Federação Internacional De Ginastica
O que você precisa saber sobre a federação internacional de ginastica
A federação internacional de ginastica, conhecida como FIG (Fédération Internationale de Gymnastique), é o órgão que regula todos os esportes de ginástica olímpica e não olímpica no mundo. Sede em Lausanne, na Suíça, ela estabelece regras, pontuações e critérios de qualificação para Olimpíadas, campeonatos mundiais e copas do mundo. O sistema de pontuação Open Code, vigente desde 2006, é um dos pilares mais comentados e contestados da modalidade. O Open Code elimina a limite máximo de nota. Antes dele, a nota máxima era 10. Agora, a dificuldade (nota D) e a execução (nota E) são somadas, e quanto mais difícil o elemento, maior pode ser a pontuação final. Isso mudou completamente a estratégia de treino e montagem de rotinas. Atletas passam anos desenvolvendo elementos de valor 0,5 ou 0,6 no código de pontos, porque um único movimento difícil pode valer mais que a execução perfeita de vários movimentos simples.
federação internacional de ginastica e suas competições oficiais
A FIG reconhece apenas competições oficiais quando emitidas sob sua chancela. Isso inclui Jogos Olímpicos, Campeonatos Mundiais, Copas do Mundo de Ginástica, Campeonatos Continentais e a Liga de Nation's Cup. Qualquer evento que não tenha autorização prévia da federação internacional de ginastica não gera pontos de ranking e não qualifica atletas para o circuito principal. O ranking mundial da FIG é atualizado mensalmente e considera os últimos 52 semanas de competições. A pontuação do ranking leva em conta apenas resultados de eventos sancionados. Isso significa que um atleta pode ter a melhor marca do ano num campeonato nacional ou amistoso, mas isso não entra no ranking. Eu já vi treinadores ficarem furiosos com isso, especialmente quando um ginasta sobe na classificação num evento continental não reconhecido e acha que isso vai mudar seu coeficiente para as Olimpíadas. Não muda.
Como funciona o sistema de qualificação olímpica
O processo de qualificação olímpica passou por mudanças significativas após Rio 2016. Antes, cada país podia levar até 8 atletas (4 homens, 4 mulheres). Agora, com o sistema de times de 5 atletas (com 3 titulares e 2 reservas), a competição é mais aberta. Os principais caminhos de qualificação são: os Campeonatos Mundiais, os torneios continentais de qualificação e os eventos classificatórios regionais. No Mundial, os 24 melhores países (8 times de 3 atletas cada) se classificam diretamente. Os individuais que não pertencem a esses times disputam vagas através de um processo separado. Eu trabalhei próximo a uma equipe sul-americana que levou dois anos tentando entender exatamente quantas vagas cada caminho dava, porque as regras mudaram em 2021 e a confusão foi enorme. A lição prática é: acompanhe sempre o documento oficial mais recente do Código de Pontuação publicado pela federação internacional de ginastica, porque uma regra que estava válida em 2022 pode ter sido alterada em janeiro do ano seguinte.

Erros comuns na montagem de rotinas
O erro mais frequente que eu vejo é a subestimação dos requisitos de composição. O Código de Pontuação exige elementos específicos em cada aparelho. No solo masculino, por exemplo, você precisa de pelo menos dois saltos, dois elementos acrobáticos e dois elementos de dança com conexão. Se você montar uma rotina bonita mas faltar um desses requisitos, perde pontos de forma silenciosa — não aparece no placar como uma penalidade clara, mas a nota D cai porque a dificuldade não é computada integralmente. No barras assimétricas femininas, muitos treinadores tentam encaixar transições excessivamente complexas que têm alto valor de dificuldade mas baixo sucesso de execução. A nota E começa a sangrar porque a ginasta não executa com amplitude completa e o juiz de execução corta entre 0,3 e 0,5 por falha. O resultado prático é que uma rotina com dificuldade de 6,2 pode terminar com nota total menor que uma rotina de 5,6 executada com perfeição. Eu vi isso acontecer em pelo menos três campeonatos consecutivos, e a resposta geralmente não é simplificar a rotina, mas sim escolher elementos que a ginasta consiga executar consistentemente em competição.
O juizamento e suas nuances
A comissão de juzos é dividida em dois grupos: a comissão D (dificuldade) e a comissão E (execução). A comissão D desmonta a rotina elemento por elemento e confirma ou nega cada valor. A comissão E avalía apenas a qualidade executiva, com deduções de 0,1 a 0,3 por cada falha. O problema real é que a comunicação entre as duas comissões nem sempre é clara, e erros de interpretação de valor de elemento acontecem com frequência em competições menores. Um caso específico que enfrentei: numa competição sul-americana, um juiz anotou erroneamente um salto como sendo de uma categoria diferente, reduzindo o valor de dificuldade em 0,2 pontos. O técnico do time reclamou imediatamente, mas a reclamação só poderia ser formalizada via protesto escrito dentro de 10 minutos após o término da apresentação, com taxa de 200 francos suíços (que só são devolvidos se o protesto for procedente). O prazo era curto e a pressão mental alta. A solução que funcionou foi ter um responsável designado exclusivamente para fazer protestos, em vez de deixar que o técnico de campo tentasse resolver tudo no calor do momento.
Documentação e recursos oficiais
Tudo começa no site da FIG (fig.gym). Lá você encontra o Código de Pontuação atualizado, normalmente publicado em janeiro de cada ano. O documento custa entre 50 e 80 euros para compras avultas, mas é essencial ter acesso à versão mais recente. Recomenda-se também consultar o Heritage Document, que explica todas as alterações feitas no código ao longo dos anos, porque isso ajuda a entender por que certos elementos têm valores que parecem arbitrários. O aplicativo da FIG oferece acompanhamento em tempo real durante competições, incluindo resultados, rankings e vídeo replays. Não é perfeito — às vezes há atraso de 30 segundos nos placares — mas é o recurso mais acessível para quem não está presente fisicamente no evento. Para análises técnicas mais aprofundadas, existem plataformas pagas como a GimMon e a VaultGym, que permitem revisar cada elemento com frame a frame e comparações com performances de referência.

Limitações do sistema atual
O Open Code tem deficiências sérias. O principal é que ele incentiva a seleção precoce de atletas com morfologia extrema — pernas muito longas para o solo, tronco extremamente flexível para o trampolim — porque apenas corpos com essas características conseguem executar elementos de alta dificuldade de forma consistente. Isso reduz a diversidade de perfis atléticos que chegam ao nível élite. Outro problema é a variabilidade entre juízes de diferentes nacionalidades. Estudos independentes mostram que juízes de certos países tendem a ser mais severos ou mais brandos em execuções, especialmente em aparelhos como solo e trampolim, onde a subjetividade é maior. Não existe ainda um mecanismo robusto de correção disso, e a FIG tem sido lenta em implementar tecnologia de avaliação automatizada que poderia reduzir esse viés. Se você está começando agora, foque em dominar o Código de Pontuação atual e acompanhe as alterações anuais. O sistema não é justo em todos os aspectos, mas é o único que existe. A melhor estratégia prática é montar rotinas que maximizem a nota D dentro das capacidades reais do atleta, sem forçar elementos que comprometam a execução, e ter sempre um protocolo claro para protestos e revisões durante competições.
Galeria
-
A Federação Internacional de Ginástica- FIG, de acordo com Souza (1997 ... -
Federação Internacional De Ginastica - FDPLEARN -
Federação Internacional De Ginástica - RETOEDU