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Em Acidente Envolvendo Motociclista O Procedimento Adequado É

Em Acidente Envolvendo Motociclista O Procedimento Adequado É

Primeiros socorros e procedimentos em sinistros com motocicleta

Quando um motociclista cai na via, a tendência imediata das pessoas é correr para ajudar. O problema é que essa corrida quase sempre piora as coisas. Já vi gente puxar capacete de motoristas em plena rodovia sem entender o risco que estava correndo. Vou explicar o procedimento correto, mas antes preciso dizer algo que muita gente não quer ouvir: o maior erro não é não fazer nada, é fazer algo errado com pressa. o procedimento adequado é seguir uma sequência lógica de proteção da cena, avaliação do ferido e acionamento dos serviços de emergência. Nada disso exige heroísmo, exige método. A primeira coisa a fazer é garantir a segurança do local. Se estiver em rodovia ou via de fluxo rápido, acione o triângulo a pelo menos 50 metros do sinistro. Ligue os faróis do carro se estiver dirigindo. Fique fora do canteiro central ou da faixa de rolamento se possível. Motociclistas costumam escorregar por 10 a 20 metros após a queda, então há destroços espalhados que representam risco real para quem chega correndo. Não pise em óleo, nem encoste em partes metálicas quentes do motor. Isso parece óbvio, mas em horas de plantão já vi socorristas levarem corte no antebraço ao tentar erguer um capacete que estava encharcado de gasolina.

A segunda etapa é avaliar a vítima sem movê-la. Motociclistas têm alta probabilidade de lesões na coluna cervical. O capacete nunca deve ser removido por leigos. Já perdi a conta de quantas vezes ouvi relatos de pessoas tirando o capacete achando que estavam ajudando, e isso pode transformar uma fratura instável em uma lesão medular permanente. Se a vítima estiver consciente e conseguindo falar, pergunte se sente movimento nos membros e se tem dor no pescoço ou nas costas. Se ela estiver inconsciente mas respirando, mantenha-a na posição encontrada e aguarde o SAMU. A única exceção para remover o capacete é se a vítima estiver vomitando ou se as vias aéreas estiverem obstruídas, e mesmo assim a remoção deve ser feita por pessoais treinados, nunca por curiosos. A terceira etapa é ligar para o serviço de emergência. No Brasil, o número é 192 para SAMU ou 193 para bombeiros. Diga o local exato, o número de vítimas, se há pessoas presas nos destroços e se o trânsito está bloqueado. Quanto mais informação você der, mais adequada será a resposta. Um detalhe que poucos sabem: se a moto estiver tombada sobre o motociclista, não tente erguê-la sozinho. Uma moto de 160 kg tombada esmaga o tórax e a pelve com facilidade. Espere os bombeiros com o equipamento correto. Quarto ponto: controle hemorragias se houver sangue visível. Pressão direta com pano limpo ou gaze. Se o sangramento for abundante e não controlar com pressão, use torniquete apenas em membros,aplicado 5 a 10 cm acima do ferimento, e anote o horário. Isso é importante porque o SAMU precisa saber há quanto tempo o torniquete está aplicado para preparar a reposição volêmica adequada.

Há um cenário que todo mundo esquece e que merece atenção: colisões entre motos e carros. O motociclista frequentemente é arremessado e pode acabar a vários metros do veículo envolvido. Nesse caso, o local onde ele foi encontrado pode não ser o local seguro para deixá-lo. Mas novamente, não mova. Marque com algum objeto visível onde ele está para que a equipe de resgate localize rapidamente. Outro ponto prático que não aparece em manuais: leve sempre consigo a carteira de habilitação e a documentação do veículo quando for de moto. Em acidentes com danos materiais, o Detran e a seguradora vão exigir esses documentos. Ter acesso rápido a eles evita burocracia desnecessária e atrasa o ressarcimento. Já vi gente passar três semanas sem conseguir fechar o boletim de ocorrência porque a CNH estava no banco do carro que ficou preso no trânsito. Quanto à roupa, capacetes com viseira embaciada ou trincada devem ser trocados após o acidente, mesmo que pareça intacto por fora. Microfissuras no policarbonato comprometem a proteção na próxima queda. Já substituí capacete que tinha uma risca fino na viseira e dentro de seis meses a visibilidade estava comprometida em dias chuvosos. O custo de um novo é muito menor que o risco de uma nova colisão por falta de visão.

Motociclista morre em acidente com van no Jardim Revista, em Suzano | G1
Motociclista morre em acidente com van no Jardim Revista, em Suzano | G1

O procedimento não termina quando a ambulância chega. Ficar no local até a chegada dos socorristas, dar depoimento objetivo e entregar o relatório ao condutor ou ao responsável legal é parte do processo. Mentir ou omitir informações no B.O. pode caracterizar falsa comunicação de crime e anular coberturas de seguro. Isso é fato, não conselho. Se você lida com frota de motos para entregas, implemente treinos periódicos de primeiros socorros. Custo baixo, retorno alto em situações reais. Equipes bem treinadas reduzem o tempo médio de atendimento pré-hospitalar em cerca de 40%, segundo dados do Sistema de Informações Hospitalares do SUS.