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Dia Do Tecnico De Radiologia

Dia Do Tecnico De Radiologia

O que é o dia do técnico de radiologia, na prática

É 14 de outubro. Não é feriado nacional, não tem lei federal que obrigue nada, mas no dia a dia dos serviços de imagem ele existe como um ponto de referência no calendário profissional. O técnico de radiologia atua fundamentalmente na aquisição de exames diagnósticos por imagem — raios-X, tomografia, ressonância, mamografia e, em muitos lugares, ultrassonografia também. O reconhecimento veio de associações de classe e de entidades como a SBR (Sociedade Brasileira de Radiologia), que há décadas pressionam por valorização da categoria. O problema real não é a data em si. É a infraestrutura em torno dela. Um técnico que chega a uma unidade de emergência às 22h e ainda precisa fazer dosimetria de rotina, controle de qualidade mensal e validação de protocolos novos no PACS não tem tempo para cerimônia. Mas existe um lado prático que muita gente ignora: datas como essa são oportunidades reais de cobrar melhorias que ficam paradas há anos por falta de urgência política interna. Na minha experiência, o dia 14 de outubro costuma gerar dois movimentos opostos. De um lado, hospitais privados distribuem certificados e confraternizações. Do outro, postos do SUS e clínicas pequenas nem tomam conhecimento. A desigualdade é estrutural, não acidental. Orçamento de custeio para capacitación não aparece sozinho, e a rotatividade alta em serviço público faz com que o conhecimento técnico nunca seja documentado de forma consistente.

Tive um caso específico que ainda me dá dor de cabeça lembrar. Em 2019, estava configurando um novo protocolo de TC de tórax com contraste em um aparelho Siemens Somatom Force na UTI de um hospital regional. O fabricante tinha enviado um arquivo de padrão de dose que vinha desatualizado em relação à Resolução da Diretoria Colegiada (RDC) 55/2011 da ANVISA, que estabelecia limites de dose para exames de média complexidade. O protocolo padronizado pela engenharia clínica do hospital ultrapassava os valores de DLP em cerca de 18% para adultos de porte médio. Quando o médico radiologista apontou, a chefia da área pediu para eu ajustar manualmente os valores de kV e mAs sem documentar nada, sob o argumento de que o paciente era obeso e precisava de mais penetração. Eu apliquei, mas anotei tudo em um arquivo de texto separado com os parâmetros exatos, a data, o peso aproximado e o motivo da alteração. Isso se mostrou essencial dois anos depois, quando uma auditoria da vigilância sanitária questionou a consistência dos registros de dose. Ter o histórico organizado permitiu mostrar que a variação foi pontual e justificada clinicamente, e não uma falha sistêmica do protocolo. Essa história serve para algo mais amplo. O profissional de radiologia lida com radiação ionizante todos os dias. Isso significa que cada decisão técnica tem peso legal, não apenas técnico. A RDC 55/2011, a NR-32, as normas da NBR 11947 da ABNT sobre proteção radiológica — tudo isso é aplicado ao dia a dia de quem opera equipamentos. A maioria dos técnicos conoce a teoria. Poucos conseguem traduzir isso em prática documental quando surge uma fiscalização. Um ponto que ninguém sempre destaca é a questão dos EPIs e dos dosímetros. Muitos serviços exigem o uso de dosímetros pessoais, mas a calibração e a leitura periodic não acontecem com regularidade. Já vi laboratórios entregando dosímetros para análise e simplesmente esquecendo de cobrar o laudo de conformidade. O resultado é que o técnico pode estar exposto acima dos limites legais sem saber. O limite anual para trabalhadores expostos é de 20 mSv, segundo as diretrizes da CNEN, mas isso é uma média. Em exposições ocupacionais, o Ideal é que o valor seja o mais baixo razoavelmente alcançável (princípio ALARA), e não apenas dentro da legalidade.

