Diferença Entre Fungos E Bactérias
O que você realmente precisa saber sobre a diferença entre fungos e bactérias
Muita gente confunde os dois até conseguir um microscópio na mão ou receber uma chamada do laboratório às três da manhã porque uma cultura deu problema. A verdade prática é que fungos e bactérias são organismos completamente diferentes em estrutura, metabolismo e, o que mais importa na vida real, no jeito que respondem a tratamentos e protocolos de controle. A diferença entre fungos e bactérias começa na escala celular. Bactéria é procarioto. Isso significa que ela não tem núcleo organizado, não tem organelas membranosas como mitocôndria ou retículo endoplasmático. O DNA fica solto no citoplasma num nucleóide. Fungo é eucarioto. Tem núcleo com carioteca, mitocôndrias, complexo de Golgi, tudo organizado. Essa distinção muda absolutamente tudo: desde o que cresce no meio de cultura até qual antibiótico funciona e qual não funciona de jeito nenhum.
Entendendo a diferença entre fungos e bactérias na prática laboratorial
Quando você cultiva bactéria em ágar sangue, a maioria cresce rápido. Colonias visíveis em 18 a 24 horas. Fungo, dependendo da espécie, pode levar de 3 dias a 2 semanas para dar uma colônia que pareça alguma coisa. Já vi técnico de laboratório descartar uma placa achando que estava estéril porque nada tinha crescido em 48 horas. Dois dias depois, Candida parapsilosis estava crescendo devagarinho no canto. Isso acontece todo dia em laboratório clínico. A coloração de Gram é o primeiro teste que separa as coisas. Bactéria entra no Gram e você sabe se é Gram positiva ou negativa. Fungo não cora bem no Gram convencional. A parede celular fúngica tem quitina e glucanas, não peptidoglicano. Então quando você colhe um espécime e faz a coloração, se vê hifas ou leveduras, já sabe que não é bactéria. Se vê cocos ou bacilos, é bactéria. Simples assim na maior parte das vezes. O metabolismo também é diferente. Bactéria usa principalmente carboidratos como fonte de carbono via glicólise e respiração aeróbica ou fermentação. Fungo também usa glicólise, mas muitos fungos têm capacidade de degradar compostos mais complexos, como celulose e quitina, graças a enzimas extracelulares que bactéria comum não tem. Isso explica por que Aspergillus cresce em papel e tecido enquanto a maioria das bactérias patógenas humanas não.
Um ponto que quase todo mundo erra: antibióticos bacterianos não funcionam em fungos. Betalactâmicos como penicilina e cefalosporinas atacam a síntese de peptidoglicano. Fungo não tem peptidoglicano. Então administrar vancomicina ou amoxicilina para uma infecção fúngica é jogar dinheiro fora e piorar o quadro porque você elimina a flora bacteriana normal e deixa o fungo crescer sem concorrência. Já perdi a conta das vezes que vi isso acontecer na prática. Tamanhos também ajudam a diferenciar. Bactéria tipicamente varia de 0,5 a 5 micrômetros. Fungo, quando filamentoso, as hifas têm diâmetro de 2 a 10 micrômetros e podem se estender por centímetros. Leveduras fúngicas são maiores que a maioria das bactérias, geralmente entre 3 e 40 micrômetros. Se você olha no microscópio óptico comum e vê estruturas que parecem tubos ramificados, é fungo. Se vê pontinhos ou bastonczinhos isolados, provavelmente é bactéria. Há uma exceção importante que complica as coisas. Micobactérias, como Mycobacterium tuberculosis, têm parede celular rica em lipídios e acidorresistência. Elas são bactérias, mas se comportam de forma diferente no laboratório. Crescem devagar, levam de 2 a 8 semanas para formar colônias em meio sólido. Um iniciante pode confundir com fungo fastidioso por causa do tempo de crescimento. O diferencial é a coloração Ziehl-Neelsen, que revela a acidorresistência característica das bactérias do gênero Mycobacterium.

Outro ponto prático: a resistência a antifúngicos versus antibacterianos. Anfotericina B liga-se a ergosterol, um esterol da membrana fúngica. Bactéria não tem ergosterol, então o medicamento não faz efeito. Já a polimixina B atinge a membrana externa de bactéria Gram negativa interagindo com lipopolissacarídeos. Fungo não tem LPS, então a polimixina é inútil contra ele. Conheço um caso em que um paciente foi tratado por semanas com anfotericina B intravenosa para uma infecção por Pseudomonas aeruginosa. Óbvio que não funcionou. O paciente teve rena toxicidade desnecessária antes de descobrirem o erro. Reprodução também diferencia os dois grupos. Bactéria se reproduz por divisão binária, um processo rápido que pode ocorrer a cada 20 minutos em condições ideais. Fungo se reproduce por esporos, sexuados ou assexuados, e o ciclo de vida é consideravelmente mais lento. Esporos fúngicos podem permanecer viáveis no ambiente por anos, o que explica por que infecções fúngicas ambientais como histoplasmose e criptococose persistem em certos locais mesmo sem hospedeiro recente. Quando você está lidando com diferença entre fungos e bactérias em um cenário de diagnóstico, o caminho mais eficiente é combinar cultura, coloração e, quando disponível, testes moleculares como PCR em tempo real ou sequenciamento do gene rRNA 16S para bactérias e ITS para fungos. Testes bioquímicos como catalase e coagulase ainda são úteis para bactérias. Para fungos, o teste de germinação de blastoconídios e a capacidade de assimilação de carbonos específicos no sistema API 20C AUX ou VITEK 2 Yeast Bias continuam sendo padrão em muitos laboratórios.
Um erro comum é aplicar o mesmo protocolo de coleta para ambos. Swab de ferida superficial geralmente pega bactéria da pele e do ambiente, mas para fungo invasivo, especialmente dermatófitos, o ideal é raspar a borda ativa da lesão e coletar material de preferência antes de iniciar qualquer tratamento tópico. Bactéria de superfície muitas vezes é contaminante, enquanto fungo pode estar apenas abaixo da crosta. Se você trabalha com controle de infecções, saiba que bactérias formam biofilme de maneira diferente de fungos. Biofilme bacteriano é predominantemente de matriz polissacarídica com DNA extracelular. Biofilme fúngico, especialmente de Candida albicans, envolve manoproteínas e ß-glucanas, e as células na camada interna podem entrar em estado dormente, o que torna a erosão muito mais difícil. Desinfetantes que funcionam contra bactéria em biofilme muitas vezes falham contra biofilme fúngico maduro. Clorina a 500 ppm matam bactérias em minutos, mas Spore tricospórula de Aspergillus pode sobreviver por mais de 10 minutos nessa mesma concentração. A diferença entre fungos e bactérias também se reflete na resposta imunológica. Bactéria Gram negativa libera lipopolissacarídeo, que ativa macrófagos via TLR4, gerando uma resposta inflamatória aguda forte com liberação de TNF-alfa e IL-1. Fungo é reconhecido principalmente por receptores como Dectin-1, que reconhece beta-glucana, e TLR2, que reconhece manana. A resposta imunológica é mais orientada para Th17 e produção de IL-17, que é crucial para imunidade contra fungos mucocutâneos. Entender isso ajuda a prever por que pacientes com deficiência de IL-17 receptor desenvolvem candidíase crônica mucocutânea severa, enquanto deficiências em componentes da via TLR4 afetam mais a resposta a bactérias Gram negativas.
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Matéria sobre fungos e bacterias 3 ano. Resumo. | DOCX