Exemplos De Substantivo Comum De Dois Gêneros
Substantivos comuns de dois gêneros: a realidade que ninguém conta
O gênero dos substantivos em português é um daqueles assuntos que todo mundo acha que domina até dar de cara com um caso que não segue a regra. Os chamados substantivos comuns de dois gêneros — aqueles em que o artigo define o sexo, e não a palavra em si — geram muita confusão na prática. Achei que eu sabia o básico depois do ensino fundamental, até precisar escrever um texto formal e travar diante de termos como a ou o cliente, dependendo do contexto. O mecanismo é simples na teoria: o artigo ou um adjetivo determina se o substantivo é masculino ou feminino. Na vida real, a coisa fica mais torto. Vou direto ao que funciona. Você pega o substantivo e vê o artigo antes. Se está antes de o, é masculino. Se está antes de a, é feminino. O substantivo em si não muda. Apenas a concordância acompanha o artigo. Aqui estão os casos mais frequentes que aparecem no dia a dia:
a/o agente — tanto faz. Usa-se o agente para homem e a agente para mulher. Essa dupla é muito comum em textos jornalísticos e em documentos formais. O verbo permanece no masculino por padrão na maioria das construções, mas isso varia conforme a norma culta adotada pela instituição. a/o cliente — outro exemplo clássico. Em atendimento, você ouve bom dia, cliente sem articular o gênero porque o contexto resolve. Na escrita formal, entretanto, é importante marcar: o cliente chegou versus a cliente chegou. O particípio concorda com o sujeito, claro. a/o cônjuge — esse causa dor de cabeça porque a linguagem evoluiu. Antigamente, usava-se predominantemente no masculino. Hoje, em veículos progressistas, vê-se a cônjuge cada vez mais. A norma culta aceita as duas formas, mas o uso consagrou ainda o masculino como neutro em muitos contextos jurídicos.
a/o guia — bastante usual em turismo. O guia leva o grupo. A guia também leva o grupo, só que é mulher. Não há ambiguidade se você marcar o artigo corretamente. a/o dentista, a/o mecânico/a (nesse último, há variação morfológica adicional, o que complica), a/o estudante, a/o artista, a/o tocador. A lista segue. O que muita gente não leva em conta é que nem todo substantivo que admite dois artigos é realmente um comum de dois gêneros. Há casos de substantivos sobrecomuns, onde o gênero nunca se marca pelo artigo, mas sim por outros mecanismos — como a criança vs. o criança (este último, coloquial). Confundir as categorias gera erro de análise.

Outro ponto que desconsideram: alguns substantivos têm flexão de gênero própria. O ator / a atriz não é comum de dois gêneros; é um par morfológico. A diferença é sutil, mas importante. No comum de dois gêneros, a palavra não muda. No par morfológico, muda a terminação. Na minha experiência revisando textos, o problema mais chato que encontrei foi com a/o cabeleireiro(a). O autor escreveu a cabeleireira em um parágrafo e o cabeleireiro no seguinte, referindo-se à mesma pessoa. O leitor ficou perdido. A solução foi padronizar: escolhi uma forma e mantive a concordância ao longo do texto. Funcionou sem atrito. Outra situação: em editais e concursos, a banca cobra a concordância do adjetivo com o substantivo de dois gêneros. A boa cliente vs. o bom cliente. O adjetivo acompanha o gênero marcado pelo artigo. Isso é regra de ouro, mas muita gente erra porque se apega à intuição em vez da análise sintática.
Um insight contra-intuitivo: o gênero neutro, quando existe, tende a ser marcado pelo masculino na concordância verbal em construções mais formais. Não é uma lei absoluta, mas é a tendência. Em registros informais, essa markação se dissolve, o que pode gerar ambiguidade. Outro detalhe: alguns dicionários ainda listam certas palavras como de ambos os gêneros, mas o uso consagrou uma forma. O a/o coordenador é um caso. Na prática, predomina o masculino, mas a coordenadora é cada vez mais frequente em cargos de liderança femininos. A norma culta não pune nenhuma das formas. Se você está estudando para um concurso ou precisa escrever um texto formal, a dica é: analise o artigo, marque o gênero, faça a concordância em cadeia. Verbo, adjetivo, pronome — tudo acompanha. Não deixe nada solto. Isso evita o erro mais comum: concordância truncada.
O problema é que, em linguagem coloquial, essa rigidez se flexibiliza. Ela é um ótimo profissional — aqui, um é artigo indeterminado, não marcador de gênero do substantivo. A frase está correta, mas a análise morfológica exige cuidado. O substantivo profissional é comum de dois gêneros; o artigo um não resolve o gênero. Resumindo (sem resumir): o gênero dos substantivos comuns de dois gêneros se resolve pelo artigo. O substantivo não muda. A concordância acompanha. Na dúvida, verifique o contexto e marque claramente. Isso economiza retrabalho e evita mal-entendidos.

Galeria
-
gênero dos substantivo comum de dois gêneros - Pesquisa Google ... -
Exemplos de Substantivos Comuns de Dois Gêneros | PDF | Ciências ... -
Gêneros DOS Substantivos - GÊNEROS DOS SUBSTANTIVOS a) Comum-de-dois o ...