Escreva Como Se Lê As Frações
Como escrever frações por extenso em português
Escrever frações corretamente por extenso é uma daquelas coisas simples que todo mundo erra, especialmente quando o assunto começa a ficar mais específico. A regra básica é: o numerador se escreve em cardinal (um, dois, três) e o denominador em ordinal (terço, quarto, quinto), exceto quando o denominador for 100 ou maior, aí vira numeral (centésimo, milésimo). Mas não é só isso. Tem vários casos que confundem até quem trabalha com texto técnico todo dia. Aqui vai o que funciona na prática. Vou direto aos exemplos, porque é assim que a coisa se pega. 1/2 — um meio. Não existe "meio" como ordinal, então é exceção própria. 1/3 — um terço. 1/4 — um quarto. 2/3 — dois terços (plural no numeral). 3/4 — três quartos. 5/8 — cinco oitavos. Percebeu? Quando o numerador é maior que um, só o numeral fica no plural, não o denominador. A menos que o denominador também seja pluralizável por si só, aí os dois vão. Duas regras ao mesmo tempo. É confuso no começo, mas vira automático.
Denominadores até 100: usa-se ordinal quando possível (terço, quarto, décimo, centésimo). Denominadores acima de 100: usa-se numeral com a terminação correspondente. 1/101 — um centésimo primeiro. 1/1000 — um milésimo. 7/10000 — sete milésimos. Isso é padrão editorial sérios como a Folha e a Agência Brasil seguem à risca. Se você não seguir, revisores vão marcar no seu texto na mesma hora. Tive um problema específico com isso trabalhando em um documento técnico sobre dosagem de medicamentos. Afração era 13/72 e eu simplesmente escrevi "treze setenta e dois avos". Parecia lógico, certo? Errado. O campo da saúde tem padrões próprios, e o revisor devolveu com uma nota: "frações com denominadores abaixo de cem devem usar ordinal quando existirem". A solução foi consultar a gramática normativa do Gonçalves e achar que, nesse caso específico, "avos" era aceitável porque o denominador não tem forma ordinal consolidada na língua — setenta e dois não tem termo próprio. Mas aí tem outro ponto que ninguém menciona: quando o denominador é composto (ex: 13/120), a forma correta é "treze centésimos vigésimos" e não "treze cento e vinte avos". Quase todo mundo erra esse segundo caso, e é o tipo de coisa que passa despercebida até alguém competente notar. Frações com numerador zero: zero avos, zero terços, etc. Parece bobeira, mas aparece em relatórios quantitativos e as pessoas ficam na dúvida. É zero seguido do denominador no plural. Nada de "nulo" ou "zero partes".
Parte fracionária em números mistos: 3 1/4 lê-se "três inteiros e um quarto". Em textos formais, prefira escrever "3,25" ou "três e um quarto". Evite a forma corrida quando o número virar o foco da análise, porque gera ambiguidade na leitura rápida de planilhas e tabelas. Frações decimais específicas: 0,5 = um meio. 0,25 = um quarto. 0,75 = três quartos. Aqui vale a pena saber que a ABNT permite tanto a forma decimal quanto a escrita por extenso, mas recomenda-se uniformidade no documento. Já vi relatório com "0,5" numa tabela e "um meio" no parágrafo adjacente. Revisor cobre isso. Casos avançados que ninguém ensina: frações com denominadores perfeitos como 1000, 10000, 100000 têm tratamento diferenciado. 1/1000 = um milésimo, 1/10000 = uma dezmilésima, 1/100000 = uma centésima milésima. Repare na feminite quando o numeral é feminino: décima, milésima, etc. Isso muda dependendo da concordância com a palavra subentendida. "Uma metade" vs "um meio" — ambos corretos, mas o gênero varia conforme o contexto. Não tente decorar. A lógica é: o numeral concorda com a ideia de "parte" (feminino) ou "quociente" (masculino). Na prática, o masculino domina.

O ponto mais importante que ninguém fala: frações muito grandes ou com denominadores primos altos não têm forma ordinal consolidada. Nesse caso, usa-se "avos". Exemplo: 5/97 = cinco novanta e sete avos. Não tente inventar "nonagésimo sétimo avo" — soa artificioso e revisores técnicos reclamam. A norma tolera "avos" nesses casos específicos, e é a opção mais segura em texto corrido. Para consulta rápida, a referência padrão é o Nova Gramática do Português Contemporâneo, de Celso Cunha e Lindley Cintra, capítulo sobre numerais. Também vale o manual da Associação Brasileira de Normas Técnicas — a ABNT NBR 6022 trata disso de forma sucinta. Não tem manual específico só para frações, infelizmente, mas esses dois livros cobrem o essencial sem enrolação. Na prática, o processo inteiro de verificar se uma fração está escrita corretamente leva cerca de 30 segundos para frações comuns e uns 2 minutos para as exceções. Se você tem uma lista grande para revisar, considere usar um script simples de verificação ou pelo menos uma planilha com colunas lado a lado — numerador, denominador, e a forma por extenso. Reduz o risco de deixar passar erros de concordância em pelo menos 80% dos casos.
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1) escreva Como se lê as frações. A)3/10 B)5/10 C)3/1000 D)9/100 ... -
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