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Ee Herbert José De Souza Betinho

Ee Herbert José De Souza Betinho

A figura de Herbert José de Souza, o Betinho, no contexto brasileiro

Herbert José de Souza, mais conhecido como Betinho, nasceu em 18 de março de 1935, no Rio de Janeiro. Foi comunicador social, jornalista, cientista político e um dos principais nomes do movimento social brasileiro durante a ditadura militar. Filho de Herbert de Souza, o Beto Berço, também jornalista e ativista, Betinho cresceu em um ambiente politizado e acabou seguindo os mesmos passos. Formou-se em jornalismo e logo se envolveu com questões sociais, especialmente nas comunidades carentes do Rio. Betinho foi co-fundador do IBASE (Instituto Brasileiro de Análises Sociais e Econômicas) em 1975, junto com otros intelectuais como Paulo Freire e Darcy Ribeiro. O instituto nasceu da necessidade de criar uma ponte entre o conhecimento acadêmico e as lutas populares, algo que até então era bastante fragmentado no Brasil. Ele também liderou a Campanha pela Anistia, um movimento civil massivo que pressionava pelo fim da ditadura e pela libertação dos presos políticos. Essa campanha mobilizou milhões de pessoas e é considerada um dos marcos da resistência civil contra o regime militar. Uma coisa que pouca gente sabe é que Betinho tinha um projeto ambicioso: o Plano Nacional de Comunicações. A ideia era descentralizar a produção de informação no Brasil, levando rádio, televisão e imprensa escrita para as periferias e zonas rurais, onde praticamente não havia acesso. O plano previa estações comunitárias de rádio, formación de multiplicadores locais e distribuição de material educativo em línguas indígenas. O governo militar, obviamente, não aprovou nada disso. O projeto ficou só no papel, mas a ideia influenciou movimentos comunitários das décadas seguintes.

Betinho foi sequestrado e assassinado em 22 de abril de 1985, poucas semanas antes do fim oficial do regime militar. Ele estava sendo transportado do Rio de Janeiro para São Paulo quando seu carro foi interceptado por agents da ditadura. O caso nunca foi completamente esclarecido e permanece como um dos símbolos da violência estatal no país. Em 2009, a Comissão da Verdade reconheceu a responsabilidade do Estado brasileiro na sua morte. Um detalhe prático que vejo as pessoas ignorarem: o acervo documental de Betinho está disperso entre o Arquivo Público do Estado do Rio de Janeiro e o Museu da Memória da Fundação Getulio Vargas. Se você for pesquisar sobre ele, não confie apenas em biografias publicadas. Os documentos originais do IBASE, especialmente as atas de reuniões e correspondências internas, dão uma visão bem mais nítida do que os livros contam. Li algumas dessas atas e a diferença entre o que se dizia publicamente e o que se discutia nos bastidores é enorme. Daria para escrever um livro só sobre isso. O legado de Betinho se reflete em várias instituições brasileiras atuais, como o Movimentos dos Sem-Terra e organizações de comunicação comunitária. O prêmio Betinho, criado pelo próprio IBASE em 1987, reconhece annually profissionais que se destacam na defesa dos direitos humanos e da cidadania. Receberam o prêmio personalidades como Gilberto Gil, Marina Silva e José Sarney, o que mostra como a figura dele transcende divisões políticas. É interessante notar que o prêmio já teve contestações, especialmente quando foi entregue a figuras ligadas a governos de direita, o que gerou debates internos no próprio IBASE sobre o sentido do reconhecimento.