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Fernando De Noronha Golfinhos

Fernando De Noronha Golfinhos

O que realmente acontece quando você vê golfinhos em Fernando de Noronha

A maioria dos turistas pensa que é só contratar um passeio e pronto. O problema é que a logística desse lugar já resolve metade do trabalho sozinho. Você precisa chegar até a ilha, reservar com antecedência, e ainda contar com o tempo que Deus oferece. Se você acha que vai aparecer lá e entrar num barco sem plano, vai passar uma semana se arrependendo. Fernando de Noronha é um archipiélago pertencente a Pernambuco, situado a cerca de 354 quilômetros do litoral nordestino. A reserva marinha foi criada em 1988, e desde então o acesso é controlado pelo ICMBio. Todo visitante paga uma taxa de preservação, que varia conforme a idade e a nacionalidade. Isso não é burocracia desnecessária, é o que mantém o ecossistema funcionando.

Como funcionam os passeios de fernando de noronha golfinhos

Os golfinhos-rozeiros (Sotalia guianensis) são os moradores mais visíveis da região. Eles vivem em grupos pequenos, geralmente entre três e quinze indivíduos, e ficam próximos à costa durante boa parte do dia. O horário mais produtivo para avistamento varia conforme a maré e a estação, mas a janela das oito da manhã até o meio-dia é a mais consistente. Existem basicamente dois tipos de embarcação para essa atividade. Os jangadões, que carregam entre vinte e trinta pessoas, oferecem uma visão mais ampla mas aproximam-se muito pouco dos animais. As lanchas menores, com oito a doze passageiros, entram em águas mais rasas e permitem uma observação mais próxima, porém sofrem mais com o balanço. A taxa de aproximazione máxima permitida pela portaria do ICMBio é de cinquenta metros. A equipe a bordo é obrigada a desligar o motor quando os golfinhos estão na faixa de segurança. Isso significa silêncio completo, o que é estranho numa primeira vez, mas depois de vinte minutos você se acostuma e percebe que é exatamente assim que os animais se comportam naturalmente.

No meu caso, a primeira vez que fiz esse passeio eu levei equipamento de mergulho subaquático porque queria registrar os golfinhos por baixo d'água. O problema foi que o traje pesado limitava minha mobilidade na embarcação, e eu acabei ficando tonto com o balanço e a exposição solar. A solução que encontrei foi simplificar: câmera compacta à prova d'água, boné com abas largas, e protetor solar de índice cem aplicado a cada dois horários, não a cada três, como recomenda a bula. A diferença é que o produto escorre mais rápido quando você entra na água com frequência.

Baía dos Golfinhos (Fernando de Noronha) - Melhores dicas antes de ir ...
Baía dos Golfinhos (Fernando de Noronha) - Melhores dicas antes de ir ...

Dados técnicos sobre a espécie e o comportamento

O golfinho-rotador atinge entre um metro e cinqüenta e dois metros de comprimento. O peso varia de setenta a cem quilos nos machos e de conseqüentemente menos nas fêmeas. Eles se alimentam principalmente de peixes demersais, como linguados e corvinas, além de lulas. A caça é cooperativa, o que explica por que eles raramente ficam isolados. Um detalhe que pouca gente leva em consideração é a termorregulação. A água ao redor da ilha fica entre vinte e quatro e vinte e oito graus Celsius durante todo o ano. Os golfinhos não precisam migrar para águas mais quentes no inverno, o que significa que você pode avistá-los em qualquer mês. A diferença real está na quantidade de chuva e na visibilidade subaquática. Outro aspecto relevante é a sincronização com as marés. As marés de sizígia, aquelas que acontecem nas luas nova e cheia, geram correntes mais fortes que concentram o plâncton e, por consequência, os peixes menores. Os golfinhos seguem esse fluxo. Se você optar por fazer o passeio nos dias próximos a essas fases lunares, a probabilidade de avistamento aumenta consideravelmente, mas a agitação das águas também aumenta. Lanchas pequenas nessa condição ficam instáveis além do recomendável.

