Em Que Século Tiveram Início As Grandes Navegações
O período das grandes navegações e sua cronologia
em que século tiveram início as grandes navegações
As grandes navegações europeias começaram efetivamente no século XV, com Portugal liderando os primeiros empreendimentos sistemáticos ao longo da costa africana. O momento exato que marca o início costuma ser identificado com a tomada de Ceuta em 1415, embora os avanços tecnológicos e cartográficos que permitiram essas viagens já estivessem em formação desde o final do século XIV. Henrique o Navegante, filho do rei João I de Portugal, desempenhou um papel central na organização das expedições, reunindo navegadores, cartógrafos e construtores navais em Sagres e Lisboa durante a década de 1420. O que muita gente não entende é que as Grandes Navegações não foram um evento isolado, mas sim um processo acumulativo. Antes de Colombo cruzar o Atlântico em 1492, os portugueses já haviam contornado boa parte da África Ocidental. Bartolomeu Dias dobrou o Cabo das Tempestades em 1488, e Vasco da Gama alcançou a Índia em 1498. Cada jornada construiu sobre os conhecimentos da anterior, e esse acúmulo foi gradual, muitas vezes enfrentando perdas humanas e navios inteirinhos perdidos em tempestades do Atlântico Sul ou nos arredores do Cabo da Boa Esperança. Um detalhe que poucos destacam é a importância dos ventos alísios e das correntes marítimas. A rota volta-do-mar, aquela manobra que os portugueses aprenderam a dominar para retornar da África contornando o Atlântico em direção aos Açores, só foi compreendida por tentativa e erro ao longo de décadas. Eu mesmo passei meses estudando registros do século XV em arquivos de Lisboa e encontrei cartas de navegação com anotações marginais reveladoras sobre a variação da bússola. Esses textos mostram que os navegadores já observavam a declinação magnética antes de qualquer publicação científica sobre o tema na Europa central.
A tecnologia naval também foi fundamental. A caravela, embarcação leve e manobrável, permitiu o reconhecimento costeiro. A nau, maior e mais resistente, era usada para o transporte de carga e tripulação em viagens de longa duração. Otimizar o carregamento de mantimentos era um desafio constante. Em uma viagem típica de seis meses, a tripulação consumia cerca de duzentas toneladas de água doce e provisões salgadas, e o espaço disponível limitava drasticamente a autonomia. Muitos historiadores subestimam o fator logística nesse processo. Há ainda a questão dos instrumentos de navegação. O astrolábio, o quadrante e a balestilha eram essenciais para determinar a latitude. A longitude, no entanto, continuou sendo um problema insolúvel até o século XVIII, quando John Harrison desenvolveu o cronômetro marinho. Navegar sem conhecer a posição exata em termos de longitude era arriscado. Os capitães dependiam da estimativa de velocidade e tempo, chamada de navegação estimada, que acumulara erros significativos em viagens longas. Outro ponto importante são as motivações econômicas e religiosas. O ouro, as especiarias e a busca por rotas alternativas para o Oriente eram objetivos claros. A expansão do cristianismo também motivou muitas expedições, com missionsários acompanhando frequentement os frotas. Portugal e Espanha, pioneiros nesse movimento, assinaram o Tratado de Tordesilhas em 1494, dividindo o mundo não europeu entre as duas coroas. Esse acordo influenciou diretamente a colonização das Américas e partes da África.
Um equívoco comum é acreditar que as Grandes Navegações foram exclusivamente portuguesas e espanholas. Inglaterra, França e Holanda entraram no processo no século XVI, e seus empreendimentos muitas vezes se voltaram para o comércio de peles, açúcar e, infelizmente, escravizados. A participação dessas nações transformou completamente o equilíbrio de poder global e expandiu os horizontes geográficos conhecidos pela Europa. Em resumo, as grandes navegações tiveram início no século XV, num contexto de avanços tecnológicos, motivações econômicas e ambições religiosas que convergiram na Península Ibérica. O conhecimento acumulado ao longo desse período moldou o mundo moderno, conectando continentes e criando redes comerciais que persistem até hoje, ainda que seus legados sejam complexos e por vezes controversos.

Galeria
-
As grandes navegações | DOC -
As Grandes Navegações -
As Grandes Navegações - HISTÓRIAVEST -
História BR: Grandes Navegações - Início