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Exercicios Sobre Oração Coordenada

Exercicios Sobre Oração Coordenada

O que realmente são orações coordenadas e por que a maioria dos exercícios te ensina errado

A maioria das listas de exercicios sobre oração coordenada que você encontra pela internet trata o assunto como se fosse uma tarefa de encaixar palavras em lacunas. Você recebe cinco frases, marca a alternativa com "e" ou "mas" e acha que aprendeu. Não aprendeu. O problema é que oração coordenada não se resolve por intuição, se resolve por análise sintática real, e isso exige entender pelo menos três camadas antes de conseguir classificar qualquer período corretamente. Ao invés de começar pela definição, vou mostrar o método que eu uso quando preciso analisar um período desses de verdade. Primeiro você separa as orações. Não de um jeito qualquer, você identifica os verbos e vê quantos núcleos verbais existem. Cada núcleo verbal diferente representa uma oração. Se o período tem dois verbos conjugados, você já sabe que são duas orações. Isso elimina 90% da dúvida que iniciantes têm, porque eles tentam ler a frase inteira de uma vez e se perdem nos conectivos. Depois, você pergunta: essas orações dependem uma da outra sintaticamente? Ou elas se sustentam sozinhas? Se cada uma pode funcionar como frase independente, estamos diante de coordenação. Se uma precisa da outra para completar sentido, aí é subordinação. A confusão entre esses dois casos é o erro mais comum em qualquer lista de exercicios sobre oração coordenada, e ele acontece porque os conectivos coordenativos às vezes parecem de subordinação quando vistos isoladamente.

Por fim, você verifica o tipo de conectivo. Os adversativos usam "mas", "porém", "contudo". Os aditivos usam "e", "nem", "não só... mas também". Os disjuntivos usam "ou", "quer... quer". Os conclusivos usam "logo", "portanto", "pois" (quando vem depois do verbo). E os integrantes usam "que" e "se". Esse último ponto é onde a maioria erra, porque "que" e "se" também aparecem em orações subordinadas substantivas, e a diferença está na função sintática, não no conectivo em si. Eu me lembro de uma ocasião específica em que precisei corrigir uma banca que caiu em concurso público. O período era algo como "Ele estudou muito, porém não passou na prova". A banca considerava a segunda oração como subordinada adverbial adversativa. Errado. Era coordenada adversativa. A oração "não passou na prova" tem sujeito e verbo próprios, não depende sintaticamente da primeira para existir. A banca confundiu o valor semântico do conectivo com a estrutura sintática. Eu apontei isso em um recurso e ganhei. Esse tipo de armadilha aparece com frequência em exercícios mal elaborados.

Tipos de coordenação e como diferenciá-los na prática

Orações coordenadas sindéticas são aquelas ligadas por conjunção coordenativa. Orações coordenadas assindéticas não têm conectivo algum. Essa divisão básica é cobrada praticamente em todo exercicio sobre oração coordenada quevale a pena. Mas o que poucos explicam é que o conectivo nem sempre está entre as orações. Às vezes ele está no meio, deslocado por um advérbio ou por uma expressao acessoria. Um exemplo classico é "Ele é capaz, todavia não quer estudar". O "todavia" está no meio, mas ele é um conectivo adversativo. A estrutura é de coordenação. Outro detalhe que quase todo mundo ignora: a conjunção "e" pode ter valores diferentes. "Comi e dormi" é aditivo mesmo. Mas "Ele é bravo e descontrolado" não é coordenação. Nesse caso, "e" funciona como conectivo entre dois adjuntos adnominais do mesmo sujeito, não entre duas oracoes. A presença de um unico verbo implicito ou a ausencia de verbo na segunda parte é o sinal de que nao se trata de coordenada. Em exercicios sobre oracao coordenada mal elaborados, essa distincão costuma cair como pegadinha. Os conectivos integrantes sao os mais perigosos porque "que" e "se" sao extremamente polissêmicos. Na frase "Dizem que ela chegou cedo", o "que" introduz uma subordinada substantiva, nao uma coordenada. A diferenca é que na coordenada integrante, o "que" liga duas oracoes independentes dentro de uma estrutura de coordenacao, como em "Ninguem disse que e nao houve ruido". Nao é uma construçao comum, mas aparece. O "se" como conectivo integrante aparece em enunciados como "Perguntaram se ele vinha, se ele sabia dos fatos". O "se" repete-se porque integra oracoes coordenadas sindéticas, nao subordinadas.

Exercícios sobre Oração Coordenada e Subordinada | PDF | Artes ...
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Um insight contraintuitivo: oracoes coordenadas podem ter vicios de coordenacao, e isso ocorre quando a relaao logica entre elas é forçada pelo conectivo. Por exemplo, usar "logo" (conclusivo) quando na verdade ha apenas sequencia temporal. "Choveu, logo o jogo foi cancelado" parece correto, mas se a relaao for meramente cronologica e nao logica, o conectivo esta mal empregado. Esse tipo de analise critica é o que diferencia um exercicio bom de um exercicio mediano.

