Exercícios De Complemento Verbal
Complemento verbal: o que realmente funciona na prática
Você já deve ter percebido que nem todo verbo precisa de complemento para fazer sentido. O verbo "chegar" funciona sozinho. Você chega, ponto. Já o verbo "gostar" não. Gostar de quê? De quem? O complemento entra aqui para fechar a ideia. O complemento verbal se divide basicamente em dois tipos: o complemento direto, que não usa preposição obrigatória, e o complemento indireto, que exige uma preposição — geralmente "de", "a", "em", "por" — ligando-o ao verbo. A confusão começa quando um verbo pode funcionar com os dois, dependendo do sentido. Pegue o verbo "assistir". Quando significa "ver", é transitivo indireto: assistir a um filme. Quando significa "prestar assistência", é transitivo direto: assistir o paciente. O mesmo verbo, duas regências diferentes, e a maior parte dos alunos erra nas duas.
Como os exercícios de complemento verbal funcionam na prática
A maior parte dos materiais que encontrei pela internet segue o mesmo modelo cansativo: apresentam uma frase com um espaço em branco e quatro opções de preposição. O aluno chuta, vê o gabarito e passa para a próxima. Isso funciona pouco, especialmente quando o verbo tem regência dupla ou ambígua. Minha abordagem é diferente. Eu peço para o aluno identificar primeiro o núcleo verbal da frase e depois perguntar: "o que falta aqui?". Se a resposta vem sem preposição, é complemento direto. Se precisa de uma preposição, é indireto. A partir daí, eu mostro exemplos onde a preposição muda completamente o sentido — como "obedecer o pai" (errado) versus "obedecer ao pai" (certo), mas com "lembrar algo" versus "lembrar de algo", onde ambas podem funcionar dependendo do contexto.
exercícios de complemento verbal práticos
Vou montar agora um conjunto simples que você pode usar imediatamente, seja sozinho ou em sala de aula. Cada exercício pede que você identifique se o trecho sublinhado é complemento direto ou indireto, e na questão 5, complete a lacuna com a preposição correta, se houver. Exercício 1: Identifique o tipo de complemento nos itens abaixo e justifique sua resposta. a) Ela prefere chocolate a sorvete. (complemento direto — sem preposição obrigatória entre o verbo e o termo)

b) Ele obedece aos colegas em todas as situações. (complemento indireto — exige a preposição "a") c) Nós precisamos de ajuda agora. (complemento indireto — o verbo "precisar" rege preposição "de") d) Ela quis saber a verdade. (complemento direto — "saber" não exige preposição) O mesmo vale para o item (e) "Você respondeu a pergunta". Aqui tem uma pegadinha: "responder a" é correto quando "resposta" se dirige a alguém, mas "responder a pergunta" também é aceito em registros menos formais.
Exercício 2: Complete as lacunas com a preposição adequada, quando necessário, ou deixe em branco se o complemento for direto. a) Ele ______ aspirou ao cargo de diretor. (a) b) Ela ______ assistiu o filme inteira. (não há preposição — complemento direto) Na verdade, aqui também podemos aceitar "assistiu a", já que "assistir" no sentido de ver leva preposição "a". O verbo original seria "assistiu" sem complemento, então a frase correta seria "Ela assistiu ao filme". Vou ajustar: "Ela assistiu ______ o filme". Resposta: "a" — ela assistiu ao filme.
c) Eu ______ esqueci o nome dele. (não há preposição) Mas existe a forma "me esqueci do nome dele", onde "de" faz parte da locução verbal pronominal. Ambos são corretos, mas com nuances diferentes. "Esqueci o nome" enfatiza o objeto esquecido; "me esqueci do nome" dá mais importância ao sujeito que sofreu o esquecimento. Exercício 3: Reescreva as frases substituindo o complemento por um pronome oblíquo adequado. a) Eu li o livro. Eu o li. (complemento direto pronome oblíquo átono)

b) Ele obedeceu ao regulamento. Ele lhe obedeceu. (complemento indireto pronome "lhe") c) Nós precisamos de tempo. Nós delo precisamos. Na prática, soa muito artificial. O mais natural seria "precisamos disso". O uso de "de + pronome demonstrativo" é muito mais comum do que a contração "delo" em português brasileiro contemporâneo. Exercício 4: Explique por que as frases abaixo estão incorretas e corrija-as.
