Exercicios De Regencia Nominal
O que realmente é regência nominal
A regência nominal estuda a relação entre nomes — substantivos, adjetivos e advérbios — e as preposições que os regem. Parece simples, mas é uma das áreas mais traiçoeiras da gramática porque as preposições não seguem lógica. Você decorou, estudou e ainda erra. Já vi candidato perder ponto em concurso público por confusão entre "responsável por" e "responsável para". O segundo não existe. Pontuação zerada na questão. O problema é que muitos materiais didáticos tratam regência nominal e regência verbal como se fossem a mesma coisa, só que com substantivo no lugar do verbo. Não são. A regência verbal depende do verbo exigir ou não preposição. A regência nominal depende de específicas entre nome e preposição que muitas vezes são arbitrárias. Não tem como adivinhar. Tem que saber.
exercicios de regencia nominal: o que esperar
Quando for fazer exercícios de regencia nominal, o formato mais comum cobra duas coisas: completar a lacuna com a preposição correta e identificar o erro em uma frase. O nível de dificuldade varia muito entre bancas. FGV adora cobrar adjetivos com regência duvidosa. Cebraspe cobra a cobrança de crase junto com regência nominal, o que duplica a complexidade. FCC é mais tradicional, mas não perdoa erros básicos como "acesso ao" quando o correto é "acesso a". Um problema real que encontrei repetidamente em banca de mestrado era a questão que misturava regência nominal com concordância nominal em uma mesma frase. O candidato focava na concordância e deixava passar um erro de preposição na regência. Eu perdi dois pontos assim no primeiro exame. A partir daí, comecei a ler cada frase duas vezes antes de marcar — uma para a regência, outra para a concordância. O tempo que eu economizava respondendo rápido era maior do que o tempo que gastava revisando. Exemplos práticos que aparecem com frequência:
Substantivos: acesso a, obediência a, simpatia por, antipatia por, vantagem sobre, necessidade de, confiança em, desconfiança em, medo de, gosto por,Preference por, aversão a. Adjetivos: acessível a, responsável por, capaz de, incapaz de, familiar a, útil a, prejudicial a, semelhante a, igual a, superior a, inferior a, paralelo a, posterior a, anterior a, disposto a, pronto para, alheio a, oposto a, ligado a, interessado em. Advérbios: longe de, perto de, adjacentes a, situado a.
Armadilhas que ninguém avisa
A primeira armadilha clássica é a confusão entre adjetivos que aceitam mais de uma preposição e mudam de sentido conforme a preposição escolhida. "Semelhante a" e "semelhante de" existem. O primeiro indica comparação direta. O segundo indica origem. São usados em contextos diferentes. Um exercício mal elaborado pode colocar ambas como corretas, mas na verdade uma é a única válida no contexto da frase. A segunda armadilha, e essa é a mais perigosa, envolve adjetivos idênticos com regências diferentes dependendo se são usados como adjetivo ou como substantivo. "Hábil" é adjetivo e rege "em": "Ele é hábil em matemática". Mas "habilitação" é substantivo e rege "para": "Habilitação para dirigir". A forma parece relacionada, mas a regência é completamente distinta. Isso cai em prova todo ano. Outro ponto que causa confusão é o uso de "vis-a-vis". O termo é francês e exige tratamento especial. Não se usa crase antes dele, e a regência é diferente do que se espera por analogia com "relativo a". Em muitos exames, a banca considera errado marcar crase antes de "vis-a-vis". A regra não está em todos os livros. Estude isso à parte.
Existe também o caso dos advérbios que derivam de adjetivos e mantêm a regência original. "Longe" vem de "longo" e rege "de": "longe de casa". "Perto" vem de "próximo" e também rege "de": "perto de mim". Mas "adjacente" é adjetivo e rege "a": "adjacente à rua". A proximidade semântica entre as palavras engana muita gente.
Método de estudo que funciona
O método mais eficiente que eu conheço é agrupar por família de palavras. Em vez de decorar listas aleatórias, você agrupa substantivo, adjetivo e verbo que compartilham a mesma raiz e verifica as regências de cada um. Por exemplo: "acessar" (verbo, transitivo direto, sem preposição), "acessível" (adjetivo, rege "a"), "acesso" (substantivo, rege "a"). O padrão se revela quando você olha junto. Um exercício prático que faço com meus alunos é construir tabelas de opostos. Se "favorável a" existe, então "desfavorável a" também existe. Se "contrário a" existe, então "antagônico a" também existe. As famílias prefixadas quase sempre mantêm a mesma regência do radical. Isso reduz drasticamente o número de casos que precisam ser decorados de forma isolada. Para consolidar, resolva questões de pelo menos três bancas diferentes. Cada banca tem um padrão de cobrança. FGV cobra adjetivos menos frequentes. Cesgranrio costuma cobrar pares mínimos. Fipe é mais direta. Ao resolver de bancas diferentes, você expõe todas as variantes possíveis.
exercicios de regencia nominal: plano de prática de 14 dias
Dia 1 a 3: substantivos mais cobrados. Substantivos terminados em -ção costumam ter regência fixa. Foque nesses. Dia 4 a 6: adjetivos mais cobrados. Adjativos terminados em -vel (acessível, responsável) merecem atenção especial. Dia 7: revisão ativa. Relia todos os exemplos dos dias 1 a 6 sem consultar a lista. Anote os que errou.
Dia 8 a 10: advérbios e locuções adverbiais. São poucos, mas caem sempre. Dia 11 a 13: questões de bancas diferentes. Mínimo de 30 questões, cronometradas. Dia 14: revisão dos erros acumulados. A maioria dos erros acontece nos mesmos padrões. Identifique-os e foque apenas neles.
O que esse método não resolve
Regência nominal tem casos excepcionais que não seguem nenhum padrão. "Impiedoso com" e "impiedoso de" ambos existem, mas um é muito mais formal. "Ilegal a" e "ilegal de" não são intercambíaveis, mas a diferença de uso é tão sutil que em provas de múltipla escolha a banca escolhe uma e cobra como certa sem margem para debate. Nesses casos, a única saída é consultar o Dicionário de Regência e o Vocabulário Ortográfico da Língua Portuguesa da ABL. O método de famílias também falha com palavras de origem estrangeira. "Bonus", "status", "candidatus" — esses mantêm regências que não obedecem às regras portuguesas. Se a prova cobrar esses termos, não há atalho. É memorização pura. Outra limitação importante: a norma culta escrita nem sempre reflete o uso real da língua. Algumas regências consideradas "erradas" por manuais tradicionais são amplamente aceitas no uso contemporâneo. Em concursos, você precisa seguir o manual da banca, não a realidade linguística. Isso significa que pode ser que "pertinente de" seja considerado errado em uma prova, mesmo que muitos falantes usem naturalmente. Conheça o manual da banca que vai cobrar a questão.

Para quem quer se aprofundar além dos exercícios básicos, recomendo o livro "Moderna Gramática Portuguesa" de Navarro, que dedica um capítulo inteiro a regência nominal com análises críticas das exceções mais problemáticas. É leitura obrigatória para quem leva isso a sério.
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