Eletrotek Eletro Souza E Souza
Entendendo o Eletrotek da Souza e Souza na prática
O Eletrotek é uma planilha de cálculo elétrico desenvolvida pela Souza e Souza, bastante utilizada no Brasil para dimensionamento de circuitos, queda de tensão, selecão de disjuntores e concordância de proteções. A versão mais comum roda no Excel e usa tabelas normativas da NBR 5410. Não é software proprietário com interface gráfica — é essencialmente uma ferramenta de planilha com macros e fórmulas embutidas. Achei o material pela primeira vez em um fórum técnico antigo, quando precisava calcular a queda de tensão de um ramal de 85 metros com carga de 32A usando cabo de alumínio. A conta na mão daria errado em algum ponto, e eu não confiava na cabeça na época.
O que o eletrotek eletro souza e souza faz de verdade
O pacote basicamente centraliza três coisas: tabelas de corrente de instalação (Tabela 19 da NBR 5410), cálculo de queda de tensão conforme o método das seções mínimas e o critério de verificação de sobrecarga e curto-circuito. Você insere comprimento, material do condutor, bitola, tipo de instalação e a ferramenta devolve se o circuito está dentro dos limites ou precisa ser reformulado. O diferencial real dele, na minha experiência, é a parte de coordenação de proteções. A planilha permite verificar se um disjuntor terminal protege efetivamente o cabo contra sobrecarga e se o dispositivo de entrada consegue suportar a corrente de curto-circuito até aquele ponto. Isso é o que mais gera problema em projetos reais, porque muita gente dimensiona o cabo certo e depois coloca um disjuntor que não corresponde.
Como baixar e configurar
Os arquivos originais costumam circular em fóruns de engenharia elétrica e em sites de associações técnicas. A versão que uso tem extensão .xls e vem com macros habilitadas por padrão. Se o Excel abrir mostrando uma barra amarela pedindo permissão para macros, aceite. Sem isso, os botões de cálculo não funcionam. Um detalhe importante: a planilha exige o módulo VBA rodando no ambiente Windows. Se você usar o Excel para Mac ou uma versão online, vai travar nos botões e nas macros. A solução mais prática que encontrei foi manter uma máquina virtual com Windows 10 e Excel 2016 rodando só pra isso. Leva uns cinco minutos pra configurar e depois nunca mais deu problema. Dentro da planilha, os campos principais são: potência ou corrente de projeto, comprimento do ramal, material (cobre ou alumínio), seção do condutor, tipo de isolamento (PVC, EPR, XLPE), método de instalação (conduíte embutido, calha, ar livre) e fator de agrupamento. Preencha esses dados na aba de entrada e os resultados aparecem nas abas de verificação. Não tente pular etapas preenchendo campos à toa, porque a validação depende da sequência correta.
Um problema que eu tive e como resolvi
Num projeto residencial de dois andares, a planinha indicava que o cabo de 10 mm² de cobre estava dentro da corrente permitida para o disjuntor de 50A, mas a queda de tensão no segundo circuito de tomadas estava dando 4,8%, acima dos 4% recomendados pela norma para ramais. O Elektrotek mostrava o resultado certo, mas a solução não aparecia automaticamente porque a macro só comparam Se e corrente, sem sugerir bitola alternativa. A solução foi subir para 16 mm² no trecho crítico, o que reduziu a queda para 2,9%. O custo do cabo aumentou cerca de 35%, mas resolveu o problema sem precisar mudar a tubulação. A lição prática foi: usar o Eletrotek para identificar o problema é fácil, mas a decisão de qual bitola trocar depende do seu julgamento sobre custo e viabilidade construtiva. A planilha não decide por você.
