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Exemplo De Carta De Intenção

Exemplo De Carta De Intenção

O que é uma carta de intenção e quando ela realmente importa

A carta de intenção, ou LOI do inglês, é um documento que declara o interesse de uma parte em fechar um negócio, mas na maior parte das vezes não é vinculante. Isso significa que você pode se arrepender depois sem sofrer consequências legais, exceto nas cláusulas que forem explicitamente marcadas como obrigatórias, como confidencialidade e exclusividade. A confusão começa exatamente aqui: muita gente acha que assinar uma carta de intenção é o mesmo que assinar um contrato, e isso gera problema todo dia. No mercado, ela serve para duas coisas. Primeiro, estabelecer os termos base antes de gastar dinheiro com due diligence. Segundo, dar legitimidade para abrir a caixa preta dos dados do fornecedor ou da empresa-alvo. Sem uma carta assinada, nenhum contador vai te deixar ver o balanço patrimonial de verdade.

Exemplo de carta de intenção para compra de participação societária

Vejo esse formato sendo usado principalmente em aquisições de pequenas e médias empresas no Brasil. A estrutura é simples, mas os detalhes que as pessoas costumam pular são os que salvam o negócio depois.

CARTA DE INTENÇÃO Entre: [NOME DA COMPRADORA], pessoa jurídica de direito privado, inscrita no CNPJ sob o nº [número], com sede em [endereço], doravante denominada "COMPRADORA".

E: [NOME DO VENDEDOR], [CPF/CNPJ], doravante denominado "VENDEDOR". 1. OBJETO

A COMPRADORA declara seu interesse em adquirir [X]% do capital social da empresa [NOME DA ALVO], inscrita no CNPJ nº [número], pelo preço estimado de R$ [valor]. 2. CONDIÇÕES PRELIMINARES

Carta De Intenção Exemplos - NAZAEDU
Carta De Intenção Exemplos - NAZAEDU
  • Due diligence contábil, jurídica e fiscal;
  • Aprovação dos sócios da empresa-alvo;
  • Não existência de passivos não revelados.

3. CLÁUSULAS VINCULANTES Apenas as cláusulas de confidencialidade (art. 4º) e de exclusividade (art. 5º) serão vinculantes. 4. CONFIDENCIALIDADE

As partes comprometem-se a manter sigilo sobre todas as informações trocadas durante o processo, pelo prazo de 24 meses a contar da data de assinatura. 5. EXCLUSIVIDADE O VENDEDOR se compromete a não negociar com terceiros pelo prazo de 60 dias, sob pena de indenização por perdas e danos.

6. VALIDADE Esta carta vence em 90 dias, salvo prorrogação por escrito. 7. FORO

Carta de intenção pronta: como fazer, modelos e exemplos
Carta de intenção pronta: como fazer, modelos e exemplos

Os eventos relativos a esta carta serão resolvidos no foro da comarca de [cidade], com renúncia expressa a qualquer outro, por mais privilegiado que seja. Local, data. Assinaturas.

O que ninguém te conta sobre carta de intenção

O erro mais frequente que eu vejo é tratar a LOI como um rascunho bonito. Na prática, ela define o escopo da due diligence inteira. Se você colocar condições preliminares genéricas demais — tipo "sujeito a aprovação" sem especificar o quê — o vendedor pode usar isso depois para questionar se houve ou não interesse real. Já vi caso em que o comprador tentou sair do negócio alegando vício oculto, mas o tribunal entendeu que a carta estava mal redigida e interpretou como desistência injustificada. A cláusula de exclusividade é onde mora o perigo real. Em uma negociação de tamanho médio, 60 a 90 dias de exclusividade é o padrão. Porém, se você está num segmento com muitos compradores em potencial, pede 120 dias. É melhor ser específico na data de vencimento do que deixar aberto, porque aberto vira discussão de interpretação depois. Outro ponto que as pessoas subestimam: a diferença entre "preço estimado" e "preço firme". Se o objetivo é travar o valor, coloque um range ou um valor fixo com cláusula de ajustes por working capital. Se deixar só o estimado, o vendedor pode apresentar a due diligence e já partir para uma contraoferta alta, usando o argumento de que encontrou passivos. O workaround que eu uso é incluir um parágrafo dizendo que eventuais ajustes serão calculados com base em indicadores objetivos pré-definidos, como dívida líquida ajustada e capex não realizado. O único cenário em que uma carta de intenção é realmente problemática é quando ela mistura termos vinculantes e não vinculantes de forma ambígua. O artigo 46 do Código Civil brasileiro trata de promessas contratuais, e se o juiz entender que havia intenção série de contratar, pode transformar a LOI num contrato de promessa de compra e venda, com todas as consequências. Por isso a separação clara entre cláusulas vinculantes e não vinculantes não é formalismo — é proteção. Se o valor da operação for baixo, abaixo de 100 mil reais, uma carta de intenção muitas vezes é excesso. Um-termo sheet assinado com os pontos principais e uma cláusula de confidencialidade separada resolve o mesmo problema com menos burocracia. A LOI vale a pena quando o processo de due diligence custa mais do que o próprio documento, o que geralmente acontece a partir de 300 mil reais de valuation.