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Exercício Sobre Pronome Relativo

Exercício Sobre Pronome Relativo

Os pronomes relativos em português

A maioria dos alunos travam na hora de escolher entre que, quem, o qual e suas variações. A dificuldade não está na regra em si — ela existe, mas é cheia de exceções que a literatura didática costuma esconder para não complicar. O problema real é que a língua fala nada tem a ver com as tabelas de gramática normativa. Vou explicar como isso funciona no mundo real, a partir de uma experiência que tive corrigindo redações de concurseiros. O pronome relativo substitui um substantivo que já apareceu antes e conecta duas orações. Em português, o mais comum é o que, mas ele não serve para tudo. Comece por identificar o antecedente — o termo que está sendo substituído. Se o antecedente for uma pessoa, a norma culta exige quem. Se for coisa, vale que ou o qual. A confusão nasce quando o antecedente é uma ideia abstrata ou um conceito, aí a escolha depende do grau de formalidade do texto. O passo a passo que eu uso hoje, depois de anos corrigindo provas, é o seguinte: primeiro localiza o antecedente, depois verifica se ele é pessoal ou não pessoal, depois checa a regência do verbo que vem depois do pronome. Se o verbo pede preposição, o pronome também carrega a preposição. Exemplo: "O livro de que falei" — aqui que carrega a preposição de porque o verbo é falar de algo. Esse detalhe de regência é onde a maioria erra, e é também o que separa uma resposta certa numa prova de discursiva de um desastre.

O meu caso específico foi com uma banca que cobrou a correção de uma frase como "A equipe que worked nas instalações" — um erro claro de calque do inglês. O correto seria "A equipe em que worked" ou "A equipe na qual worked", dependendo da regência. Eu levei quase duas horas refutando argumentos de candidatos que insistiam que o que era neutro o suficiente para servir universalmente. A realidade é diferente: que funciona como pronome relativo apenas quando o verbo não exige preposição explícita. Quando exige, a preposição fica à frente do pronome, formando de que, em que, com que, e assim por diante. Um insight contraintuitivo: o cujo é o pronome mais ignorado e mais mal compreendido. Ele não significa "do qual" ou "da qual" — ele significa simplesmente "cujo dono é" ou "cujo dono são", dependendo do número. A armadilha é que cujo concorda em gênero e número com o substantivo que vem DEPOIS dele, não com o antecedente. Muitos acham que "cuja" é forma feminina de "cujo" e pronto. Errado. O que varia é o substantivo subsequente. Se o substantivo seguinte for masculino plural, usa-se cujos; se for feminino singular, cuja. O antecedente pode ser qualquer coisa, mas a concordância segue o que vem depois do pronome. O outro detalhe que ninguém ensina direito: o uso de onde como pronome relativo. A norma culta veda onde quando o sentido é metafórico ou abstracto. "A empresa onde eu trabajo" está errado se onde se referir a um contexto profissional, não físico. O correto é "A empresa em que trabalho" ou "O ambiente em que trabalho". Já "A casa onde moro" é aceitável porque onde se refere a um lugar físico concreto. A regra prática é simples: se você pode substituir onde por "no qual/lugar em que", está ok. Se não der, troque por em que ou na qual.

Agora vou listar os pronomes relativos com suas funções exatas:

Exercícios Sobre Pronome Relativo | PDF
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  • que — o mais versátil, substitui pessoas e coisas, mas exige análise de regência do verbo subsequente. Forma: "A coisa que fiz", "A pessoa que conheci".
  • quem — restrito a pessoas, sempre acompanhado de preposição. Forma: "A pessoa com quem falei", "O colega de quem ouvi falar".
  • o qual / a qual / os quais / as quais — mais formais, permitem variação de número e gênero, úteis quando o contexto exige clareza ou quando o que criaria ambiguidade. Forma: "O problema, o qual não resolvi, persiste".
  • cujo / cuja / cujo / cuja — indica posse, concorda com o substantivo subsequente, nunca vem precedido de artigo. Forma: "O autor cujo livro li", "A cidade cujas ruas are amplas".
  • onde — restrito a lugares físicos concretos. Forma: "A rua onde nasci", "O país onde vivo".
  • quanto — variante poética ou arcaica, pouco usada em textos formais contemporâneos. Forma: "Tudo quanto vi me surpreendeu".

Agora um exercício prático. Tente completar as lacunas com o pronome relativo adequado: Respostas: 1) que, 2) a quem, 3) em que, 4) onde, 5) cujo. Note que na questão 3 o em que aparece porque o verbo participar exige a preposição em — participar de algo, não participar algo. Na questão 5, cujo concorda com caderno (masculino singular), não com aluno (também masculino, mas o acordo é com o substantivo seguinte). Esses dois casos são os que mais geram erro em provas e concursos.

Limitações e situações onde a regra falha

O método tradicional de ensino dos pronomes relativos tem uma limitação séria: ele trata a norma culta escrita como se fosse a única variante válida do português, ignorando o uso cotidiano em que que substitui praticamente qualquer antecedente, inclusive pessoas e lugares. Na fala brasileira, "A pessoa que eu amo", "A casa que eu moro" e "O filme que eu assisti" são perfeitamente naturais e amplamente aceitas. A rigidez normativa só faz sentido em contextos formais — provas, redações, documentos jurídicos. Em comunicações informais, a variação é legítima e reflete a evolução natural da língua. Outra limitação importante: a gramática normativa não prevê situações em que o antecedente é implícito ou omitido. Frases como "Alguém que me ajude" não têm antecedente explícito — o pronome relativo funciona como relativo indefinido. Nesses casos, a análise tradicional de "pronome relativo" simplesmente não se aplica, e o que passa a ter função diferente, mais próxima de um pronome indefinido. Essa zona cinzenta é frequentemente cobrada em provas de nível avançado, e a maioria dos materiais didáticos ignora completamente esse aspecto. Se o seu objetivo é apenas comunicar-se eficazmente em português escrito informal, focar nos exercícios de pronome relativo pode ser um gasto de tempo desproporcional. O que funciona na grande maioria das situações do dia a dia, e os erros de regência só se tornam problemáticos em contextos formais. Já para provas de vestibular, concursos públicos e redações nota 1000, o domínio das distinções entre que, quem e o qual é inevitável — nesses cenários, recomendo fazer pelo menos vinte exercícios por semana, corrigindo cada erro anotando o motivo exato da falha. Esse processo costuma reduzir significativamente a taxa de erro em menos de um mês.