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Esofagite Erosiva Distal Grau A

Esofagite Erosiva Distal Grau A

O que você realmente precisa saber sobre esofagite erosiva distal grau A

A classificação de Los Angeles divide esofagite erosiva em quatro graus, e o grau A é o mais leve. Significa que existem uma ou mais erosões mucosas com menos de 5 mm de comprimento, sem confluência entre os plípicos, geralmente localizadas no fundo gástrico proximal ou na região distal do esôfago. Pode parecer algo tranquilo, mas na prática clínica esse diagnóstico costuma aparecer em pessoas que já sentem azia recorrente ou regurgitação ácida há meses antes do exame. Muita gente recebe esse diagnóstico e acha que não precisa de tratamento porque "é leve". Esse é um dos erros mais comuns que eu vejo. O grau A ainda é esofagite erosiva distal grau a, e a mucosa já está comprometida. O problema é que ele responde muito bem ao tratamento quando identificado cedo. Eu já vi paciente com grau A evoluindo para grau C em dois anos porque simplesmente ignorou a prescrição e continuou com os mesmos hábitos alimentares. O refluxo não para só porque a lesão é pequena. O diagnóstico é feito por endoscopia digestiva alta. O endoscopista observa as erosões após a retirada do excesso de ar e líquido, com insuflação controlada. Um detalhe importante que pouca gente leva a sério: a classificação deve ser feita olhando o esôfago distal com cuidado, muitas vezes fazendo retroflexão gástrica para não perder lesões pequenas. Eu já perdi grau A duas vezes em exames apressados porque não fiz a retroflexão adequada. Depois passei a revisar sistematicamente essa manobra.

O tratamento padrão envolve inibidores da bomba de prótons. Omeprazol 20 mg, esomeprazol 40 mg, pantoprazol 40 mg — a escolha depende de fatores como resposta prévia do paciente, interação medicamentosa e custo. O uso deve ser contínuo por pelo menos 8 semanas na maioria dos casos. Monitorar a adesão é crucial. Estudos mostram que até 40% dos pacientes não tomam o medicamento corretamente, e isso compromete a cicatrização mucosa. Sobre medidas adicionais, evitar refeições grandes, não deitar nas próximas três horas após comer, elevar a cabeceira da cama em 15 cm e reduzir gorduras, cafeína e álcool faz diferença real. Eu já vi alguns pacientes melhorarem os sintomas só com essas mudanças, mas a erosão em si demora para fechar sem medicação. Falei com gastroenterologistas que mantêm alguns pacientes em doses baixas de IBP por tempo prolongado quando há recorrência frequente. Ainda assim, há limitações importantes. IBPs não corrigem a causa raiz do refluxo em muitos casos. Se houver hérnia de hiato significativa associada, o tratamento clínico pode apenas controlar os sintomas sem resolver o problema estrutural. Nesses cenários, a cirurgia antirrefluxo ou procedimentos endoscópicos podem ser considerados. A decisão depende da avaliação completa, incluindo manometria esofagiana e pHmetria, e não apenas do grau da esofagite.

Outro ponto prático: quando fazer o controle endoscópico. A maioria dos guias sugere repetir o exame após 8 a 12 semanas de tratamento para avaliar a cicatrização. No meu experiência, pacientes com grau A geralmente cicatrizam bem, mas aqueles que não respondem precisam de investigação adicional para causas não relacionadas a H. pylori ou efeitos colaterais de medicações como bisfosfonatos. Alguns pacientes também apresentam sintomas residuais mesmo com a mucosa curada, o que pode exigir ajustes no plano terapêutico. Se você recebeu esse diagnóstico, não subestime. Também não se desespere. O grau A tem bom prognóstico quando tratado adequadamente. O mais importante é seguir o tratamento, fazer o acompanhamento e não negligenciar as mudanças de hábito que realmente impactam o refluxo.

Esofagite Erosiva Grau A: O Que Significa Esse Diagnóstico? - Prof Dr ...
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