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Emei Alfredo Da Rocha Viana Filho Pixinguinha

Emei Alfredo Da Rocha Viana Filho Pixinguinha

O verdadeiro caminho para entender Pixinguinha

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O nome completo do compositor é Alfredo da Rocha Viana Filho, conhecido artisticamente como Pixinguinha. O apelido veio da infância, quando ele brincava de assobiar e os vizinhos diziam que ele fazia o barulho de um "pixilinga", um cachorro pequeno. Ele nasceu no Rio de Janeiro, em 1987, e morreu em 1973, depois de construir uma carreira que mudou a forma como a música popular brasileira era entendida. A abordagem tradicional de estudo sobre Pixinguinha geralmente começa pelas partituras ou pelos discos mais famosos. Isso funciona até certo ponto, mas não captura o que realmente fazia a música dele funcionar. A questão é que Pixinguinha não escrevia apenas canções. Ele construía arranjos completos, pensava na instrumentação como parte da composição, e entendia de orquestração muito antes disso ser comum na musica popular carioca. Quando você ouve "Carinhoso" pela primeira vez, pode achar que é apenas uma melodia bonita tocada ao violão. Se for estudar, vai perceber que a linha de viola (que na verdade era originalmente tocada por Pixinguinha no bandolim) tem uma progressão harmônica sofisticada que se sustenta sozinha. A melodia principal é simples, quase infantil, mas a base harmônica carrega modulações que qualquer músico de jazz reconheceria como avançadas para a época.

O problema prático que mais vejo é quando alguém tenta tocar as músicas de Pixinguinha apenas seguindo partituras genéricas encontradas na internet. Muitas dessas partituras simplificam demais os arranjos originais. Os grupos de choro que Pixinguinha liderou, especialmente o Rio de 12, tinham uma organização instrumental específica que fazia diferença no resultado final. O bandolim não era apenas um instrumento de melodia. Ele tinha funções rítmicas e harmônicas dentro do grupo que não aparecem em partituras comuns. Uma situação específica que encontrei foi quando estava organizando um ensaio de um conjunto de choro tentando tocar "Lundu por Choro". A gravação original de 1931 mostra Pixinguinha no clarinote tocando passagens virtuosas que exigem domínio técnico avançado. Muitos músicos tentam reduzir a parte do clarinete para o violão ou flauta, mas o resultado perde a essência da conversa entre os instrumentos que Pixinguinha construiu. A solução foi estudar a gravação original com acompanhamento pausado, transcrevendo as passagens do clarinete nota por nota, e depois adaptar para o instrumento disponível mantendo as funções musicais originais. O que muita gente não entende sobre Pixinguinha é que ele foi fundamental na profissionalização do músico popular no Brasil. Ele lutou por direitos autorais quando poucos se importavam com isso. Foi um dos fundadores da União Brasileira de Compositores e defendeu que músicos de choro recebessem crédito e pagamento justos pelo trabalho. Isso não é um detalhe secundário. Explica por que suas composições têm uma estrutura tão bem elaborada. Ele pensava a música como trabalho, não como entretenimento improvisado.

As gravações mais importantes para estudo são as do grupo Radio Clube Paulista de 1936, especialmente o disco "Pixinguinha e seu Conjunto". A qualidade do som é limitada pela época, mas a precisão dos arranjos é notável. Cada instrumento tem uma função definida. O banjo faz a base rítmica. O piano complementa harmônias. O violão entra nos preenchimentos. O bandolim e o clarinete conversam em contraponto. Tentar tocar essas músicas sem entender essa distribuição sonora resulta em um som confuso que nada tem a ver com o choro autêntico. Outro ponto que passa despercebido é a relação de Pixinguinha com o samba. Ele começou no choro, mas gravou centenas de sambas e evoluiu o gênero constantemente. "No Rancho Fechado", gravado por Francisco Alves em 1931, é um samba que parece simples na superfície mas carrega uma estrutura rítmica complexa que influenciou gerações de compositores. A batida do tan-tan (um instrumento de percussão usado por Pixinguinha) criava um padrão que se tornou referência. A limitação prática do estudo das obras de Pixinguinha é que muitas partituras disponíveis comercialmente são adaptações posteriores, feitas por outros músicos décadas após as composições originais. Essas versões podem ter alterado progressões harmônicas ou simplificadas passagens difíceis. O ideal é sempre cross-reference com gravações da época ou com edições críticas de partituras que indiquem a fonte original. Existem algumas edições da Editora Nova Fronteira e da Lumiar que fazem esse trabalho de pesquisa documental, mas nem sempre estão disponíveis em todas as bibliotecas.

Alfredo da Rocha Viana Filho, conhecido como Pixinguinha - Rio de ...
Alfredo da Rocha Viana Filho, conhecido como Pixinguinha - Rio de ...

Se você quer realmente aprender a tocar ou estudar a música de Pixinguinha, o caminho mais direto é: ouça as gravações originais repetidamente. Aprenda a tocar as linhas de bandolim ou clarinete originais (mesmo que no instrumento que estiver disponível). Estude a harmonia das canções isoladamente, separando melodia, baixo e harmonia. Entenda o contexto histórico de cada composição. E reconhecça que algumas músicas podem não funcionar da mesma forma em diferentes formações instrumentais, então seja flexível nas adaptações. A herança de Pixinguinha não está apenas nas notas que ele escreveu. Está na ideia de que música popular brasileira pode ser sofisticada sem deixar de ser acessível, que arranjo é tão importante quanto melodia, e que o músico profissional tem direito a respeito e remuneração adequada. Isso é mais relevante hoje do que foi em 1950, quando muitos ainda viam o choro como música de bairro e não como expressão artística de nível nacional.