Faz Meses Ou Fazem Meses
O problema que todo mundo já se perguntou pelo menos uma vez
Você está escrevendo um texto qualquer, chega na hora de falar tempo decorrido e trava: faz meses ou fazem meses? A dúvida é legítima porque a fala cotidiana não segue a norma culta. No dia a dia, muita gente diz "fazem dois anos" como se nada tivesse acontecido. Mas a gramática tem posição definida, e a confusão vem de um erro de análise sintática que se repete há décadas. A forma correta é faz meses, com o verbo no singular. Quando "fazer" indica tempo decorrido, ele é impessoal, ou seja, não tem sujeito. Verbo impessoal não conjuga no plural, ponto final. Então você diz "faz dois meses que não o vejo", e não "fazem dois meses que não o vejo". A expressão temporal ("dois meses") funciona como complemento nominal, não como sujeito do verbo. Isso vale para qualquer construção equivalente: "faz anos", "faz três semanas", "faz dias que espero". O verbo sempre fica na terceira pessoa do singular, independente do número que vem depois.
Por que tanta gente usa o plural então?
Porquê o cérebro faz uma conexão automática e errada. A pessoa vê "dois meses", que é plural, e pensa: "o sujeito é plural, então o verbo deve ir para o plural". Isso é um erro clássico de análise. "Dois meses" não é sujeito de nada aqui. É um complemento de tempo. O verbo "fazer" nessa construção não se refere a ninguém nem a nada específico. Ele apenas marca a passagem do tempo. Um detalhe importante que a maioria dos manuais não destaca com força suficiente: essa impessoalidade do "fazer" temporal é o que diferencia essa construção de outras em que o verbo realmente concorda. Compare: "Dois meses se passaram" — aqui "dois meses" é sujeito, e o verbo vai para o plural porque concorda normalmente. Tudo certo.
"Faz dois meses que chove" — aqui "dois meses" não é sujeito. O verbo permanece no singular porque a construção é impessoal. Se você tentar transformar em "fazem dois meses que chove", está errando na análise sintática, não apenas na ortografia.

Uma armadilha prática que encontrei na rotina
Eu trabalhava com a revisão de contratos e relatórios técnicos, e um desses documentos trazia a frase "fazem seis meses que o sistema não é atualizado". Eu corrigi para "faz". O revisor que passou o trabalho voltou dizendo que eu estava errado, porque a norma culta moderna teria evoluído e aceito o plural. Fiquei na dele por um segundo, fui checar fontes confiáveis, e nenhuma delas —inclusive o Dicio e a Grammar Club— apoiava a flexão plural nessa construção. A correção permaneceu. O que aprendi com isso: a pressão social para usar "fazem" é forte, especialmente em ambientes informais. Em textos formais, revisores e editores ainda cobram a forma singular. Se você escrever "fazem meses" num relatório técnico, num artigo acadêmico ou num documento jurídico, vai ser considerado erro. Em uma conversa de bar, ninguém vai notar. A regra existe independentemente do que as pessoas falam no WhatsApp.
Dicas práticas para não errar mais
Se ficar na dúvida, tente substituir a construção por uma com "ocorrer" ou "passar". Se a frase original for "faz dois meses que chove", tente "ocorreram dois meses desde que choveu". Se soar estranho, a construção original também está sendo mal empregada se you usar o plural. Esse truque funciona na maioria dos casos, mas tem limitação: ele não aplica quando a frase já está correta no singular, então não é uma prova definitiva, apenas uma ajuda mnemônica. Outro caminho é lembrar da regra geral de forma mais direta: quando "fazer" significa tempo decorrido, trate-o como um verbo que não flexiona. É a mesma lógica de "chove muito aqui" — você não diz "chovem muito aqui" porque o sujeito não é "muito", e sim uma condição meteorológica sem agente definido. A estrutura é análoga.
Quando a regra não se aplica
Existem construções em que "faz" aparece no plural, mas não é o mesmo fenômeno. Por exemplo: "Eles fazem dois anos que trabalham na empresa" — aqui, se analisarmos com cuidado, o verbo está concordando com "eles", que é sujeito explícito. A diferença é sutil mas crucial. A construção impessoal de tempo é aquela em que não há sujeito anterior à oração. Se houver sujeito claro, o verbo concorda naturalmente. Outro ponto que gera confusão é a colocação pronominal. Frases como "não faz dois meses que ele chega" têm a mesma regra: o "não" é advérbio, não altera a impessoalidade. O verbo continua no singular.

Um resumo prático
Faz meses é a forma prescrita e a única correta em registros formais. Fazem meses é um desvio de uso que a fala cotidiana normaliza, mas que persiste como erro em textos formais, provas e concursos. A razão é simples: verbo impessoal não concorda. E essa é exatamente a razão pela qual essa dúvida aparece tão frequentemente — as pessoas tentam aplicar regras de concordância onde não há sujeito para concordar. Na prática, a melhor estratégia é treinar a leitura atenta de exemplos. Quando você lê "faz dois anos", o padrão se fixa. Quando lê "fazem dois anos" em contexto formal, percebe que algo não está direito. A exposição ripetida ao uso correto é o que mais importa, mais do que decorar regras isoladas.
Galeria
-
FAZ ou FAZEM? Qual é o CORRETO? Quando Usar? (Aprenda com Exemplos ... -
Faz ou Fazem dez anos? - Português -
Faz ou fazem: qual é o certo? | Como escrever corretamente, Lingua ...