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Excreção Dos Repteis

Excreção Dos Repteis

Como funciona a excreção nos répteis

A maioria das pessoas imagina que répteis urina como um gato ou um cachorro. Na prática, não é bem assim. A excreção dos répteis funciona de maneira bem diferente dos mamíferos, e entender isso é o que separa quem cuida bem desses animais de quem só copia o que lê na internet. Os répteis são principalmente uricotélicos. Isso significa que o principal resíduo nitrogenado que eliminam é o ácido úrico, e não a ureia. O ácido úrico é muito menos tóxico e precisa de muito menos água para ser excretado. Essa é a razão evolutiva por trás de tudo: répteis evoluíram em ambientes onde água potável era escassa, então o corpo deles foi ajustado para reter o máximo possível. O produto final dessa excreção é aquela substância branca e pastosa que você vê misturada às fezes. É o urato. Ele é produzido no fígado, transportado pelo sangue até os rins, e depois lançado no trato excretor. Não existe bexiga urinária funcional na grande maioria dos répteis — pelo menos não do jeito que um mamífero tem. O que existe é a cloaca, uma câmara comum onde convergem os sistemas digestivo, urinário e reprodutivo. Tudo sai pelo mesmo buraco.

excreção dos repteis: o que acontece de verdade

Aqui é onde a coisa fica interessante, porque o que a literatura básica ensina sobre o assunto é incompleto. O rim dos répteis tem uma estrutura chamada néfrons, mas eles não funcionam como os néfrons dos mamíferos. Não há alça de Henle desenvolvida na maioria das espécies, o que significa que a capacidade de concentrar urina é limitada. O trabalho pesado de concentrar o resíduo nitrogenado e recuperar água é feito em grande parte no cólon e na bexiga cloacal (quando presente, como em alguns quelônios e crocodilianos). Isso tem uma implicação prática que poucos criadores levam a sério: a hidratação é o fator mais importante para a saúde renal em répteis. Quando um lagarto ou uma cobrinha não bebe água suficiente, o ácido úrico começa a cristalizar. Você já viu coisa branca granulada grudada nas patas ou na boca de um beldroezinho? Isso é gota articular ou visceral, e é literalmente ácido úrico se depositando nos tecidos porque os rins não conseguiram excretar adequadamente. Eu tive um caso com um dragão-barbudo que parou de comer e passou a eliminar fezes quase secas, com uma quantidade desproporcional de urato branco e duro. O veterinário falou em insuficiência renal. Eu revisei a história clínica e percebi que o animal só bebia água quando eu pingava gotas na boca dele — ele nunca procurava o bebedouro sozinho. O problema não era apenas renal, era sistêmico por desidratação crônica. Coloquei um bebedouro raso na área de aquecimento, comecei a fazer banhos de imersão morna três vezes por semana e a hidratação oral foi gradualmente melhorando. Em seis semanas, a consistência do urato voltou ao normal. A função renal melhorou junto, mas o caminho reverse começou pela água, não por remédio.

Outro ponto que as pessoas não entendem: a cor do urato não é sempre branca pura. Camaleões, por exemplo, têm glândulas de sal nasais além dos rins. Eles excretam sais em excesso pela narina, e às vezes você vê aquele residuo esbranquiçado saindo pelo nariz. Isso é perfeitamente normal nesse grupo. Se você tratar um camaleão como se fosse um lagarto comum, vai acabar diagnosticando problemas que não existem.

Como entender a anatomia e fisiologia dos répteis? | Cursos a Distância CPT
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Colecionando amostras para análise

Se você precisa levar um réptil ao veterinário para avaliar a função renal ou a presença de parasitas, coletar uma amostra de excreta não é tão simples quanto colocar um prato debaixo de um hamster. A maioria dos répteis não faz xixi numlocal conveniente. Eles eliminam fezes e uratos de forma combinada, na cloaca, e muitas vezes em horários aleatórios. O método mais prático que eu uso é a lavagem cloacal. Com o animal sob contenção adequada, usando uma seringa de 5 ml com soro fisiológico morno (por volta de 30°C, nunca frio), você aplica gentilmente 1 a 2 ml na entrada da cloaca e aspira de volta. O líquido retorna com resíduos urinários e fecais que podem ser enviados para análise. Funciona bem para citologia, culture de bactérias e detecção de ovos de parasitas. O problema é que a amostra pode ficar contaminada com flora fecal, então para cultura bacteriana o ideal é usar técnicas de aspiração mais profunda, mas isso exige experiência. Para químicos sanguíneos relacionados à excreção, o mais útil é o hemograma e o perfil bioquímico, especificamente os níveis de ácido úrico, creatinina e BUN (nitrogênio ureico no sangue). Em répteis, o ácido úrico sérico normal varia bastante por espécie. Para lagartixas e dragões-barbudos, algo entre 5 e 15 mg/dL é considerado dentro da referência. Acima de 20 mg/dL já é sinal de alerta. Acima de 30 mg/dL, problemas renais sérios estão praticamente confirmados.

Problemas comuns e o que fazer

Gotas: como eu mencionei, é o acúmulo de cristais de urato nos tecidos. Pode ser articular (nas articulações, parecendo nódulos brancos sob a pele) ou visceral (nos órgãos internos). O tratamento envolve reidratação agressiva, correção da dieta e, em casos crônicos, os danos são irreversíveis. Prevenção é tudo: água disponível, umidade adequada ao species-specific e dieta com teor de proteína não excessivo. Nefrite infecciosa: bactérias como Salmonella podem causar inflamação renal. O animal fica letárgico, perde apetite e o urato pode mudar de cor, ficando amarelado ou esverdeado. O diagnóstico é por cultura de excreta ou biópsia renal. O tratamento exige antibióticos específicos, e a escolha do fármaco deve considerar a função renal prévia do animal. Impacting cloacal: às vezes, tecido de nidificação, substrato ou até mesmo prolapse de órgão reprodutivo pode obstruir a cloaca. O animal faz esforço para eliminar mas não consegue. Isso é emergência. Se você notar que um réptil está na postura de defecação há mais de dez minutos sem resultado, não espere. Leve a um veterinário.

Prolapse cloacal: mais comum em fêmeas pondo ovos, mas também pode acontecer por diarreia crônica ou esforço excessivo. O tecido proeminido precisa ser limpo com soro, mantido úmido, e se for pequeno, pode ser reduzido manualmente com pressão suave. Se não reduzir, cirugia é necessária.

a tricolina biologa: Classe dos Répteis = rastejante = reptare
a tricolina biologa: Classe dos Répteis = rastejante = reptare

O que não fazer

Não use substratos solúveis em água como areia de praia ou terra de jardim. Partículas ingeridas durante a catade comida ou lambida de pele podem causar impactação intestinal e obstrução renal. Para espécies terrestres, o papel de cozinha ou telas plásticas são opções seguras enquanto você não define um substrato permanente adequado. Não supereimente a proteína na dieta de lagartos carnívoros de pequeno porte. Insetos muito grandes ou frequentes em alimentações de grilos superestimulados podem sobrecarregar os rins. O protocolo correto é variar a oferta e suplementar com cálcio na proporção certa — o excesso de fósforo em relação ao cálcio também prejudica a função renal a longo prazo. E o mais importante: não ignore mudanças na cor, consistência ou frequência da eliminação. Um réptil que para de defecar por mais de duas semanas (em temperatura ambiente adequada) ou que passa a eliminar urato líquido em vez de pastoso está mandando um sinal. E esse sinal não melhora sozinho.