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Eleições De 1989 Resumo

Eleições De 1989 Resumo

Aqui vai o que importa saber sobre as eleições de 1989

O Brasil voltou a eleger presidente pelo voto direto pela primeira vez depois de 29 anos. O país tinha vivido uma sucessão de governos militares desde 1964, e esse processo eleitoral foi o marco final da abertura política que começou lá pelos anos 1970. A eleição ocorreu em três turnos, o que já é algo que muita gente esquece quando resume os fatos. O primeiro turno aconteceu dia 15 de novembro de 1989. Vários candidatos disputaram, mas ninguém atingiu a maioria absoluta necessária para evitar o segundo turno. Os dois mais votados foram Fernando Collor de Mello, que naquela época era um desconhecido do grande público mas tinha uma máquina de campanha enxuta e eficiente, e Luiz Inácio Lula da Silva, que na época ainda não era o líder sindical consagrado que muitos conhecem hoje. No segundo turno, em 17 de dezembro, Collor venceu com cerca de 53% dos votos válidos. A taxa de abstenção ficou em torno de 24%, o que é alto para um pleito presidencial. A participação feminina foi um dado interessante: pela primeira vez, mais mulheres votaram do que homens no Brasil, algo que se manteve crescente a partir dali.

O que muita gente não considera é o peso da propaganda eleitoral na TV. Collor gastou muito mais com anúncios do que qualquer outro candidato. Isso não era novidade, mas a escala daquele ano foi desproporcional. Ele usou o formato de spots curtos, com música e imagens rápidas, algo que virou padrão depois. Antes disso, os comícios ao vivo ainda dominavam. A transição daquele ano marcou uma mudança real. Pra quem quer pesquisar: os dados oficiais estão no Tribunal Superior Eleitoral (TSE). O acervo histórico deles tem os resultados por município, o que permite cruzar dados de forma bem específica. Se você for analisar o comportamento eleitoral por região, nota-se uma divisão clara: Collor teve força maior no Sul e no Norte, enquanto Lula dominou o Nordeste e parte do Sudeste. Um problema que eu encontrei ao trabalhar com esses dados foi a inconsistência nas tabelas do TSE referentes a cidades que tiveram mudanças de nome ou de vinculação municipal entre 1985 e 1990. A solução que funcionou foi cavar nos arquivos municipais originais e fazer a correspondência com base no código geográfico do IBGE, que é mais estável do que o nome do município. Leva um tempo a mais, mas evita distorções que aparecem em resumos mais simplificados.

Outro detalhe importante que passa despercebido: a Constituição de 1988, recém-promulgada, já estava em vigor durante opleito, mas ainda havia regras eleitorais transitórias. O voto era obrigatório para maiores de 18 anos, mas os analfabetos, os maiores de 70 e os menores de 18 só podiam optar por votar, não eram obrigados. Essa regra gerou confusão em pesquisas de opinião da época, e muitos levantamentos erraram ao calcular a porcentagem do eleitorado efetivo. Se você quer entender o resultado em profundidade, não confie apenas em resumos de um parágrafo. O contexto é tudo: a crise econômica que precedeu o governo Collor, a hiperinflação, a impressão de que o sistema partidário estava fragmentado e que nenhum partido tinha maioria própria. O PT estava em ascensão, mas ainda não era a força hegemônica que se tornaria nos anos 2000. O PSDB ainda estava sendo fundado. O PRN, do Collor, era um partido praticamente pessoal, criado sob medida para a candidatura dele. Os números finais mostram Collor com 35 milhões de votos e Lula com 31 milhões. A diferença não foi tão grande assim, considerando o quão disputado foi o processo. O que fechou a eleição foi a distribuição geográfica dos votos e a capacidade de Collor de concentrar recursos de mídia. Nada que se possa chamar de surpresa, mas que sempre aparece como "Choque no Brasil" nos manuais escolares.

Para quem tem curiosidade, este foi o line-up das eleições de 1989. Sim ...
Para quem tem curiosidade, este foi o line-up das eleições de 1989. Sim ...