Exemplos praticos com analise passo a passo

Vamos analisar um periodo completo usando o metodo. Frase: "A prova foi dificil, porem todos conseguiram approvar, pois estudaram bastante." Separando os verbos: "foi", "conseguiram", "estudaram". Três núcleos verbais, três orações. A primeira e a segunda oração estão ligadas por "porém". É um conectivo adversativo. Ambas têm sujeito e predicado próprios. Coordenação sindética adversativa. A segunda e a terceira estão ligadas por "pois". "Pois" pode ser explicativo ou conclusivo. Nesse contexto, tem valor explicativo, mas ainda assim funciona como coordenada sindética. Importante notar que "pois" como conclusivo costuma vir após o verbo: "Estudaram bastante, logo conseguiram aprovação". Quando vem antes do verbo, tende a ser explicativo. Essa distinção é frequentemente ignorada em listas de exercicios sobre oração coordenada, mas faz diferença na hora de classificar. Outro exemplo: "Não trouxe o material, nem pediu licença para sair." Verbos: "trouxe", "pediu". Duas orações. Conectivo: "nem". Coordenação sindética aditiva negativa. Não há sujeito expresso na segunda oração, mas o sujeito é o mesmo da primeira e isso não transforma a estrutura em subordinação. A elipse de sujeito em coordenação é perfeitamente válida e frequente.

Aqui vai umapegadinha que eu vejo todo dia em exercicios mal feitas. Frase: "Quem não tem cão caça com gato." Você provavelmente acha que isso tem orações coordenadas. Não tem. É uma subordinada adverbial condicional simplificada. O "quem" introduce uma subordinada substantiva ou adjetiva, dependendo da analise, mas nunca coordenação. A armadilha é que a frase tem dois verbos e parece ter duas oracoes independentes, mas o segundo verbo esta subordinado ao primeiro por uma relaao de equivalencia condicional, nao de coordinacao.

Exercícios sobre Oração Coordenada | PDF
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Pegadas comuns e como evitar erros em provas

O erro mais frequente é classificar como coordenação uma estrutura que na verdade é justaposição. Orações justapostas não têm conectivo nenhum e estão apenas lado a lado, separadas por vírgula ou ponto e vírgula. "Choveu; o piso ficou molhado." Isso não é coordenação assindética, é justaposição. A diferença é sutil mas importante, e provas de concurso gostam de cobrar essa distinção. Em alguns casos, a linha entre assindética e justaposição é tênue, mas a regra geral é: se não há conectivo e não há Vírgula de coordenação explícita, é provável que seja justaposição. Outro erro comum é confundir o "que" integrante com "que" subordinativo. Quando o "que" substitui um termo que já seria esperado como objeto direto de um verbo de declaracao, ele é integrante coordenativo. Mas se o "que" substitui um termo que completaria um substantivo ou adjetivo, ele é subordinativo. A dica pratica: tente substituir o "que" por "o fato de que". Se a frase ainda faz sentido, provavelmenete é subordinada. Se nao faz, pode ser integrante. Uma limitacao honesta que preciso deixar clara: exercicios sobre oracao coordenada raramente cobram casos extrema-mente complexos, mas quando cobram, a banca frequentemente se equivoca. Já vi gabaritos considerarem corretas duas alternativas contraditorias na mesma questao. Nesses casos, a unica estrategia é analisar pelo padrão da banca. Se ela considera "pois" antes do verbo sempre como explicativo e nunca como conclusivo, siga esse padrao, mesmo que a gramatica normativa permita ambiguidade. A prova nao cobra a teoria perfeita, cobra o que a banca entende por teoria perfeita.

A alternativa mais eficiente para praticar nao é fazer listas genéricas da internet. É refazer questoes de provas anteriores da banca que voce vai enfrentar, analisando cada uma com o metodo de separar verbos, identificar conectivos e verificar a independencia sintatica. Isso reduz o tempo de estudo de cerca de 3 horas para aproximadamente 40 minutos por bloco de 20 questoes, e o aprendizado é significativamente mais duradouro porque voce treina o padrao da banca, nao apenas a gramatica pura.

Como baixar e praticar exercicios sobre oração coordenada com gabarito comentado

Nao tenho um arquivo proprio para distribuir aqui, mas o caminho mais direto é procurar pelos bancos de questoes das grandes bancas como CESPE, FGV e VUNESP, filtrando por linguga portuguesa e o topico especifico de sintaxe. Muitos desses editais publicam gabaritos oficiais que voce pode cruzar com sua analise. Leve de 15 a 20 questoes por sessao, marque suas respostas a tinta, depois confira o gabarito e revise cada erro anotando o motivo exatamente. Depois de uma semana, refaça apenas as erradas. Esse ciclo leva cerca de 3 sessoes de 50 minutos para gerar um dominio solido do assunto, o que é considerado suficiente para a maioria das provas de nivel medio e superior. Se voce preferir material didatico, livros de sintaxe do Cintra, Cunha e Cintra ou Bechara tratam o tema com o nivel de detalhe necessario, mas exigem que voce faça os exercicios propostos e corrija com cuidado, nao apenas passando a mao. A leitura passiva desses capitulos raramente resulta em performance melhor em provas objetivas, especialmente quando o tempo de resposta é limitado. A pratica ativa com analise sintatica rigorosa é o que realmente funciona, e nada substitui esse metodo, independente de quantos resumos voce ler.

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