Estrutura Feminina Da Flor
Entendendo a estrutura feminina da flor
A parte feminina de uma flor se chama pistilo ou carpelo, e ele é formado por três partes principais: o estigma, o estilo e o ovário. O estigma fica na ponta, colhendo o pólen. O estilo é um canal que liga o estigma ao ovário. O ovário, na base, contém os óvulos que, após a fecundação, viram sementes. Parece simples na teoria, mas na prática tem muita coisa que vai dar errado se você não souber o que está fazendo. Quando eu comecei a trabalhar com anatomia floral em laboratório, minha primeira dificuldade não era reconhecer as peças. Era conseguir fazer secções transversais que realmente mostrassem o que eu precisava ver. A questão é que o tecido do ovário varia muito entre famílias. Em rosáceas, por exemplo, o ovário é súpero e a parede é relativamente firme. Em orquídeas, o gineceu é syncárpico com placentação complexa e o corte sai melhor quando você trabalha com material fresco, nunca fixado, porque o fixador destrói a arquitetura dos fascículos vasculares antes que você consiga posicioná-los corretamente. O segredo que ninguém conta no livro didático é o momento do corte. Se o material jáStarted a desidratar, o estigma racha e o estilo comprime, o que te dá uma leitura errada da espessura real. Eu resolvi isso travando o material em gelatina de barbuda a frio, cortando com lâmina de barbear substituível em vez de micrótomo, e anotando a hora exata da coleta. Diferença de três horas entre coleta e corte pode alterar completamente a percepção de espessura do estilo e quantidade de estigmas viáveis.
Aspectos práticos que o material didático ignora
O primeiro problema real é a heterostilia. Em plantas como Primula e Rubiaceae, existem morfôs com estilos longos e estames curtos, e outros com estilos curtos e estames longos. Se você coletar flores sem registrar o morfótipo, seus dados de fertilização serão completamente enviesados. Eu perdi duas semanas analisando cruzamentos em uma população de Rubia tinctorum porque assumi que todas as flores eram isomórficas. A correção foi separar os morfôs antes de qualquer procedimento. O segundo ponto é a autocompatibilidade versus incompatibilidade esporofítica. Muitas espécies parecem autocompatíveis quando você observa apenas a germinação do pólen no estigma, mas o bloqueio real ocorre no estilo. Em Brassicaceae, o mecanismo de reconnaissance proteína-recetora é rápido e efetivo, e o pólen de uma flor da mesma planta frequentemente germina no estigma mas para de crescer no terço inicial do estilo. Para testar isso de forma prática, você precisa fazer microscopia em tempo real do tubo polínico, não apenas contar grãos de pólen aderidos. A fixação é outro campo minado. A solução de FAA (álcool, acético, formaldeído) é padrão, mas em amostras com ovário multicarpelar sincárpico como as de Solanaceae, ela causa colapso das câmaras ováricas se deixar mais de 24 horas. A dica prática é fixar por seis a oito horas e transferir para etanol 70%, onde a amostra se estabiliza por semanas sem deformação significativa das placentas.
Procedimento passo a passo para preparo de espécimes
Comece colhendo flores em início de antese, quando o estigma está exposto mas ainda brilhante e úmido. Flores completamente abertas muitas vezes já receberam pólen ambiental, o que contamina seus resultados se estiver haciendo cruzamentos controlados. Remova as tépalas com pinça de ponta fina, expondo o pistilo sem danificar o estigma. Para dissecção, use uma faca de bisnageta em vez de bisturi padrão, porque a pressão controlada evita esmagar o estilete em flores tenras. Para coloração, o acetocarmim 2% funciona bem para visualizar núcleos em ovules jovens, mas requer aquecimento suave da lâmina. O verde de meta ou safranina-O são alternativas mais seguras para cortes seriados. O problema é que corantes diferentes destacam tecidos diferentes, então se seu objetivo é medir a espessura do estilo, use safranina porque cora fortemente a lignina dos feixes condutores, enquanto o verde de meta deixa essa região quase invisível. Eu levei dois meses percebendo essa discrepância porque meus colegas de laboratório usavam corações diferentes sem documentar. Montagem em glicerina-gelatina funciona para observação temporária, mas para armazenamento permanente use resina sintética como Euparal, que não amarela com o tempo. Specimens montados em água ou glicerina pura tendem a cristalizar após dois a três anos, estragando cortes que levaram semanas para preparar.

Onde o método falha e o que fazer
A principal limitação é que a estrutura feminina varia dentro da mesma inflorescência. Flores terminais frequentemente têm estilos mais curtos e ovários menos desenvolvidos do que flores laterais, mesmo na mesma planta. Se você está fazendo estudo anatômico quantitativo, precisa amostrar todos os níveis da inflorescência, não apenas as flores centrais, que são mais acessíveis mas menos representativas. Outro ponto onde a técnica tradicional engana é na contagem de óvulos por logiera ovárica. Em Rosaceae, a separação dos carpelos acontece naturalmente após a maturidade, mas em estádios imaturos os carpelos estão fundidos e a contagem visual é impossível sem cortes seriados. Um ovário que parece unilocular em dissecação superficial pode ter até cinco lóculos quando cortado seriamente. Minha recomendação prática é fazer pelo menos dez cortes seriados transversais espaçados de 15 micrômetros para estimar o número real de lóculos sem gastar tempo com uma série completa de duzentos cortes. Se você trabalha com espécies onde o estigma é seco e não viscoso, como em muitas Poaceae e Asteraceae, o método tradicional de espalhar pólen sobre o estigma com pinça não funciona. Nesse caso, o pólen precisa ser aplicado com pincel macio ou por agitação direta, porque a superfície estigmática é hidrofóbica e o grão simplesmente escorrega. Isso parece óbvio, mas é a razão pela qual muitos protocolos de hibridização artificial falham em gramíneas.
Galeria
-
Estrutura da flor -
CIENCIAS SANTO TOMÁS: PARTES DA FLOR -
Diagrama De Estrutura De Flor -
BioGeo: Estrutura de uma flor