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Exercicios Sobre Pre Modernismo

Exercicios Sobre Pre Modernismo

Entendendo o que realmente cai em exercícios sobre pré-modernismo

O pré-modernismo brasileiro é um período que gera confusão porque ele não funciona como os outros movimentos literários que você estuda. A gente gosta de colocar tudo em caixinhas — Modernismo começa em 1922 com a Semana, certo? Errado. O pré-modernismo é um conjunto de obras soltas, escritas por autores que não se organizavam como grupo, e que foram reunidas depois pelos historiadores da literatura. Isso já é a primeira pegadinha que aparece em prova. Mário de Andrade escreveu Macunaíma e começou a publicar romances antes da Semana de 22. Monteiro Lobato estava publicando o Sítio do Picapau Amarelo paralelamente. Os romances urbanos de Lima Barreto, José Lins do Rego, Graciliano Ramos e João Câmara surgiram entre 1910 e 1930. Eles não formavam uma escola. Não tinham manifesto. Compartilhavam apenas uma coisa: o tema. A questão social, a denúncia, a representação dos marginalizados.

exercicios sobre pre modernismo

Quando você começar a resolver questões, vai notar um padrão. A bancada gosta de cobrar a distinção entre pré-modernismo e modernismo. A diferença principal é essa: no modernismo há intenção estética de romper com o passado, uso consciente da fragmentação, do experimentalismo. No pré-modernismo, o que existe é compromisso temático, não estilístico. O autor quer mostrar a realidade, criticar, denunciar. Ele não está tentando destruir a forma do romance ou da poesia. Uma observação importante que vejo todos os alunos errarem: confundir o naturalismo do pré-modernismo com o naturalismo do século XIX. Tem parentesco, sim. Ambos herdaram do naturalismo a visão determinista do ser humano, a atenção aos ambientes mais pobres, à crítica social. Mas o pré-modernismo brasileiro não tem a rigidez científica do naturalismo francês. É uma literatura com mais angústia existencial do que experiência laboratorial. Graciliano Ramos, por exemplo, mostra a opressão do sertão, mas a obsessão dele é psicológica, não sociológica pura. Aqui vai algo que praticamente ninguém lê nos resumos: a obra Memórias do Cárcere, de Graciliano Ramos, às vezes aparece em listas de pré-modernismo, mas tecnicamente foi publicada em 1953, muito depois do período. O que justifica ela aparecer nessas listas é que o estilo dela mantém a linha de denúncia e a linguagem enxuta que define o pré-modernismo. Bancadas mal elaboradas cobram isso como se fosse cronológico, o que é um erro. O mesmo acontece com Vidas Secas, que embora publicado em 1930, às vezes é questionada como sendo modernista pela sua técnica de fluxo de consciência fragmentado. A resposta mais segura em prova é manter ela no pré-modernismo pelo conteúdo temático, mas saiba que essa é uma zona cinzenta que alguns examinadores gostam de explorar.

O que realmente importa para resolver as questões

Existem dois autores centrais que quase sempre aparecem: Lima Barreto e Mário de Andrade nos romances. Nos contos, temos Clara Nunes de Lúcio Cardoso, que muitas vezes é esquecida. Nos poemas, Oswald de Andrade ainda publicava coisas antes de 22 que são catalogadas como pré-modernistas. Se você tem que escolher nomes para decorar, foque neles primeiro. As obras que caem com mais frequência são:

Exercícios sobre Pré-Modernismo | PDF | Realismo (artes) | Amor
Exercícios sobre Pré-Modernismo | PDF | Realismo (artes) | Amor
  • Clã do Jabuti — Lima Barreto. Narrador em primeira pessoa, autoirônico, crítica ao racismo e à elite paulistana. Cuidado com questões que tentam classificar como modernistas só pela ironia. A ironia de Lima Barreto é herança do Realismo, não da vanguarda.
  • Noite — Monteiro Lobato. Romance expressionista. Aqui é importante saber que Lobato tem dois lados: o infantil e o expressionista sombrio. Esse livro mostra o lado que poucos conhecem.
  • Macunaíma — Mário de Andrade. Obra-prima que transita entre o pré-modernismo e o modernismo. Em provas objetivas, o seguro é situá-la no pré-modernismo como fase de preparação do Modernismo.
  • Santanapólis — Monteiro Lobato. Sátira política e industrial. Muito cobrado por questões que pedem para identificar a crítica ao coronelismo e ao poder econômico.
  • Casca e Tenaz — José Lins do Rego. Retrato do engenheiro e do operário. Vale lembrar que ele faz parte da geração dos romances regionais que vieram depois, mas a obra se enquadra no ciclo pré-modernista.

Um detalhe prático sobre como eu vejo os alunos errarem em exercícios: muitos identificam o regionalismo como marca exclusiva do pré-modernismo. Isso não é verdade. O regionalismo existe sim, mas ele convive com o urbano. Lima Barreto escreve do Rio e de São Paulo. O sertão nordestino aparece mais tarde, em Graciliano Ramos e na geração de 30. Se cair uma questão dizendo que pré-modernismo é sinônimo de regionalismo, marque que a afirmação está errada. Primeiro erro frequente: achar que o pré-modernismo é um movimento organizado. Não é. É um termo retrospectivo dado pelos historiadores literários para agrupar obras de décadas diferentes com temas semelhantes. Nenhum desses autores se apresentou como "pré-modernista". Segundo erro: confundir a geração de 1922 com o pré-modernismo. A Semana de 22 foi um evento de ruptura estética. Os pré-modernistas, ao contrário, eram conservadores na forma. Queriam mudar o conteúdo, não a linguagem. Mário de Andrade é a exceção que confirma a regra, e justamente por isso ele está em duas categorias ao mesmo tempo.

Terceiro erro, e esse é o mais perigoso em provas de concurso: associar a linguagem coloquial automaticamente ao modernismo. A linguagem coloquial aparece nos pré-modernistas, mas de forma diferente. Lima Barreto usa ironia culta. Lobato usa linguagem misturada. A revolução linguística de verdade vem com o modernismo, quando a norma culta é quebrada intencionalmente na poesia e na prosa.

Uma dica que realmente funciona na prática

Quando você for fazer exercícios, comece eliminando as alternativas que associam pré-modernismo a vanguardas europeias. O pré-modernismo brasileiro não teve manifesto, não houve exposição coletiva, não existiu revista fundadora. Qualquer alternativa que diga o contrário está errada. Depois, verifique se a questão pede para identificar tema ou forma. Se for tema, foque em denúncia social, marginalização, conflito rural-urbano, crítica à elites. Se for forma, o pré-modernismo usa narrativa realista, psicologismo, por vezes expressionismo. A inovação estética genuína ainda não aconteceu. Resumindo sem resumo: pré-modernismo é o nome que damos para uma série de obras brasileiras entre 1902 e 1930 que denunciavam problemas sociais antes que o Modernismo chegasse. Os autores não se conheciam como grupo. As obras são mais importantes do que qualquer classificação. E em exercícios, o mais provável é cobrarem essa diferença entre tema e forma, entre denúncia e vanguarda.

Exercícios Sobre Pré-modernismo 2
Exercícios Sobre Pré-modernismo 2