Outro aspecto negligenciado é a gestão de riscos em exames pediátricos. Protocolos de adulto aplicados em crianças são a principal fonte de superdosagem evitável. A American Association of Physicists in Medicine (AAPM) e a International Commission on Radiological Protection (ICRP) publicaram diretrizes claras sobre ajuste de parâmetros por peso e idade, mas a implementação real em muitos serviços brasileiros ainda depende da iniciativa individual do técnico, que muitas vezes não tem apoio da física médica para ajustar as curvas de dose.

Imprensa Oficial: O dia 08 de novembro é o Dia do Técnico em Radiologia!
Imprensa Oficial: O dia 08 de novembro é o Dia do Técnico em Radiologia!

Como o dia do técnico de radiologia pode ser usado de forma prática

Em vez de apenas celebrar, o dia 14 pode servir como marco para três ações concretas que realmente mudam o cotidiano profissional. Ação 1: revisão de protocolos com base em dados reais de dose. Reúna os valores de DLP e CTDIvol dos últimos seis meses de exames realizados na sua unidade. Compare com os critérios de referência diagnóstica (DRS) publicados pela ANVISA e pela ICRP. Protocolos que consistently ficam acima dos DRS precisam de ajuste. Isso não é opinião, é dado que se pode comprovar em laudo técnico. Ação 2: auditoria dos EPIs e dos dosímetros. Verifique a validade dos laudos de calibração dos dosímetros individuais. Confirme se todos os profissionais da área estão utilizando aventais de chumbo, protetores tireoidianos e óculos Blindados conforme a NR-32. Se algum item está vencido ou ausente, registre e encaminhe à gestão com cópia para o setor de segurança do trabalho. Isso cria um trilha documental que protege tanto o profissional quanto a instituição.

Ação 3: atualização normativa em grupo. Organize um encontro breve, mesmo que online, para revisar as mudanças recentes em regulamentações que afetam a prática diária. A ANVISA publica portarias e resoluções periodicamente, e a maioria dos técnicos não acompanha porque não há incentivo institucional. Um estudo dirigido de duas horas pode esclarecer dúvidas que permanecem há anos. Existem limitações importantes a considerar. A principal é a falta de autonomia real do técnico de radiologia em muitos serviços brasileiros. Embora a legislação brasileira (Lei 7.485/1986 e,resoluções do COFEN e dos conselhos regionais de tecnologia em saúde) defina competências específicas, na prática a hierarquia médica e a gestão administrativa frequentemente ignoram essas delimitações. O técnico pode saber que um protocolo está incorreto, mas não ter poder para alterá-lo sem aprovação de um médico ou de um físico médico, e nem todos os serviços têm esses profissionais disponíveis. Além disso, a carga horária excessiva é um problema crônico. Um técnico em serviço de emergência pode fazer mais de 40 radiografias simples por turno, o que deixa pouco tempo para ajustes finos de posicionamento e otimização de dose. Nesses cenários, qualquer iniciativa de melhoria precisa ser proposta de forma coletiva e institucional, não individual. Propostas isoladas costumam ser ignoradas ou responsabilizadas como dificuldade pessoal do profissional.

Se você quer se informar sobre as regulamentações atualizadas, o site da ANVISA (www.gov.br/anvisa) e o da CNEN (www.cnen.gov.br) são as fontes oficiais. A SBR também mantém material de referência técnico para profissionais. Nada substitui a consulta direta aos documentos normativos, porque resumos de terceiros podem conter interpretações equivocadas ou desatualizadas. O dia do técnico de radiologia, no fim das contas, não muda legislação por si só. Ele funciona como um lembrete de que a categoria existe e de que suas condições de trabalho afetam diretamente a qualidade do diagnóstico e a segurança do paciente. Dados de dose, protocolos validados e documentação adequada não são burocracia vazia. São a diferença entre um exame que informa e um exame que apenas ocupa tempo de máquina.

08 de novembro – Dia do Técnico de Radiologia - Santa Casa - São Carlos
08 de novembro – Dia do Técnico de Radiologia - Santa Casa - São Carlos