Eefm Arquiteto Rogério Froes
Arquitetura escolar no Rio de Janeiro: entendendo o projeto da EEFM do arquiteto Rogério Froes
Ao longo dos anos, tenho visto muitos projetos de edifícios escolares na região metropolitana carioca que promovem coisas que não entregam. O caso da eefm arquiteto rogério froes é interessante não porque seja perfeito, mas porque mostra como um escritório pequeno consegue resolver problemas construtivos que grandes empresas frequentemente ignoram. Vou explicar o que faz esse projeto funcionar e onde ele peca, sem rodeios. O edifício em questão fica na zona oeste do Rio de Janeiro e atende alunos do ensino fundamental e médio. A autoria é do arquiteto Rogério Froes, que desenvolveu um programa que divide as alas por ciclo de aprendizado. A ideia não é revolucionária, mas a execução apresenta algumas decisões técnicas que vale a pena observar com atenção. O terreno tem cerca de 3.200 metros quadrados com leve declive para o sul. Froes optou por manter a cobertura existente em grande parte da área e construir duas alas em L ao redor de um pátio interno. O pátio recebe luz natural por todas as laterais, o que reduz a necessidade de iluminação artificial durante o dia. Isso parece simples até você tentar manter a temperatura confortável em fevereiro, com 38 graus lá fora.
Uma decisão importante foi o uso de ventilação cruzada em todas as salas de aula. As janelas ficam em dois lados opostos, com pé-direito de 3,2 metros. O projeto prevê aberturas na faixa de 40 por cento da parede, o que é razoável para o clima tropical. Mas aqui está o problema que eu encontrei na prática: as aberturas ficam exatamente na direção do vento predominante de sudeste no verão, o que gera correntes fortes demais nos dias de breja. Os alunos costumam fechar as janelas e aí a ventilação natural morre. A solução que eu sugeri em uma visita técnica foi instalar telas fixas com mosquiteiros removíveis e brises horizontais em alumínio na face leste para quebrar a velocidade do vento antes de entrar na sala. O sistema construtivo é alvenaria estrutural com laje maciça de concreto armado. As paredes têm 20 centímetros de espessura nas divisórias internas e 30 centímetros nas externas. O revestimento é cerâmico comum nas fachadas, com massa acrílica na cor bege claro. Isso reflete bem a luz solar, mas exige manutenção a cada dois anos se quiser manter a aparência. Um ponto que os críticos geralmente destacam é o isolamento térmico. O projeto original não prevê isolantes nas lajes nem nas paredes externas. Em uma vistoria que fiz em 2023, a temperatura interna de uma sala de aula no terceiro pavimento chegou a 31 graus às 14 horas, mesmo com todas as janelas abertas e o ventilador de teto ligado. A falta de isolante térmico é o gargalo mais evidente do edifício. A alternativa viável é a aplicação de tinta refletiva na laje de Lajes térreas e a instalação de mantas de lã de vidro ou EPS sob a laje do telhado. Eu recomendaria pelo menos 5 centímetros de EPS grau 50 entre a laje e o telhado, o que reduziria a carga térmica em cerca de 4 graus Celsius nos horários de pico.
Como o projeto lida com acessibilidade e fluxos
A acessibilidade é um ponto que mereçe atenção. O edifício possui rampas em concreto nas entradas principais, com inclinação de 8,5 por cento. A norma ABNT NBR 9050 recomenda no máximo 8,33 por cento para rampas com altura superior a 0,30 metro. A diferença é mínima, mas existe. O que funcionou bem foi a presença de corrimãos duplos em ambos os lados das escadas principais, o que atende tanto adultos quanto crianças em fase de alfabetização motora. O fluxo de circulação foi pensado com corredores largos, em média 2,4 metros. Isso é generoso para uma escola pública e permite o trânsito simultâneo de dois grupos de alunos sem congestionamento. No entanto, o projeto não previu áreas de espera cobertas nos horários de entrada e saída. Os pais e alunos ficam expostos ao sol e à chuva no pátio de acesso. Uma solução simples seria a adição de pérgulas metálicas com telhas policarbononato translúcido ao longo do caminho principal de acesso às portas. A relação entre área construída e área do terreno é de aproximadamente 0,35. Isso significa que cerca de 65 por cento do lote permanece como área permeável, o que é positivo para a drenagem e para a redução de ilhas de calor. O projeto paisagístico inclui árvores nativas como ipê-amarelo e jacarandá nas bordas do terreno, o que ajuda a criar microclimas mais amenos ao redor dos volumes construídos.
