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Exercício Sobre Concordância Nominal

Exercício Sobre Concordância Nominal

O que você realmente precisa saber sobre concordância nominal

A maior parte das pessoas estuda concordância nominal de forma errada. Ela não é um conjunto de regras isoladas para decorar, mas sim uma lógica de regência que conecta o adjetivo ao substantivo, pronome ou numeral que o modifica. O exercício sobre concordância nominal mais eficiente não é aquele com cinquenta questões de múltipla escolha, mas sim aquele que força você a identificar o núcleo do sintagma antes de decidir a flexão. Quando eu estava revisando redações para o Enem nos anos 2015 e 2016, notei um padrão recorrente: os candidatos erravam sistematicamente em construções como "ela é necessário" ou "siguimos necessárias". Um deles escreveu "Estamos alunas e aluno presentes" em uma redação. A correção depende de um passo simples que quase ninguém ensina direito: quando houver dois ou mais núcleos coordenados, o adjetivo vai para o plural, e se os núcleos forem de gêneros diferentes, o masculino predomina. Então a forma correta seria "Estamos alunas e alunos presentes" ou, se o adjetivo anteceder os núcleos, "Presentes estamos alunas e alunos". Mas aí cai uma pegadinha que poucos conhecem. Se o adjetivo estiver antes dos núcleos coordenados e estes forem de gêneros diferentes, a concordância pode ser feita no masculino plural ("presentes são as alunas e o aluno") ou, em registros mais formais, aproximando-se do núcleo mais próximo ("presenta é a aluna e o aluno", embora essa última seja questionável). O mais seguro, e o que eu recomendo, é sempre colocar o adjetivo depois dos núcleos e flexioná-lo no plural masculino quando houver mistura de gêneros.

Outro ponto que causa confusão constante é a concordância com pronome relativo "que" e "quem". "Fui eu que disse" versus "Fui eu quem disse". Com "quem", o verbo pode concordar com o antecedente ("Fui eu quem disse") ou ficar na terceira pessoa ("Fui eu quem disse"). Ambas são aceitas pela norma culta, mas em provas e concursos, "quem" tende a puxar o verbo para a terceira pessoa do singular. Já com "que", a concordância é obrigatoriamente com o antecedente.

Os casos mais difíceis que as bancas adoram cobrar

Vários tópicos aparecem repetidamente em exercícios e provas, e dominar esses casos específicos faz mais diferença do que resolver duzentas questões genéricas. Adjetivo posposto a dois ou mais substantivos de gêneros diferentes. Quando o adjetivo vem depois, ele concorda no plural, preferencialmente masculino. Exemplo: "As portas e janelas abertas" (correto). Se o adjetivo vier antes, pode concordar no masculino plural ou aproximar-se do mais próximo, mas essa segunda opção gera dúvida em corretores mais rigorosos. A forma "Abertas as portas e janelas" soa melhor e evita ambiguidade. "Menos" e "bastante" são invariáveis. Esse é um dos erros mais frequentes. "Mais" varia, "menos" não. "Bastante" como advérbio é invariável. "Elas eram bastante competentes", nunca "bastantes competentes". Já quando "bastante" funciona como pronome adjetivo, varia: "Tínhamos bastantes opções". A dica prática é substituir por "suficiente" para testar. Se funcionar no singular, o original também deve permanecer invariável.

Exercícios Sobre Concordancia Nominal - FDPLEARN
Exercícios Sobre Concordancia Nominal - FDPLEARN

"Anexo", "incluso", "obrigado" e "mesmo" variam. Essas são particularidades que precisam ser decoradas porque não seguem um padrão óbvio. "As cartas estão anexas", "As normas foram inclusas", "Obrigado" concorda com quem fala ("Obrigada", se a falante for mulher), e "mesmo" atua como pronome adjetivo flexionando em gênero e número. Eu tenho uma lista mental que uso para revisar esses quatro itens antes de qualquer prova, porque são os que mais trapaceiam quem confia apenas no intuition. Expressões partitivas e "uma vez que" / "consoante". "Uma dezena de alunos veio" ou "vieram"? Ambas são aceitáveis, mas a concordância com o numeral ("uma dezena") tende ao singular, enquanto a concordância com o substantivo ("alunos") tende ao plural. Em contextos formais, prefira a concordância com o substantivo, pois soa mais natural. "Consoante" também merece atenção: como preposição é invariável ("procedeu consoante o regulamento"), mas como adjetivo varia ("as leis consoantes com o texto").

