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Feiticeiras E Lampreias

O que é feiticeiras e lampreias

O que muita gente procura quando digita feiticeiras e lampreias no Google está em uma confusão mais simples do que parece. O termo se refere a um álbum da banda brasileira Ratos de Porão, lançado em 1996. É o décimo primeiro trabalho da formação original e um dos discos mais discutidos do catálogo deles. Nada de tutorial técnico, nenhum guia prático, apenas um álbum de crossover thrash mesmo. Eu comprei a fita cassete em 1997 num quiosque perto da Lapa, em São Paulo. A capa vinha dobrada, o insert tinha manchas de tinta, e o CD que veio na reedição depois anos depois parecia ter sido prensado às pressas em 2004. O disco em si tem doze faixas, gravadas no Estúdio Trama, com produção do próprio grupo. A sonoridade é aquela mistura típica dos Ratos: riffs rápidos, bateria agressiva, e letras em português que misturam críticas sociais com humor ácido. O problema é que, ao pesquisar pelo nome, você encontra dezenas de sites falando que é um documentário, um curso, um material educativo. Não é nada disso. É música. Points claros.

Se você quer ouvir, o jeito mais direto é entrar no YouTube e buscar "Ratos de Porão Feiticeiras e Lampreias álbum completo". Várias versões sobem todo o disco sem cortes. Dura cerca de 38 minutos. Se preferir streaming, tem no Spotify, Apple Music e Amazon Music, disponível desde a reedição digital de 2015.

O que esperar das faixas

"A Última Veneza" abre o disco e já entrega o tom: ritmo acelerado, letra sobre decadência urbana, vocalização típica do Bi Ribeiro. "Tô Fodido" é provavelmente a faixa mais conhecida do álbum, e também uma das mais polêmicas quando lançada, por causa do conteúdo explícito. Não há segredo na estrutura — é thrash rápido, refrão cativante, ponte com solo curto. Nada que um ouvinte casual não entenda nos primeiros trinta segundos. Uma coisa que poucas pessoas mencionam sobre esse álbum é que ele funciona melhor tocado inteiro do que como trilha de fundo. Separei uma tarde sem distração para ouvir do início ao fim e percebi algo que passava batido: a sequência das faixas foi montada propositalmente para criar uma narrativa de esgotamento. Começa agressivo, desce para momentos mais sombrios no meio, e fecha com uma energia que não é exatamente positiva, é exaustão sonora. Isso é importante de notar se você for analisar o álbum de verdade.

Pegadinhas comuns

Um erro frequente é achar que existe uma versão "acústica" ou "unplugged" do álbum. Não existe. Qualquer vídeo ou arquivo que apareça com essa nomenclatura é edição de fã, remix ou coisa parecida. A banda nunca gravou uma versão acústica de nenhum material de Feiticeiras e Lampreias. Também vejo muita gente reclamando da qualidade do som da versão original em vinil. A prensagem de 1996 tem ruído de fundo perceptível, especialmente nas faixas mais lentas. A reedição em CD de 2004 melhorou mas ainda não é referência em masterização. A versão digital de 2015 é a mais limpa que existe até hoje. Se alguém te vender um "DVD bônus" ou um "livro digital" que supostamente acompanha o álbum, fuja. Nada disso existe oficialmente. O único material bônus autorizado foram dois videoclipes que foram dirigidos pela própria banda e estão disponíveis no DVD oficial "Ratos de Porão — Ao Vivo", lançado em 2001.

Alternativas se você curtiu o som

Se após ouvir Feiticeiras e Lampreias você quiser continuar na mesma linha, os discos seguintes da banda, como "A Lenda do Cuscuz de Pimenta" (2001) e "O ódigo Barba Azul" (2007), mantêm a mesma energia mas com produção mais polida. Se preferir algo mais próximo do thrash tradicional americano, "Pornograffitti" (1994) do próprio Ratos de Porão é um clássico anterior que muitos consideram superior em termos de composição. Um detalhe técnico que talvez passe despercebido: a guitarra nos primeiros três discos da banda, incluindo Feiticeiras e Lampreias, foi tocada por Tico Santa Cruz em alguns trechos e por outros músicos em outros. A diferença de toque é perceptível se você comparar com ouvidos atentos. Não é algo que estrague a experiência de ouvir, mas muda a leitura do álbum se você prestar atenção. Agora, se você estava procurando outra coisa com esse termo — talvez conteúdo educativo, documentário, ou material diferente — pode ser que tenha havido uma confusão de busca. O nome ficou conhecido principalmente pelo álbum e por aí a internet espalhou informações erradas. Verifique sempre a fonte antes de confiar no que aparece no topo dos resultados.