Há ainda a questão da poluição luminosa e sonora. Nas proximidades do porto principal, a presença de embarcações recreativas gera ruído constante. Os golfinhos tendem a evitar essas áreas durante o dia. Eles retornam nos primeiros horários da manhã, antes que o tráfego de barcos se intensifique. Isso explica por que os passeios que saem antes das sete e meia têm taxas de avistamento significativamente maiores.

Problemas práticos que ninguém conta

O primeiro problema é a cota de visitantes. O ICMBio limita o número de pessoas na ilha a duzentos e cinquenta por dia. Isso inclui moradores e funcionários, não apenas turistas. Quando a reserva atinge esse limite, os passeios são cancelados ou adoados. Eu já passei dois dias aguardando cancelamentos para conseguir uma vaga, e no final consegui apenas um horário às onze e trinta, que é exatamente o pior período. O segundo problema é a imprevisibilidade dos animais. Mesmo com toda a tecnologia de sonar e GPS que as operadoras utilizam, os golfinhos podem decidir mudar de comportamento naquele dia específico. Eu testemunhei um caso em que um grupo de oito indivíduos ficou perto da embarcação por quase quarenta minutos, nadando em círculos, e depois simplesmente desapareceu sem explicação aparente. Não há protocolo para isso. Os pesquisadores locais também não conseguem prever. O terceiro problema é a qualidade dos equipamentos de observação. Muitos passeios oferecem binóculos compartilhados que estão frequentemente sujos ou empanados. Leve o seu próprio par. Um binóculo de oitenta milímetros com aumento dez por quarenta é suficiente, desde que tenha estabilização. Sem estabilização, a imagem tremerá tanto que você perderá o animal antes mesmo de perceber que ele estava ali.

Baia dos Golfinhos (Fernando de Noronha) - 2019 All You Need to Know ...
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Existe também a questão da saúde. A altitude da ilha é baixa, mas a exposição solar é intensa devido à reflexão da água. Queimaduras acontecem com frequência, especialmente em pessoas que não estão acostumadas com o clima tropical. Use repelente contra insetos, porque os mosquitos aparecem nos horários de transição entre a manhã e a tarde, e picos de calor podem causar desidratação rápida.

Alternativas quando o avistamento não acontece

Se você passar três dias sem ver golfinhos, o que é raro mas possível, considere focar em outras atividades. As praias do Leão e do Sancho oferecem condições excelentes para snorkeling. A visibilidade subaquática nesses locais pode ultrapassar quinze metros em dias claros. Tartarugas marinhas são frequentes, especialmente na área recifal. Outra opção é acompanhar os passeios de whale watching, que operam entre agosto e novembro. As baleias-francas (Eubalaena glacialis) migram para as águas quentes do arquipélago durante esse período. Os avistamentos são mais longos e previsíveis, mas a temporada é restrita e a demanda é alta. Se a sua única preocupação é fotografar golfinhos, considere estudar o comportamento deles com antecedência. Livros como Dolphins of the World, de Lesley and Dick Mills, oferecem informações sobre a linguagem corporal desses animais. Saber distinguir entre um grupo que está caçando e um que está descansando pode fazer toda a diferença na hora de escolher o horário e a localização.

A taxa de preservação custa atualmente o equivalente a aproximadamente cinco dólares americanos por dia para visitantes brasileiros. Para estrangeiros, o valor é maior, cerca de onze dólares. Esses valores são revisados anualmente pelo ICMBio, então verifique o site oficial antes de planejar a viagem. O pagamento é feito online, via plataforma do governo federal, e o comprovante deve ser apresentado no embarque. O que mais me incomoda nessa experiência toda é a pressão comercial. Algumas operadoras prometem avistamento garantido, o que é tecnicamente impossível. Quando o animal não aparece, a frustração do turista é enorme, e a culpa recai sobre a empresa, que por sua vez acaba acelerando os barcos para encontrar os golfinhos mais rápido, o que vai contra os princípios da observação responsável. Não existe garantia. O que existe é uma combinação de preparo, paciência e um pouco de sorte.

Fotos da Baía dos Golfinhos, em Fernando de Noronha, Pernambuco
Fotos da Baía dos Golfinhos, em Fernando de Noronha, Pernambuco