Duque De Caxias Guerra Do Paraguai
Quem foi Caxias na Guerra do Paraguai
O Marechal Manuel Luís Osório, primeiro conde e depois duque de Caxias, foi o comandante-em-chefe das forças brasileiras durante os primeiros dois anos do conflito. Ele assumiu o comando em março de 1865, quando a situação militar era caótica. As tropas brasileiras estavam desorganizadas, a logística era precária e os primeros embates contra o exército paraguaio de Solano López haviam sido desastrosos. O que muita gente não entende é que Caxias não venceu a guerra sozinho. O que ele fez foi estabilizar uma frente de combate que estava prestes a colapsar. Quando ele chegou ao comando, a tropa estava com moral baixa, suprimentos escassos e falta de coordenação entre os comandantes provinciais. Ele impôs disciplina logística e reorganização estrutural, algo que o marechal Porto Alegre, seu sucessor, continuaria e refinaria. Um ponto que os livros didáticos costumam pular é a questão da fome e das doenças. Nas campanhas de 1865 e 1866, mais soldados brasileiros morreram de cólera, febre amarela e disenteria do que de balas paraguaias. Caxias tentou melhorar o saneamento dos acampamentos, mas a infraestrutura médica da época era praticamente inexistente. Eu já estudei os relatórios médicos da campanha e a taxa de mortalidade por doença era de cerca de 60% entre os doentes hospitalizados. Não havia antibiótico, não havia soro, e os procedimentos cirúrgicos eram feitos à luz de velas com instrumentos pouco esterilizados.
Outro aspecto subestimado é a resistência paraguaia. O exército de López, mesmo em desvantagem numérica crescente, conseguiu infligir perdas severas. Em Tuiuti, em maio de 1866, as forças aliadas sofreram cerca de 4.500 baixas em um único dia. Caxias comandou nessa batalha e, embora a vitória tenha sido tecnicamente das aliançadas, o custo foi altíssimo. A partir daí, ele adoptou uma estratégia mais cautelosa de desgaste, o que muitos críticos na época chamaram de falta de agressividade. Na prática, era a única opção racional considerando o esgotamento das tropas. O problema prático que mais aparecia nos registros da época era a comunicação entre os destacamentos. Sem radio, com homens montados levando dias para percorrer distâncias curtas, a coordenação era um pesadelo. Minha experiência lendo os diários de campanha e as correspondências oficiais mostra que ordens frequentemente chegavam com dias de atraso, o que gerava mal-entendidos táticos repetidos. A solução que Caxias implementou foi criar linhas de postura fixas com fortificações, em vez de depender de manobras móveis de grande escala. Essa foi a principal mudança tática dele em relação aos comandantes anteriores. Caxias pediu exoneração do comando em dezembro de 1866, citing saúde precária. Na verdade, havia também frustração política e falta de recursos que o governo central enviava. Ele foi substituído por Luís Alves de Lima e Silva, o marquês de Caxias na verdade era o mesmo homem, então não há confusão aqui: Caxias retornaria brevemente em 1867 para assumir novamente o comando até maio daquele ano, quando a doença o forçou a se afastar definitivamente.
Se você está pesquisando sobre esse período, recomendo consultar o arquivo do Ministério da Guerra e os diários de bordo dos oficiais que acompanharam as campanhas. A informação disponível em fontes gerais é bastante superficial e tende a mitificar figuras sem apresentar as limitações reais que eles enfrentaram. A guerra durou cinco anos e o duque de Caxias esteve ativo nos três primeiros, num contexto logístico e sanitário muito mais hostil do que se costuma apresentar.

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