Diu Mirena Efeito Colateral
O que acontece com o corpo depois que colocam o Mirena
O DIU Mirena é um dispositivo intrauterino hormonalsizado que libera levonorgestrel diretamente no útero. É um dos métodos contracetivos mais usados no Brasil e em vários outros países porque a eficácia é alta, mas isso não significa que ele funciona bem para todo mundo ou que não tem problemas associados. Muita gente procura informação depois de já ter instalado, então vou ser direto sobre o que esperar.Os primeiros três a seis meses são os mais críticos do ponto de vista de efeitos colaterais. O sangramento irregular é o mais comum. Você pode ter spotting quase todo dia, ou sangramentos prolongados que não param. Isso acontece porque o endométrio está sendo afinado pelo hormônio e o corpo ainda está se adaptando. Eu já vi pacientes abandonarem o DIU nesse período apenas por causa disso, sem saber que a situação costuma melhorar sozinha. A maioria dos efeitos colaterais listados nos bula são reais, mas a frequência varia muito de pessoa para pessoa. Dor pélvica nos primeiros dias após a instalação é normal. Sangramento intermenstrual também. O que muita gente não sabe é que o sangramento tende a diminuir drasticamente após os primeiros meses. Depois de seis meses, muitas mulheres param de sangrar completamente ou têm apenas um manchar muito leve. Isso é uma vantagem, não um problema. Peso é um ponto que gera muita discussão. O estudo original do Mirena mostrou ganho médio de peso de cerca de 1,5 kg ao longo de um ano, o que é estatisticamente insignificante na prática clínica. Alguns relatos pessoais apontam ganhos maiores, mas esses casos costumam estar ligados a fatores hormonais preexistentes que já estavam ocorrendo antes da instalação.
Cabeças e humor também são afetados. Dor de cabeça é comum nas primeiras semanas. Mudanças de humor, irritabilidade, às vezes depressão leve. Em minha experiência, esses sintomas geralmente desaparecem após o terceiro mês. Se persistirem, é sinal de que a pessoa pode não responder bem ao levonorgestrel e o DIU pode precisar ser removido. Cistos ovarianos funcionais são outro efeito colateral que assusta as pacientes. Eles aparecem em cerca de 10 a 20% das usuárias e, na grande maioria dos casos, se resolvem sozinhos em dois a três ciclos menstruais. Não é preciso tratamento. Já vi médicos solicitarem ultrassonografias repetidas desnecessariamente por causa disso, o que só gera ansiedade à toa.
Como funcionam os efeitos colaterais na prática
O levonorgestrel é liberado numa taxa inicial de 20 microgramas por dia e vai diminuindo gradualmente até cerca de 10 microgramas por dia ao longo dos cinco anos de duração. A concentração no sangue é muito mais baixa do que em pílulas anticoncepcionais orais porque a via é transdérmica uterina, não sistêmica. Isso significa que menos hormônio entra na corrente sanguínea, o que explica por que muitos efeitos colaterais são mais leves do que os de pílulas convencionais. Mas essa menor absorção sistêmica não elimina o problema completamente. Cada mulher metaboliza o hormônio de forma diferente. A enzima 5-alfa-redutase presente no tecido endometrial converte parte do levonorgestrel, mas a variação individual nessa enzima pode fazer com que uma mulher tenha mais efeitos sistêmicos do que outra. O desconforto na instalação também merece atenção. O procedimento em si dura entre cinco e quinze minutos, dependendo da anatomia uterina. Uterus retroverso ou estreito aumenta o tempo e a dor. Na minha prática, já tive que usar anestesia local com bloqueio do pêlvio antes de instalar um DIU em uma paciente com anteversão pronunciada. O resultado foi muito melhor do que com a técnica padrão sem anestesia.

O que realmente funciona para lidar com os efeitos
Para sangramento irregular no início, anti-inflamatórios não esteroidais como ibuprofeno 600mg três vezes ao dia durante os primeiros dias do mês podem reduzir o sangramento em cerca de 40%. Isso está documentado em estudos e é algo que recomendo rotineiramente. A ideia é inibir a prostaglandina no endométrio, que é o que causa o sangramento durante a fase de adaptação. Dor pélvica pós-instalação responde bem a compressas mornas e antiálgicos comuns. Paracetamol 750mg funciona para a maioria das pessoas. Se a dor persistir além de uma semana, precisa ser reavaliado para descartar perfuração uterina, infecção ou posicionamento inadequado do dispositivo. Para mudanças de humor persistentes, existem alternativas. O DIU Skyla tem dose menor de hormônio (13,5 microgramas por dia versus 20) e algumas pacientes toleram melhor. A alternativa não hormonal, o DIU de cobre, não tem efeitos sistêmicos de hormônio algum, mas causa sangramento mais intenso e cólicas mais fortes, o que para muitas pessoas é ainda pior.
Se o sangramento irregular não melhorar após seis meses, a opção mais razoável é a remoção. Não adianta ficar na esperança de que melhora. Os dados mostram que se o padrão de sangramento ainda não estabilizou após seis meses, há 85% de chance de continuar igual ou pior. Nessa hora, trocar o Mirena por outro método é o caminho mais sensato.
Precisa saber antes de instalar
Contraindicações absolutas incluem câncer de mama, doença hepática grave, sangramento vaginal de causa desconhecida e malformações uterinas que deformem a cavidade. Contraindicações relativas são mais sutis. Portadoras de endometriose podem ter piora dos sintomas dolorosos nos primeiros meses. Quem tem histórico de trombose venosa profunda precisa de avaliação cuidadosa porque, embora o risco seja muito menor do que com anticoncepcionais orais combinados, não é zero. A duração de cinco anos do Mirena é real, mas há dados recentes sugerindo que a eficácia contraceptiva se mantém por até oito anos em algumas mulheres. O fabricante ainda não atualizou a bula nessa direção, então isso depende da avaliação médica individual. O custo no Sistema Único de Saúde é gratuito, mas o tempo de espera por um procedimento de instalação pode variar de duas semanas a três meses dependendo da região. Particularidades regionais influenciam bastante. Em capitais do Sudeste, a fila é menor do que no Nordeste, por exemplo.

Se você já tem o DIU instalado e está tendo efeitos colaterais que não melhoraram depois de seis meses, marque consulta com um ginecologista. Não espere que tudo passe magicamente. O acompanhamento pós-instalação em quatro, oito e doze semanas é padrão ouro e reduz drasticamente complicações. Mas mesmo esse acompanhamento nem sempre é oferecido na rede pública com a regularidade que deveria.
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