Erros comuns que eu vejo todo dia
O erro mais frequente é ignorar o fator de agrupamento. Quando você tem quatro circuitos no mesmo conduíte, a corrente admittida cai significativamente. Muita gente Entra com o valor da Tabela 19 sem aplicar o fator e o cabo acaba dimensionado abaixo do necessário. A planilha tem campo pra isso, mas é fácil esquecer de preencher. Outro erro grave é confundir o fator de correção por temperatura ambiente. A NBR 5410 traz tabelas diferentes para 30°C, 40°C e 50°C. Se o ambiente real for 45°C e você usar o fator de 40°C, o cabo vai superaquecer com o tempo. No meu projeto de uma indústria no interior de São Paulo, a temperatura interna do quadro de comando atingia 48°C no verão. Usei o fator de 50°C e ainda assim precisei aumentar uma seção porque o agrupamento já estava pesando bastante. Existe ainda a confusão entre seções mínimas para proteção contra curto-circuito e seções mínimas para queda de tensão. Eles são critérios diferentes e ambos precisam ser verificados. A planilha mostra os dois, mas quem não conhece a norma pode achar que só um deles basta. Na prática, você precisa satisfazer os dois simultaneamente.
Limitações e onde o Eletrotek falha
O principal ponto fraco é que o software não calcula seletividade real entre disjuntores. Ele faz uma comparação básica de curva magnética versus corrente de defeito, mas não simula a coordenação completa com curvas time-current. Se você precisa de coordenação de nível 1 ou 2 conforme a NBR 14039, vai precisar de um software especializado como o ETAP ou o DIgSILENT PowerFactory. Outra limitação séria é que as tabelas de corrente são estáticas. Elas não consideram condições dinâmicas como variação sazonal de temperatura ou envelhecimento do isolamento. Em projetos de longa duração, como redes industriais, eu sempre faço uma margem de segurança adicional de 10% a 15% sobre a seção calculada. Isso não está na planilha, é decisão do projetista. O formato .xls também é um problema. Arquivos mais antigos podem não rodar bem em versões recentes do Excel, especialmente se houver macros legadas com referências quebradas. Eu recomendo testar em um arquivo cópia antes de confiar nos resultados para um projeto real. Já perdi dados porque a macro travou e salvou valores intermediários como se fossem finais.
Alternativas quando o Eletrotek não chega
Para quedas de tensão mais complexas, com trechos múltiplos e cargas desbalanceadas, eu costumo usar o método das seções equivalentes manualmente ou recorrer ao software gratuito OpenDSS da EPRI. Ele simula redes de distribuição e dá resultados mais confiáveis quando o Eletrotek fica aquém. Para dimensionamento rápido de quadros de distribuição residencial, existe ainda a planilha da ABRAVE, que é mais recente e atualizada conforme as revisões mais recentes da NBR 5410. Ela não tem a profundidade do Eletrotek em coordenação de proteções, mas é mais fácil de usar e roda em qualquer versão do Excel moderno. Se o seu projeto envolve instalações de média tensão, o caminho é outro. O Eletrotek é focado em baixa tensão. Para MT, você vai precisar de softwares como o SKM PowerTools ou o CYME. Nenhuma planilha de Excel resolve isso com segurança.
O que eu faria diferente se começasse hoje
Eu manteria um arquivo de controle de versões. Cada projeto tem suas premissas, e é fácil esquecer por que escolheu determinada bitola ou disjuntor. Anotar no próprio Excel, em uma aba separada, as suposições usadas — temperatura ambiente estimada, fator de agrupamento, tipo de carga — economiza horas de dor de cabeça quando o cliente volta com uma pergunta meses depois. Também evitaria confiar cegamente no resultado numérico. Sempre faço uma verificação manual de dois ou três pontos críticos, principalmente na queda de tensão e na corrente de curto-circuito. Se os números baterem, confio. Se não baterem, reviso a entrada. Essa verificação leva cerca de 15 minutos e já me salvou de pelo menos três erros em projetos reais nos últimos anos. O Eletrotek da Souza e Souza continua sendo uma ferramenta válida e amplamente adotada no mercado brasileiro, desde que usado com consciência das suas limitações. Ele não substitui o conhecimento técnico do projetista, apenas acelera os cálculos que antes levavam horas. O resto depende de quem opera a ferramenta.
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