Dia Dos Erês Na Umbanda
O que é o dia dos erês na umbanda
O dia dos erês na umbanda é celebrado em 2 de abril, mas essa data tem uma história mais confusa do que as pessoas geralmente acreditam. A data foi oficializada por influência de setores da religião nos anos 1970, quando houve um movimento de padronização das comemorações dentro do Candomblé e da Umbanda para facilitar a organização dos terreiros. Antes disso, cada casa tratava os pequenas de uma forma diferente. Alguns comemoravam em outubro, outros em fevereiro, e existiam casas que nem tinham uma data fixa no calendário. Erês, na tradição umbandista, são as entidades das crianças. Correspondem aos Orixás infantis e também às espíritos de crianças que evoluíram e trabalham nas linhas infantis da religião. Não se trata de uma hierarquia rígida — na prática, você vê desde caboclinhos que trabalham com leveza e brincadeira até ensopados que têm uma energia bem mais séria e direta. Essa variação é normal e depende da linhagem de cada terreiro.
Como funciona o dia dos erês na umbanda na prática
A sesmeiro ou abertura do dia é feita com oferendas específicas: doces, balas, brincos de milho, bonequinhos de pano, frutas vermelhas e brancas. O ponto fundamental é que os erês não recebem oferendas de carne. Isso é regra em quase todas as casas. A oferta é sempre doce, leve, algo que remeta à inocência e à alegria sem nenhum tipo de sacrifício animal envolvido. Dentro da sequência do trabalho espírita, os erês costumam abrir as sessões. Eles são os primeiros a subir porque trabalham com uma vibração que limpa o ambiente, afasta influências pesadas e prepara o terreno para as linhas mais densas que vêm depois, como a linha de Ensaios, Ogum Sete Encruzilhadas, e as linhas dos caboclos e pretos-velhos. Se você já participou de uma gira, provavelmente notou que o primeiro ponto cantado costuma ser dedicado a eles. Isso não é casualidade — é uma sequência técnica de trabalho. O que muita gente não entende é que o dia dos erês na umbanda não é simplesmente um dia de festa com crianças vestidas de branco. É um dia de trabalho espiritual específico. Os mediuns que trabalham nessas linhas entram em condição especial, e o tratamento com os pequenos exige cuidado técnico. Eles podem subIREm de formas muito diferentes dependendo do médium. Uns sobem de forma leve, rindo, brincando. Outros sobem de forma abrupta, com uma energia intensa que pode assustar quem não conhece o assunto.
Erros comuns que vejo em terreiros novatos
O erro mais frequente é tratar erês como se fossem apenas crianças espirituais carinhosas e dóceis. Isso é uma simplificação perigosa. Erês têm poder real dentro da cosmologia umbandista. Eles são portadores da energia da criação, do início, mas essa energia também é devastadora quando desequilibrada. Já vi casos em que um médiun iniciante permitiu que um jovem se manifestasse sem a devida proteção e terminou a noite com problemas sérios de sono, irritação e sensação de peso que duraram dias. A solução prática foi revisar todo o trabalho de encerramento daquela sessão e incluir pontos de desarraigo específicos para a linha infantil, algo que o médium responsável jamais tinha feito antes. Outro erro comum é a falta de preparo do ambiente. Os erês gostam de espaço. Terreiros apertados, com muita gente grudada, onde não há circulação livre, costumam gerar agitação excessiva nas linhas infantis. A recomendação prática é deixar pelo menos um metro de espaço livre entre as fileiras de médiuns e garantir ventilação adequada. Parece bobagem, mas faz diferença real na qualidade da sessão. A oferenda também merece atenção. many terreiros cometem o erro de usar muitos doces industrializados. Isso não é problemático do ponto de vista espiritual, mas do ponto de vista prático atrai insetos, cria mau cheiro e pode estragar rapidamente, especialmente em cidades quentes. O workaround que uso é preparar as oferendas na véspera e mantê-las em recipientes fechados até o momento exato da colocação no altar. Assim evita-se tanto o problema dos insetos quanto o da deterioração.

Nuances que poucos conhecem
Uma coisa que pouca gente entende é a diferença entre os erês das linhas de Caboclo e os erês das linhas de Criança Pura. Ambas são linhas infantis, mas trabalham de formas distintas. Os erês de Caboclo têm uma conexão mais forte com a natureza e costumam trazer mensagens relacionadas à floresta, à caça, ao conhecimento ancestral. Os erês de Criança Pura trabalham mais com a pureza do espírito, com a desincarna de questões ligadas à inocência ferida, com o perdão e a limpeza emocional. Misturar essas duas linhas na mesma sessão sem planejamento adequado pode gerar confusão tanto para os médiuns quanto para as entidades envolvidas. Também é importante notar que o dia dos erês na umbanda não é exclusivamente para filhos de santo. Frequentadores casuais que chegam tarde e querem ver a parte "bonita" da sessão geralmente causam mais perturbação do que qualquer outra coisa. Os erês ficam inquietos com a presença de estranhos, com fotos tiradas, com conversas paralelas. A recomendação é clara: se não for filho de santo ou médium efetivo da casa, observe em silêncio e não interfere em nada.
Limitações e cenários onde o trabalho com erês falha
O trabalho com erês não é adequado para todos os médiuns. Alguns tipos de personalidade têm dificuldade em suportar a vibração dessas linhas. Pessoas muito tensas, ansiosas ou com histórico de transtornos de ansiedade podem ter reações adversas sérias quando entram em contacto com essa energia. Nesses casos, o trabalho inicial deve ser gradual, começando com pontos suaves e curtinhos, e nunca forçar a presença. Se o médium estiver passando por um momento pessoal difícil — divórcio, luto recente, problemas financeiros sérios — é melhor adiar qualquer trabalho com as linhas infantis até que a situação esteja mais equilibrada. A energia dos erês amplifica tudo, tanto o bom quanto o ruim. Além disso, a data de 2 de abril é uma convenção organizacional, não uma determinação espiritual. Alguns terreiros mais tradicionais mantêm a comemoração dos erês em datas diferentes, frequentemente vinculadas ao calendário litúrgico da sua própria tradição. Isso não é incorreto — é apenas uma diferença de linhagem. Não existe uma resposta única sobre qual data é a "certa". O que posso afirmar com base na experiência é que o respeito, o preparo técnico e o conhecimento das particularidades de cada linha são muito mais importantes do que seguir rigidamente uma data no calendário. O dia dos erês na umbanda existe para dar visibilidade a um trabalho que muitas vezes é negligenciado ou tratado com superficialidade. Mas a essência não está na data — está no cuidado com que se trabalha com as entidades infantis, seja no dia 2 de abril ou em qualquer outro momento do ano.
Galeria
-
Conheça 7 Entidades da Linha dos Erês na Umbanda ! - YouTube -
Festa dos ERÊS na umbanda 30/09/2021 nossa TRADIÇÃO - YouTube -
Setembro 2024: Erês e Xangô homenageados na Umbanda | Raizes Espirituais -
10 nomes de Erês na Umbanda e Sincretismo com São Cosme e Damião en 2024