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Faz Dois Anos Ou Fazem

Faz Dois Anos Ou Fazem

A dúvida que todo falante de português já teve

Você já escreveu algo como "já faz dois anos que não o vejo" e ficou na dúvida se deveria usar "fazem" no lugar. É uma questão gramatical que gera debates acalorados em fóruns, grupos de estudo e até entre professores de língua portuguesa. A verdade é que não existe uma resposta única e simplista — o uso correto depende do contexto e da norma que você decide seguir. A questão central gira em torno da concordância verbal quando expressamos tempo decorrido. "Faz" pode ser tanto o verbo fazer no presente do indicativo (3ª pessoa do singular) quanto uma expressão impessoal de tempo. Já "fazem" seria a flexão plural, usada quando o sujeito é claramente plural. O problema aparece justamente nessa ambiguidade estrutural.

Faz dois anos ou fazem — a análise prática

Vamos direto ao ponto. Quando dizemos "já faz dois anos que...", estamos usando uma construção impessoal. O verbo "fazer" aqui indica tempo decorrido e não tem sujeito gramatical explícito. Na gramática normativa tradicional, essa é a forma mais aceita: "já faz dois anos", "já faz meses", "faz anos que não nos vemos". Por outro lado, muitos falantes — especialmente no Brasil — utilizam "já fazem dois anos" Tratando o tempo como sujeito. Essa versão também ganha espaço nas variações contemporâneas da língua, mas encontra resistência em normas mais conservadoras. Na prática, eu já corri o risco de errar em documentos formais por seguir o que ouvia no dia a dia. Minha regra prática agora é simples: em contextos formais, manuais,_editores e provas, use sempre "faz". Em conversas informais, redes sociais e textos menos rígidos, "fazem" é amplamente compreendido e aceito. Há um detalhe importante que muitos passam despercebido. Quando o complemento temporal vem seguido de uma oração subordinada, a forma impessoal se torna ainda mais natural. "Já faz dois anos que trabalho aqui" soa mais fluido do que "já fazem dois anos que trabalho aqui" Em registros formais, essa preferência é praticamente consenso.
Nota pessoal: já vi pessoaslevarem bronca em revisões textuais por usarem "fazem" em currículos e artigos acadêmicos. O risco é real, mesmo que gradualmente a norma esteja se flexibilizando.

Quando usar cada forma

Se você precisa de orientação rápida para decidir na hora, aqui vai um resumo objetivo:
  • Faz construções impessoais de tempo, contextos formais, redações, concursos, documentos oficiais
  • Fazem registros informais, quando o foco recai sobre a quantidade de tempo como sujeito, comunicação cotidiana
Existe ainda uma terceira via que merece menção. Algumas gramáticas aceitam ambas as formas em contextos menos rígidos, argumentando que a língua evolui e que o uso consolidado pela maioria dos falantes deve ser respeitado. Essa visão progressista tem ganhado terreno, especialmente em manuais modernos e em materiais didáticos recentes. Para quem estuda para concursos ou precisa escrever com precisão técnica, o conselho é claro: atenha-se à norma culta tradicional. "Faz dois anos" é a forma segura. Desviar dela pode custar pontos na avaliação, mesmo que na fala cotidiana todo mundo entenda perfeitamente a outra variante. Se quiser aprofundar o tema, recomendo consultar a gramática de Celso Cunha e Lindley Cintra, ou a obra de Evanildo Bechara. Ambas tratam da questão com detalhes suficientes para esclarecer dúvidas pontuais e evitar confusões em situações que exigem formalidade.