínica não estiver pronto pra emissão rápida, o cliente fica com papel na mão e sem registro digital. Isso depois vira dor de cabeça quando o animal precisa de atestado sanitário ou exportação. Recomendo configurar um template de laudo de vacinação no software da clínica antes do dia 20, usando os campos obrigatórios da resolução normativas do CFMV sobre registro de medicamentos e vacinas. Leva uns 20 minutos e evita retrabalho de horas. O mercado também sente o efeito. Fabricantes de ração e de produtos parasiticidas costumam fazer promoções. Lojas de animais lotam. É bom, é ruim, é neutro, dependendo de onde você se coloca. Se você é clínico geral, o fluxo de consultas aumenta pouco, mas o de procedimento cirúrgico dispara. Se você é obstetra ou especialista em animais silvestres, o dia passa em branco na maioria das vezes. Não é uma data universalmente intensa. Tem gente que acha que a profissão deveria ser feriado. A argumentação é válida do ponto de vista sentimental, mas inviável do ponto de vista econômico. A atividade veterinária gera cerca de R$ 1 trilhão anuais no Brasil, segundo dados do setor. Parar tudo num único dia teria impacto enorme em abatedouros, granjas, clínicas de emergência, laboratórios de diagnóstico. Ninguém ganha com isso. O que faz sentido é garantir que os profissionais que trabalham nesse dia recebam adicional de horas extras, conforme a CLT e convenções coletivas. Isso sim é direito, não favor.

Eu já atendi no dia do veterinário há onze anos seguidos. Nunca tive folga compensatória garantida. Algumas clínicas oferecem meio dia livre depois, outras não. O que funciona melhor é combinar com a equipe antes do mês de setembro, definir escala, e garantir que quem trabalhar receba o adicional correto. Sem acordo prévio, vira caos logisticamente e brigadeira internamente.

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