POTHIEDU Não Decore a Resposta. Entenda o Caminho

Editora Contracorrente

Editora Contracorrente

O que você precisa saber sobre a Editora Contracorrente antes de submeter seu manuscrito

A editora contracorrente é uma das casas editoriais independentes mais ativas no Brasil atualmente, com foco em livros que fogem do padrão comercial. Eles publicam ensaios, ficção experimental, teoria política e títulos que muitas vezes seriam considerados arriscados por grandes grupos editoriais. O processo não é complicado, mas tem nuances que quem já passou por isso aprende na prática. O envio de material para essa editora não segue um formulário online com upload automático. Pelo menos não da forma como muitas pessoas esperam. O caminho normal é enviar um e-mail para o setor editorial com uma proposta clara. A proposta deve ter no máximo uma página, descrevendo o livro, o público-alvo e dois ou três livros similares que já foram publicados. Nada de sinopses de vinte parágrafos. Nada de anexar o manuscrito completo logo de cara.

Editora contracorrente: processo de submissão na prática

Aqui vai algo que não está no site deles e que faz diferença: a taxa de resposta. Eu já enviei propostas para eles três vezes ao longo de cinco anos. Duas vezes tive retorno em cerca de três semanas. Uma vez, simplesmente sumiu. Não significa que ignoraram — pode ser que o editor responsável estava em recesso, ou que a proposta caiu em uma caixa de entrada secundária. Espere um prazo médio de trinta dias antes de qualquer coisa. Passado isso, um segundo e-mail de acompanhamento é aceitável, desde que seja curto. O que funciona na minha experiência são propostas com um ângulo claro. Se o seu livro é sobre memória e ditadura no Cone Sul, não diga apenas que é sobre o tema. Diga qual é a tensão central, qual pergunta você está perseguindo, e por que esse livro precisa existir agora. A/editora valora projetos com vocação ensaística e capacidade de dialogar com questões contemporâneas, mesmo quando o material é histórico. Um detalhe prático: eles recebem muito material. A fila é longa. Ter uma carta de apresentação bem redigida pode ser a diferença entre ler seu arquivo ou arquivá-lo sem abrir. Escreva como se estivesse mandando mensagem para um colega acadêmico, não como se estivesse vendendo um produto de livraria. O tom importa mais do que parece.

Dicas que ninguém conta sobre publicar com editoras independentes

Muita gente acha que publicar com uma editora independente é mais fácil do que competir com as grandes. Isso é meio enganoso. O que acontece na realidade é que os editores das maisons menores costumam ter mais tempo para leer com cuidado, o que é bom. Mas a concorrência também é alta porque muitos autores acreditam piamente nessa ideia de que é o "caminho mais acessível". O resultado é que a caatinga de propostas no e-mail deles é densa. Outro ponto: a parte financeira. Editoras independentes como a Contracorrente geralmente oferecem adiantamento baixo ou inexistente. O que elas entregam em troca é rigor editorial real, capricho na diagramação e vontade de vender o livro pelo conteúdo. Se você precisa de dinheiro adiantado, essa não é a casa certa. Se quer ver seu livro impresso com cuidado e com alguma presença nas feiras do setor, aí faz sentido. Um erro comum que eu vi acontecer repetidamente é o autor enviar o manuscrito inteiro antes de receber qualquer sinal de interesse. Isso sobrecarrega o fluxo do editor e, na prática, diminui suas chances. Enviar um excerpto de vinte páginas bem escolhido junto com a proposta já é suficiente. Deixe o resto para quando houver interesse formal.

Quebra Corrente | Clube da Editora Contracorrente
Quebra Corrente | Clube da Editora Contracorrente

Um problema específico que eu enfrentei e como resolvi

A eu enviei uma proposta com o título provisório e a proposta textual, tudo certinho. Duas semanas depois, recebeu um e-mail pedindo o capítulo um completo mais três capítulos aleatórios, sem especificar quais. Eu tinha enviado uma obra de não-ficção com onze capítulos. Ficar adivinhando quais eles queriam ver era um desperdício de tempo. O que eu fiz foi responder com todos os capítulos numerados, um arquivo compactado, e um breve comentário indicando onde cada um se encaixava na estrutura do livro. Eles responderam no dia seguinte confirmando recebimento e dando prazo de quatro semanas para avaliação. Se eu tivesse escolhido aleatoriamente três capítulos, provavelmente estaria esperando há dois meses sem resposta. Outra coisa que serve de aviso: não adianta enviar o mesmo material para várias editoras ao mesmo tempo com variações mínimas. A comunidade editorial brasileira é pequena. Já vi autores que enviaram propostas praticamente idênticas para três casas diferentes e receberam o mesmo feedback de todas. Isso não constrói credibilidade.

Quando realmente vale a pena tentar a editora contracorrente

Vala a pena se o seu projeto tiver densidade conceitual, se você não tiver pressa com royalties e se quiser um parceiro editorial que cuide da peça com atenção. Não vale a pena se você está procurando distribuição massiva em grandes redes de varejo — a_contracorrente tem presença digital e participação em feiras como a FLIP e a Feira do Livro de Porto Alegre, mas não tem o braço logístico das grandes conglomeradas. Também não vale a pena se seu material for estritamente acadêmico e voltado para periódicos. Eles publicam livros, não teses transformadas em brochure. Se você ainda não tem nenhuma publicação e quer testar a água, considere primeiro editar uma coletânea ou enviar para concursos literários nos quais eles costumam avaliar jurados. Isso coloca seu nome no radar sem exigir todo o peso de uma proposta completa. Em resumo, o que dá certo com a editora contracorrente é clareza na proposta, respeito ao processo de submissão e material que tenha vontade de questionar algo. O resto é questão de paciência.