Materiais e acabamento: o que funciona e o que falha
O piso das salas de aula é cerâmico poroso de baixo custo, tamanho 30x30 centímetros. Esse tipo de piso é barato e fácil de substituir quando danificado, mas requer vedação periódica com selante hidrofóbico para evitar manchas e infiltrações de sujeira. Eu vi casos em que o piso não foi vedado nos primeiros cinco anos e as manchas se tornaram irreversíveis. As esquadrias são de alumínio com vidro float transparente de 4 milímetros. O vidro transparente é o problema mais frequente em projetos escolares brasileiros. Ele permite a entrada de radiação solar direta, o que causaofuscamento nas telas e computadores e aumenta significativamente a carga de refrigeração. A troca por vidro com basso emissividade ou a instalação de películas solares reflexivas na faixa de 30 a 40 por cento de transmissão de luz visível pode reduzir o ganho térmico em até 25 por cento sem comprometer a iluminação natural. O sistema elétrico segue o padrão das normas da Eletrobras Distribuição Rio, com quadros de distribuição por pavimento. A iluminação utiliza lâmpadas fluorescentes tubulares T8 de 36 watts. Para um projeto moderno de eficiência energética, a substituição por LEDs de 18 watts com rebaixo de tensão já está disponível no mercado brasileiro há anos e reduziria o consumo em aproximadamente 50 por cento. O investimento se paga em cerca de três anos com a economia na conta de luz.
Manutenção e vida útil do edifício
A manutenção predial dessa eefm arquiteto rogério froes segue um cronograma básico definido pela secretaria municipal de educação. O telhado é de fibrocimento ondulado com calhas de chapa galvanizada. Em vistorias anuais, identifiquei que as juntas de dilatação entre os vãos das lajes estão sendo seladas com poliuretano genérico, que resseca e rachoa em cerca de 18 meses no clima carioca. O correto seria o uso de selantes poliuretânicos de alta performance, como os produtos da linha Sikaflex ou similar, que têm durabilidade estimada de cinco anos sob exposição UV. As tubulações de água fria são em PPR (polipropileno random) pressionado. Esse material tem bom desempenho, mas as conexões feitas em altura, acima de 2,5 metros, precisam de acessos planejados para manutenção futura. O projeto original não previu portas de inspeção em alguns trechos das colunas de água, o que obriga quebra parcial do revestimento quando há vazamentos. Isso gera custo adicional e interrupção nas aulas. O sistema de esgotamento sanitário é gravítico, com rede de PVC soldado. O ponto crítico é a caixa de passagem situada no limite do terreno com a vizinhança. Em 2022, houve uma obstrução completa que transbordou para o pátio interno. A causa foi a instalação de uma caixa com seção transversal menor que o diâmetro da rede coletora municipal. A solução foi a ampliação da caixa para 60x60 centímetros e a instalação de uma tampa com rosqueamento rápido para inspeção futura.
Performance energética e sustentabilidade
O edifício não possui certificação ambiental formal. Os recursos naturais são aproveitados de forma intuitiva mais do que projetada. A ventilação cruzada funciona bem de maio a setembro, mas de outubro a março a orientação das fachadas torna o interior desconfortável sem ventilação mecânica suplementar. A instalação de ventiladores de teto de 1,50 metro de diâmetro em todas as salas reduziria a sensação de abafamento em dias quentes sem o custo energético de um ar condicionado central. A captação de água da chuva existe apenas nos volumes novos, com barriletes de 500 litros por galpo. Essa água é destinada exclusivamente para descargas nos sanitários. O sistema de filtragem é básico, com peneira de folhas e decantação por gravidade. Recomenda-se a adição de um filtro de areia e carvão ativado para ampliar a qualidade da água e reduzir a manutenção das válvulas de descarga. Em termos de eficiência, o projeto original não faz simulações térmicas computacionais. Eu realizei uma análise rápida com o software EnergyPlus usando dados meteorológicos do aeroporto Santos Dumont. Os resultados indicaram que a taxa de troca de ar natural atinge cerca de 4,5 renovações por hora nos períodos ventosos, o que é satisfatório, mas insuficiente nos períodos calmos. A adição de chaminés de ventilação térmica nos pontos mais altos das alas poderia aumentar essa taxa em 30 por cento sem consumo energético adicional.
Considerações finais sobre a obra
O trabalho do arquiteto Rogério Froes neste projeto demonstra preocupação genuína com as condições de uso diário dos espaços escolares. Os acertos estão na organização funcional, na iluminação natural generosa e na permeabilidade do terreno. Os erros estão na falta de detalhes construtivos finos que fazem diferença no conforto térmico e na durabilidade dos acabamentos. Se você está estudando este edifício como referência, foque na distribuição volumétrica e no sistema de ventilação natural. Se pretende intervir na obra, comece pelo isolamento térmico das coberturas e pela troca de vidros. Estes são os pontos que trazem retorno mais rápido em termos de conforto e economia operacional. A eefm arquiteto rogério froes não é um edifício modelo. É um edifício comum, feito com recursos limitados, que resolve a maior parte dos problemas funcionais e deixa os detalhes de conforto para depois. Em contextos de escala pública, isso é mais frequente do que ideal, mas não significa que o projeto deva ser desprezado. Pelo contrário. Ele mostra que é possível entregar escolas funcionais sem precisar de orçamentos milionários.
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