POTHIEDU Não Decore a Resposta. Entenda o Caminho

Em Seus Estudos Piaget Identificou Que Todos Passam

Em Seus Estudos Piaget Identificou Que Todos Passam

O que são as etapas do desenvolvimento cognitivo de Piaget

As pesquisas de Piaget mapearam quatro períodos fixos pela ordem, e esse foi um dos achados mais consistentes da psicologia do desenvolvimento. Ele mostrou que todas as crianças passam por essas mesmas etapas na mesma sequência, ainda que o tempo de permanência em cada uma varie bastante de caso para caso. A primeira é a etapa sensório-motora, que vai do nascimento até aproximadamente dois anos. Nesse período a criança não opera com representações mentais ainda. Ela aprende pelo corpo, pelo movimento e pela percepção direta. O marco principal dessa fase é o surgimento da permanência do objeto, geralmente por volta dos oito a doze meses, quando a criança passa a buscar ativamente um brinquedo que ela viu sendo escondido. Antes disso, se você esconde um objeto na frente de um bebê de cinco meses, ele simplesmente desiste. Para ele, desapareceu do universo. A segunda etapa é a pré-operatória, entre dois e sete anos. Aqui aparece o pensamento simbólico. A criança consegue usar uma banana como se fosse um telefone. A linguagem explode nessa fase também. Mas o raciocínio lógico ainda é muito limitado. Ela não consegue conservação de quantidade, por exemplo. Se você colocar a mesma quantidade de água em dois copos de formatos diferentes, uma criança nessa fase vai dizer que o copo mais alto tem mais água. O pensamento também é muito egocêntrico no sentido piagetiano, o que significa que ela tem dificuldade de se colocar no ponto de vista do outro de forma consistente.

A terceira é a operatório concreto, de sete a onze doze anos. É aqui que o raciocínio lógico finalmente aparece, mas apenas aplicado a situações concretas, materiais, reais. A criança passa a entender conservação, reversibilidade, classificação. Ela consegue resolver problemas lógicos se tiver algo físico para manipular. Já na quarta etapa, a operatório formal, a partir dos onze doze anos, o indivíduo ganha a capacidade de pensar em hipóteses abstratas, raciocinar sobre o que poderia ser, fazer deduções sem precisar de suporte concreto. Na prática, você percebe essas diferenças rapidamente se convive com crianças ou trabalha com educação. Eu já tive aluno de oitavo ano que ainda tinha dificuldade séria com problemas de proporção porque nunca havia dominado bem a etapa operatória concreta, algo que acontece mais do que parece. A transição entre etapas não é exatamente rígida. Existe uma zona de sobreposição onde certos esquemas já aparecem enquanto outros ainda estão se construindo. Um problema real que eu encontrei várias vezes é a aplicação mecânica dessas etapas em avaliações escolares. Professores costumam cobrar conteúdo de uma etapa antes da criança estar pronta cognitivamente, e aí o resultado é memorização vazia, não compreensão. A workaround que eu uso é ajustar completamente a linguagem e os materiais. Se o aluno ainda não opera concretamente, não adianta explicar álgebra de forma simbólica pura. Você precisa levar o material concreto para a sala. Blocos, barras, representações físicas. Eu costumava manter uma caixa de materiais manipuláveis na minha mesa justamente para esses casos.

Tem uma nuance que poucos destacam e que é importante: as etapas não são universais no sentido de que a cultura não influencia nada. Piaget mesmo reconheceu isso depois. O conteúdo das operações varia conforme o contexto cultural e educacional. Uma criança pode dominar certas formas de raciocínio mais cedo se for exposta a práticas sociais que as demandam. A sequência permanece, mas o ritmo não é fixo. Outro ponto que merece atenção é a crítica de que Piaget subestimou certas capacidades infantis. Pesquisas posteriores mostram que bebês já demonstramnoções de número e causalidade muito antes do que ele previa. Os estágios existem, mas as fronteiras entre eles são mais fluidas do que o modelo original sugeria. Se você está estudando isso para uma prova ou para aplicar na prática, o essencial é entender que cada etapa constrói sobre a anterior. Não adianta pular. Crianças que não consolidam bem a permanência do objeto tendem a ter mais dificuldade com representação simbólica depois. E aquelas que não dominam operações concretas vão travar bastante na abstração. A base importa.

Entre Brinquedos e Teorias: A Revolução Cognitiva de Piaget ...
Entre Brinquedos e Teorias: A Revolução Cognitiva de Piaget ...

Um recurso direto que eu recomendo é o livro "A Epistemologia Genética" de Piaget, que reúne os textos fundantes das ideias dele sobre como o conhecimento se constrói passo a passo. Tem edições da Zahar e da Bertrand Brasil. Também existe a coletânea "Seis Estudos de Psicologia" que é mais acessível e cobre bem as etapas de forma direta. O que eu observo na maioria das pessoas que tentam usar essa teoria na prática é que elas acabam rotulando crianças demais. "Ah, essa criança é pré-operatória então não entende lógica." Isso é reducionista. A criança pode estar operando concretamente em um domínio e ainda num nível pré-operatório em outro. O desenvolvimento não é homogêneo entre diferentes áreas do conhecimento. Sempre tenha isso em mente antes de fazer qualquer generalização.