Exemplo De Frase Com Pronome
Como usar pronomes em frases sem errar
Pronomes são uma das coisas que mais confundem quem escreve em português, especialmente na hora de montar uma frase naturalmente. Não é só escolher um pronome qualquer e colocar no lugar do substantivo. Tem a questão da colocação pronominal, a concordância de gênero e número, e os pronomes oblíquos que exigem cuidado especial. Vou mostrar como fazer isso sem dor de cabeça. A primeira coisa que você precisa entender é que o pronome não existe isoladamente. Ele só faz sentido quando está dentro de um contexto claro. Por exemplo, se eu disser "Ele chegou atrasado", a frase soa estranha porque não sei de quem estou falando. O pronome pessoal "ele" exige que o referente já tenha sido mencionado antes ou que seja evidente pelo contexto.
Exemplo de frase com pronome
Vou dar alguns exemplos práticos para você ver a diferença entre uma frase bem construída e uma que soa ruim. Um exemplo de frase com pronome correto seria: "Maria comprou o livro, mas ainda não o leu." Aqui o pronome "o" substitui "o livro" e está posicionado corretamente antes do verbo, seguindo a norma culta. Já uma versão problemática seria: "Maria comprou o livro, mas ainda não leu-o." O uso do hífen após o verbo é aceitável em certos contextos, mas soa artificial na linguagem cotidiana. Outro exemplo bom é: "Eu disse a ela que o problema era sério." O pronome "a ela" é claro e evita ambiguidade. Compare com: "Eu disse-lhe que o problema era sério." A forma com pronome oblíquo ("lhe") é gramaticalmente correta, mas em muitos contextos informais soa distante e pouco natural. Quando se trata de pronomes relativos, a coisa fica mais complicada. Um exemplo de frase com pronome relativo adequado seria: "O relatório que você enviou estava incompleto." O "que" refere-se a "o relatório" e conecta as duas orações semântica e gramaticalmente. Já uma frase como "O relatório, que você enviou, estava incompleto," muda completamente o sentido — passa a ser uma oração subordinada adjetiva restritiva para uma explicativa, o que altera a informação principal da frase.
Posição dos pronomes oblíquos
A colocação pronominal é o ponto onde a maioria das pessoas erra. Em português, os pronomes oblíquos átonos (me, te, se, o, a, lhe, nos, vos, os, as, lhes) podem vir antes do verbo (próclise), depois do verbo (ênclise) ou entre o verbo e seu sufixo (mesóclise, raro). A regra geral na norma padrão é: ênclise em orações iniciadas por verbo no modo imperativo, infinitivo impessoal, gerúndio e futuro. Próclise quando há palavras atrativas como advérbios, conjunções subordinativas, pronomes relativos, negativas e palavras que criam contexto de atração. Um exemplo específico que enfrentei na prática envolveu a correção de um contrato jurídico. O texto continha a frase "Não se deve ignorar o prazo estabelecido." O problema era que o redator tentava forçar uma estrutura mais formal usando a mesóclise de forma inadequada, gerando construções como "Ignorar-se-á o prazo," que soava completamente antinatural e poderia ser contestada juridicamente. A solução foi simplesmente manter a próclise com a negação, que é a forma mais segura e amplamente aceita: "Não se ignorará o prazo" ou, preferencialmente, reestruturar para evitar o pronome oblíquo altogether, dizendo "O prazo estabelecido não será ignorado." Essa última opção eliminou completamente a ambiguidade e soou muito mais profissional.
Outro erro comum é confundir os pronomes "lhe" e "o/a". "Lhe" é pronome de dativo (indireto), enquanto "o/a" é de acusativo (direto). Frases como "Eu lhe vi no parque" estão incorretas na norma padrão — o correto seria "Eu o vi no parque" se o referente for masculino, pois o verbo "ver" pede objeto direto.