a) Eu assisti o filme ontem. Correto: "Eu assisti a o filme ontem" ou "Eu assisti ao filme ontem." O verbo "assistir" no sentido de ver exige preposição "a". b) Ela gosta de mim muito. Correto: "Ela gosta muito de mim." A posição do advérbio "muito" interfere na fluência. Em português, Advérbio + preposição + pronome soa mais natural do que pronome no meio. c) O professor respondeu minhas dúvidas. Correto: "O professor respondeu às minhas dúvidas." O verbo "responder" no sentido de dar resposta a alguém leva preposição "a".
Exercício 5: Esta é a questão mais difícil. Identifique se há erro de regência em cada frase e explique. a) Elle aspirava à promoção. (correto — "aspirar" no sentido de almejar exige "a") b) Ela imita sua irmã. (correto — "imitar" é transitivo direto) Mas atenção: se o sentido for "assemelhar-se a", aí muda. "Ela se assemelha à irmã" seria o correto nesse caso. O verbo "imitar" é direto; o verbo "assemelhar-se" é indireto.
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c) Ninguém confiava naquela promessa. (correto — "confiar em") d) Eu acesso a internet todos os dias. (erro: o correto é "eu acesso" ou "eu entro na internet". O verbo "acessar" significa literally "to access" em inglês, mas em português coloquial muitos usam "acessar" no lugar de "entrar em" ou "navegar na". Tecnicamente, "acessar a internet" é aceitável em registros informais, mas em provas formais pode ser considerado errado.)
O problema que eu nunca achei explicado direito
Quando eu comecei a ensinar isso, encontrei um caso que me pegou de surpresa. Um aluno perguntou: "Professor, por que 'eu morro de vontade' está certo, mas 'eu morro vontade' não?" A resposta aparentemente óbvia é "porque o verbo 'morrer de' é locução verbal fixa". Mas isso não explica por que a locução existe. O que acontece é que "morrer de" entrou na língua como uma construção idiomática que carrega um sentido figurado. Não se trata de regência verbal no sentido estrito. Trata-se de uma expressão consagrada pelo uso. Eu resolvi esse impasse mostrando para o aluno que existem verbos cuja regência é produtiva (como "gostar de", "obedecer a") e construções fixas que não obedecem a uma lógica regular (como "morrer de inveja", "poupar alguém de algo"). Para fins de exercício, trate as construções fixas como exceções e acostume-se a aprendê-las por memorização, não por dedução.
O que não funciona e por quê
Exercícios de múltipla escolha com apenas quatro opções têm uma taxa de acerto por acaso de 25%. Se o aluno sabe que a resposta é "a" ou "b" e chuta entre as duas, a probabilidade real sobe para 50%. Isso infla artificialmente a nota. Prefira exercícios onde o aluno produza a resposta, não apenas selecione entre alternativas. Outro problema grave: muitos materiais usam frases genéricas e sem contexto. "João comeu a maçã" não ensina nada sobre complemento. O aluno decora que "maçã" é CD, mas não internaliza a regra. Use frases que façam sentido em um contexto real. Frases sobre o mundo real fixam melhor do que exemplos abstratos.
exercícios de complemento verbal para download
Preparei um arquivo em PDF com 30 questões inéditas, divididas em quatro níveis de dificuldade, mais um gabarito comentado. O arquivo também inclui uma tabela de regência dos cinquenta verbos mais comuns em provas do ENEM e do vestibular. Você pode baixar gratuitamente. Clique aqui para baixar o material Se tiver dificuldade com algum exercício específico, mande a questão nos comentários. Eu reviso pessoalmente e explico o raciocínio, não apenas a resposta correta.
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Exercícios Sobre Complemento Verbal - FDPLEARN