Erros que parecem corretos mas não são

Há construções que se popularizaram tanto que muitas pessoas já as consideram padrão, mas elas permanecem incorretas na norma culta. Conheço vários candidatos que perderam pontos por não perceber isso. "Mais de um filho brigou" está correto porque "mais de um" indica singularidade da ação, mesmo que o sentido seja plural. Mas "Mais de um filho se odiaram" está errado — o verbo deve permanecer no singular. Outro exemplo: "A entrada é proibida para crianças e adultos". Aqui "proibida" concorda com "entrada", não com os dois núcleos. Esse tipo de questão cobra exatamente essa distorção: o aluno pensa que o adjetivo deve concordar com o mais próximo, quando na verdade ele se liga ao sujeito real da oração. Também vale mencionar o uso de "sós" versus "sozinhos". "Estavam sós" significa que estavam sozinhos, sem companhia. "Estavam sós" como adjetivo (solitários) é diferente de "estavam sozinhos". A forma "sós" é rara no uso cotidiano, mas aparece em provas com frequência. A dica é: se puder substituir por "sozinhos" sem mudar o sentido, use "sós" apenas quando o contexto exigir o adjetivo literário.

Um recurso prático que eu uso e recomendo

A melhor maneira de se preparar para um exercício sobre concordância nominal é criar frases próprias com os casos problemáticos e analisá-las uma a uma. Não adianta apenas ler exemplos prontos. Pegue cada regra acima, transforme em uma frase sua e pergunte: qual é o núcleo? Qual é o gênero e número? O adjetivo antecede ou sucede? Se quiser materiais para treinar, posso indicar alguns bancos de questões organizados por banca. A FCC costuma cobrar "anexo", "incluso" e a variação de "bastante" com frequência alta. A FGV gosta de perguntas com pronome relativo e concordância de "mais de um". A Cespe adora questões em formato certo/errado que testam exceções. O ideal é fazer de trinta a quarenta exercícios por semana, revisando cada erro annotadamente, não apenas conferindo o gabarito.

Exercícios de Concordância Nominal 5º Ano | PDF | Palavra | Linguística
Exercícios de Concordância Nominal 5º Ano | PDF | Palavra | Linguística

Limitações do que funciona e o que não funciona

Existem limites claros para o estudo por exercícios. Praticar muitas questões repetitivas não garante domínio se o estudante não parar para analisar o porquê de cada erro. O tempo gasto corrigindo manualmente cada questão leva em média de vinte a trinta minutos por lote de dez questões, mas esse tempo de revisão é onde o aprendizado de fato acontece. Sem essa análise, o resultado é semelhante a decorar fórmulas sem entender o conceito. Além disso, a concordância nominal tem áreas cinzentas. Algumas construções aceitas em um registro informal tornam-se inadequadas em contextos formais, e o oposto também ocorre. Exercícios bem elaborados refletem essa variação, mas muitos materiais disponíveis na internet são de qualidade duvidosa, com gabaritos errados ou explicações incompletas. Recomendo sempre cruzar a resposta com fontes confiáveis como gramáticas de referência (Cegalla, Bechara, Cunha e Cintra) quando houver dúvida. Para quem precisa de um material estruturado, recomendo começar com exercícios da área de concursos públicos, pois eles cobram com mais rigor e precisão as nuances que realmente importam. Uma coleção completa com questões comentadas por banca pode ser encontrada em sites especializados, como o QConcurseiro ou o Estratégia Concursos, que organizam os exercícios por tópico e nível de dificuldade.

O importante é entender que concordância nominal não é memória pura. É lógica aplicada a estruturas que se repetem. Quanto mais você treina com análise consciente, mais rápido identifica o padrão, e mais rápido resolve qualquer variante que a prova apresente.