Pronomes de tratamento e concordância
Pronomes de tratamento como "você," "o senhor," "a senhora," "mercê" e demais formas exigem verbos na terceira pessoa do singular, mas o tratamento pode variar conforme o nível de formalidade. Um exemplo de frase com pronome de tratamento correto seria: "A senhora pode me ajudar com este documento?" O verbo "pode" está na terceira pessoa, concordando com "a senhora," mesmo que o pronome em si esteja na segunda pessoa do tratamento coloquial. O uso de "você" vs. "tu" varia muito conforme a região. No sudeste brasileiro, "você" domina o registro informal, enquanto no sul e em partes de Portugal, "tu" permanece vivo. Ambas as formas exigem concordância verbal diferente: "tu vais" versus "você vai." Um erro frequente em textos formais é misturar as duas formas na mesma frase, o que soa como falta de domínio da norma.
Pronomes reflexivos e recíprocos
Pronomes reflexivos como "se," "consigo," "si" indicam que a ação recai sobre o próprio sujeito. Um exemplo de frase com pronome reflexivo seria: "Ela se olhou no espelho e sorriu." Já os recíprocos indicam ação mútua entre dois ou mais sujeitos: "Eles se cumprimentaram ao entrar na sala." O pronome "se" funciona nos dois casos, então o contexto é fundamental para a interpretação correta. Um problema frequente que vejo em revisões é a confusão entre "consigo" e "com ele/ela." "Consigo" só pode ser usado quando o sujeito e o objeto são a mesma pessoa. Frases como "O diretor pediu para o secretário conversar consigo" estão erradas, porque "o diretor" e "consigo" não se referem à mesma pessoa. O correto seria "O diretor pediu para o secretário conversar com ele."

Erros comuns que prejudicam a clareza
Alguns erros com pronomes podem destruir completamente a clareza de um texto. A ambiguidede pronominal é um deles. Quando um pronome pode se referir a mais de um antecedente, o leitor fica perdido. Por exemplo: "João encontrou Pedro na rua e ele ficou feliz." Quem ficou feliz? João ou Pedro? O pronome "ele" não deixa claro. A solução é substituir por um nome ou reformular: "João encontrou Pedro na rua e ficou feliz com o reencontro." Outro erro clássico é o uso do pronome "que" como substituto de "o que." Em registros formais, "que" sozinho não funciona como pronome relativo neutro. "Não entendi que você disse" está incorreto. O correto é "Não entendi o que você disse" ou "Não entendi que foi o que você disse," embora a segunda opção seja redundante. A omissão do pronome também pode causar problemas. Em frases como "Disseram que o relatório está pronto," o sujeito "disseram" é indeterminado e isso é aceitável. Mas em contextos mais formais, essa indeterminação pode soar vaga. Uma alternativa mais precisa seria especificar o sujeito: "A equipe informou que o relatório está pronto."
Dicas práticas para melhorar o uso de pronomes
Uma técnica simples que funciona é ler o texto em voz alta. Quando você fala a frase, erros de colocação pronominal e concordância saltam aos ouvidos muito mais rápido do que quando se lê em silêncio. Outra prática útil é revisar os pronomes separadamente: durante uma revisão, passe o texto inteiro identificando apenas os pronomes e perguntando para cada um deles se o referente está claro, se a concordância está correta e se a posição está adequada. Para textos formais, o manual de redação da presidência da república e os guias de redação de grandes veículos de imprensa oferecem padrões seguros. Para uso corporativo, o dicionário Houaiss e o Vocabulário Ortográfico da Língua Portuguesa (VOLP) da Academia Brasileira de Letras são referências confiáveis. No fim das contas, o uso correto de pronomes não exige genialidade. Exige atenção aos detalhes e prática. As regras existem para garantir clareza, não para criar obstáculos. Quando você domina o básico e pratica com regularidade, o uso de pronomes deixa de ser um problema e vira algo automático.
Galeria
-
Tipos de pronomes -
15 ideias de Pronomes | pronomes, português gramática, português concurso -
Imagens De Pronomes Maria Chiara Roscini's Public Page | TopWorksheets