Exercicios Com Pronomes Demonstrativos
Pronomes demonstrativos em português: o que todo mundo erra e como acertar
A maioria dos materiais didáticos trata os pronomes demonstrativos como se fossem só isso aqui, isso aí, aquilo. A realidade é bem mais chata. Os pronomes demonstrativos em português carregam uma função deicoica que varia conforme o contexto espacial, temporal e até discursivo, e esse é exatamente o ponto onde a maioria dos exercicios com pronomes demonstrativos falha ao testar apenas a memorização da forma e não o uso real. Vou explicar direto, sem rodeio. Os pronomes demonstrativos são: este, essa, aquele, este, essa, aquilo — cada um com suas variações de gênero e número. Mas o que realmente define qual usar não é uma regra fixa no papel. É a posição relativa entre o falante, o ouvinte e o referente. Isso parece simples até você se deparar com uma situação em que o referente já foi mencionado antes no texto e precisa ser retomado. Aí entra o problema.
Como resolver exercicios com pronomes demonstrativos na pratica
O método mais eficiente não é decorar tabelas. É entender a lógica por trás de cada pronome e aplicar um teste pratico de referenciação. Quando você vê uma questão sobre demonstrativos, a primeira coisa que deve fazer é identificar três elementos: quem fala, quem ouve, e onde o referente está situado em relação a eles. Iste/esta indica proximidade com o falante. É o que está perto de mim quando falo. Esse/essa indica proximidade com o ouvinte ou um referente que acabou de ser mencionado. Aquele/aquela indica distancia de ambos, algo que está longe fisicamente ou que foi mencionado há muito tempo no discurso. Aquilo funciona como pronome neutro quando não há gênero definido ou quando o referente é abstrato. Veja este exemplo pratico: "O livro que comprei ontem é interessante, mas aquele que meu irmão emprestou é muito melhor." Aqui, "o livro que comprei" é identificado por um pronome implícito de proximidade (este), enquanto "aquele" se refere a um livro mencionado anteriormente e distanciado no discurso. Se a pergunta substituísse "aquele" por "esse", a frase ainda seria gramaticalmente aceitável, mas o sentido pragmático mudaria ligeiramente, aproximando o referente do ouvinte em vez de mantê-lo distante.
A dificuldade real aparece quando o contexto não deixa claro se o referente está perto do falante ou do ouvinte. Já me deparei com exercicios onde a alternativa correta dependeria de saber se o autor estava se referindo a algo fisicamente presente ou apenas mencionado verbalmente. Nesses casos, a solução é analisar o parágrafo inteiro e traçar a linha do discurso, não olhar isoladamente para a frase da questão.

O erro mais comum que ninguém explica direito
O erro numero um em exercicios com pronomes demonstrativos é confundir o uso de "esse" com "este" quando se trata de referenciar algo que acabou de ser dito. Muitas pessoas acham que "este" sempre se refere ao que está mais perto no texto, mas isso não é verdade. O "este" se refere ao que está perto do falante no momento da enunciação, não necessariamente ao que foi dito por ultimo. Imagine esta situação: você está lendo um artigo e ele diz "A inflação aumentou 5% no último trimestre. Este índice preocupa os economistas." Muitos candidatos marcariam como errado porque acham que deveria ser "esse índice" já que a inflação foi mencionada antes. Mas está correto usar "este" porque o falante está se apropriando daquele conceito como algo próximo a si no discurso. É um uso válido e bastante comum em textos formais. O inverso também acontece com frequência. Alguém escreve "Aquilo que você disse não faz sentido" quando na verdade deveria usar "Isso que você disse", porque o ouvinte acabou de falar algo e o referente está proximo a ele, não distante de ambos. A escolha errada aqui soa estranha para um nativo, mesmo que a gramatica normativa não reprova explicitamente.
Pegadinhas avançadas em provas e concursos
Em provas de nivel superior, especialmente concursos públicos e vestibulares, os exercicios com pronomes demonstrativos frequentemente cobram a correlação entre tempos verbais e o uso dos demonstrativos. Por exemplo, quando se usa "o mesmo" como substitutivo de pronome demonstrativo — algo que a norma culta critica fortemente mas que ainda aparece em questões mal elaboradas. Uma pegadinha classica é a substituição de "este" por "o mesmo" em frases como "O decreto foi assinado pelo presidente, e o mesmo entrou em vigor na data prevista." Isso é considerado erro de regencia e redundancia pela maioria dos manuais de redacao oficial. O correto seria usar "o qual" ou reestruturar a frase. Essa é uma daquelas questões onde o candidato precisa saber mais do que apenas a forma do pronome. Precisa entender o estilo. Outro ponto delicado é o uso de "causa disso" versus "causa disto". Ambas existem, mas indicam coisas diferentes. "Disso" remete a algo dito anteriormente no discurso, enquanto "disto" remete a algo que o falante está prestes a explicar ou que está sob seu controle imediato. Em exercicios com pronomes demonstrativos, essa diferenca muitas vezes é a chave entre a alternativa certa e a errada.
Recursos praticos para treinar
Para praticar de forma eficiente, o ideal é usar exercicios com pronomes demonstrativos que exijam a escolha entre alternativas em contexto, não apenas completar lacunas isoladas. Questões que apresentam um paragrafo completo e pedem para identificar ou corrigir o uso dos demonstrativos são muito mais indicativas de dominio real do que fill-in-the-blank tradicional. Recomendo tambm a leitura atenta de editoriais de jornais de grande circulacao, como O Estado de S. Paulo e Folha de S.Paulo, onde o uso dos demonstrativos segue padrões claros de referência textual. Ao ler, pare em cada pronome demonstrativo e pergunte: proximo de quem? Do autor, do leitor, ou de algo abstrato? Essa habitacao analitica reduz significativamente os erros emsituacoes de prova. Não existe material unico e definitivo para dominar o assunto. Os exercicios com pronomes demonstrativos mais completos que encontrei foram aqueles produzidos por bancos de Questoes de concursos anteriores, especialmente da Cespe, FGV e Vunesp, que frequentemente abordam o tema com nuances que materiais didaticos genéricos ignoram. Baixe provas antigas, faça com cronometro, e depois corrija analisando cada erro sem pressa.

O que os manuais escondem
A verdade é que nenhum livro didatico explica adequadamente a ambiguidade inherente aos pronomes demonstrativos em certos contextos. Há situações em que tanto "este" quanto "esse" seriam aceitos, dependendo da interpretacao pragmatica do leitor. Isso gera contestaço em provas objetivas, e a resposta "correta" muitas vezes reflete a visao do examinador, nao uma regra linguistica objetiva. Quando isso acontece, o melhor comportamento é identificar o padrão do banco examinador. A Cespe tende a privilegiar o uso mais conservador, enquanto a FGV aceita variantes mais amplas. Conhecer essa tendencia economiza tempo e evita perda de pontos por questoes mal formuladas. Também é importante notar que o uso de "acolá" e outras formas dialetais de demonstrativos não cai em concursos formais, mas aparece em exercicios com pronomes demonstrativos de niveis mais baixos ou em contextos de linguagem informal. Saber distinguir o registro é parte do dominio, ainda que a prova não cobre essa distincao explicitamente.
A prática constante com questões contextualizadas e a análise critica dos erros são as únicas maneiras de realmente internalizar o uso dos pronomes demonstrativos. Decore o minimo necessario e foque em entender a logica de referencia. O resto vem com o tempo e a exposicao a textos bem escritos.
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