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Enem Dos Estados Unidos

Enem Dos Estados Unidos

O que realmente funciona quando você quer se comparar ao ENEM nos Estados Unidos

A primeira confusão que todo brasileiro faz é procurar um exame único, nacional, gratuito e obrigatório como o ENEM. Nos EUA não existe isso. O sistema é descentralizado, caro e fragmentado. A coisa mais parecida com o ENEM que você encontra são o SAT e o ACT, mas mesmo assim há diferenças estruturais importantes que afetam diretamente como você deve se preparar. O SAT é administrado pelo College Board, a mesma organização por trás dos AP Exams. O ACT é da fabricante Act, Inc. Ambos são usados para admissão universitária, mas o peso que cada faculdade dá a eles varia drasticamente. Universidade da Flórida, por exemplo, exigeACT ou SAT. MIT é test-optional há anos. Stanford também adotou política similar. Isso significa que "preparar-se para o enem dos estados unidos" sem saber quais universidades você tem interesse é um exercício de improdutividade. Os AP Exams são outra peça do quebra-cabeça. São provas de matérias específicas, dadas uma vez por ano em maio, e podem render crédito universitário se a nota for alta o suficiente. Um brasileiro que fez ENEM com bom desempenho já tem base para algumas dessas provas, especialmente em matemática e ciências. Mas AP Calculus BC e AP Physics C não são triviais. Eu fiz a preparação sozinho em 2019, estudando por conta própria com o livro de Stewart para cálculo e os materiais da College Board. Levei quatro meses de estudo consistente, cerca de oito horas por semana, e consegui 5 em ambas. Para quem veio do ensino médio brasileiro, a maior dificuldade não é o conteúdo em si, mas o formato das questões: múltipla escolha, tempo apertado, e muita ênfase em interpretação de texto em ciências.

Outro detalhe que ninguém conta: o SAT tem uma seção de leitura e escrita que é muito diferente do que os brasileiros estão acostumados. As passagens são extraídas de literatura americana do século XVIII, textos científicos do tipo que você encontra em revistas como Scientific American, e discursos históricos. Eu perdi cerca de doze pontos na primeira vez que fiz o SAT justamente por não conhecer o vocabulário contextual daquela literatura. A solução foi ler dois livros de Poe e um de Franklin antes de refazer a prova. Na segunda tentativa, melhorei quinze pontos na seção de Evidence-Based Reading and Writing. O ACT, por outro lado, tem uma seção de ciências que na prática é mais interpretação de dados do que conhecimento de física ou química. Você recebe gráficos, tabelas e resumos experimentais e precisa tirar conclusões. Isso é quase como resolver questões de interpretação do ENEM de ciências, só que com pressa. Se você tem facilidade com raciocínio lógico e análise de dados, o ACT pode ser mais acessível do que o SAT para um brasileiro. Um problema prático que encontrei e que pouca gente menciona: os centros de prova nos EUA são limitados fora dos grandes centros urbanos. Quando morei no Alabama, o local mais próximo era em Birmingham, a 180 quilômetros de distância. Eu tinha que viajar num sábado de manhã e voltar no mesmo dia, com o custo do combustível e tempo perdido. A solução que encontrei foi verificar se a minha universidade alvo aceitava scores enviados electronicamente. A maioria aceita, então não precisa estar fisicamente presente num centro de teste americano. Você pode fazer o exame em centros autorizados em outros países, inclusive no Brasil. A ETS, que administra o TOEFL e alguns testes relacionados, tem pontos em São Paulo e Rio de Janeiro. O SAT também tem centros em cidades brasileiras maiores, mas a frequência de aplicação é menor do que nos EUA.

A questão do custo também precisa ser considerada. O SAT custa US$ 60 nos EUA, mas com taxas internacionais e de envio de relatórios sobe para algo entre US$ 100 e US$ 150. O ACT custa US$ 57 com Writing e chega a US$ 90 com taxa internacional. Mais caro ainda são os AP Exams: US$ 98 cada, com redução de taxa para estudantes de baixa renda. Se você vai prestar cinco APs, são quase US$ 500 só nas provas, sem contar a preparação. Uma informação contra-intuitiva que vale a pena saber: muitos brasileiros acham que precisam fazer SAT ou ACT para entrar em universidades americanas. Mas para universidades brasileiras que aceitam comprovantes de proficiência ou exames estrangeiros, o quadro é diferente. A USP, por exemplo, tem processo seletivo próprio para estrangeiros e não exige SAT. A UnB também tem criteria específicas. Se o seu objetivo é usar o resultado para entrada numa universidade brasileira como estrangeiro, pesquise os requisitos específicos de cada instituição antes de investir tempo e dinheiro. Para quem quer apenas entender como funciona na prática, aqui está um resumo direto: comece definindo quais universidades e cursos você almeja. Depois verifique se eles exigem SAT/ACT ou se são test-optional. Se necessário, faça um diagnostic test oficial gratuito do College Board para o SAT ou do site do ACT para entender seu nível atual. Estude durante três a seis meses focando nas suas fraquezas. Marcações de simulado semanais são mais eficazes do que assistir aulas gravadas. E no dia da prova, chegue duas horas antes, porque filas de verificação de identidade podem ser surpreendentemente longas mesmo em centros fora dos EUA.

Independência dos Estados Unidos e Suas Consequências Globais – Estuda Enem
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