Frases Com There Is E There Are
Existem e existência em inglês: o que todo mundo explica errado
A maioria dos material didáticos trata "there is" e "there are" como se fossem traduções diretas de "existe" e "existem". Isso não é verdade, e seguir essa lógica vai te enroscar em coisas simples como descrever uma sala ou explicar quantos itens têm em um armário. O problema é que "there" aqui não é um advérbio de lugar. É um sujeito gramatical fantasma, sem significado real. A estrutura serve para anunciar a existência ou presença de algo em um contexto. No início eu também cometia esse erro, explicando pra alunos que "there" significava "lá" e que a tradução era literal. Funcionava para frases básicas, mas quando aparecia construção com quantidades, plurais incontáveis, ou situações onde o sentido de lugar era o real, tudo desmoronava. A virada foi entender que "there is/are" funciona como um operador de existência, não de localização.
Frases com there is e there are na prática
A regra básica é simples demais pra ser o suficiente. Use "there is" com substantivos singulares e incontáveis. Use "there are" com substantivos plurais. Mas a parte que ninguém destaca é que o "there" nunca cai da frase. Em português você pode dizer "tem gente" ou "há gente". Em inglês, "there is people" já está errado gramaticalmente, e "people are" sem o there soa como se você estivesse indicando posição, não existência. Vou dar um exemplo prático. Eu estava corrigindo redações de estudantes e notei um padrão recorrente: eles escreviam "In my house has a big garden". A correção imediata seria "There is a big garden in my house". O erro vem de calcar o português "tem" diretamente. "Has" é posse, não existência. Essa distinção é a barreira mais importante pra quem fala português. A contração também merece atenção. "There's" é aceito no fala informal tanto para singular quanto para plural em muitos sotaques. Nativo falante vai dizer "there's three books on the table" sem pensar duas vezes. Não é gramaticalmente impecável, mas é como as coisas realmente são ditas. Para escrita formal ou provas, mantenha a distinção: "there is" singular, "there are" plural.
Outro ponto que causa confusão: a negação. "There isn't" e "there aren't" seguem a mesma lógica de concordância. Mas preposições depois da estrutura também importam. "There is a problem with..." não é o mesmo que "There is a problem about...". A primeira é a forma natural. A segunda soa estranha na maioria dos contextos.

Pegadinhas que livros didáticos ignoram
A primeira pegadinha séria aparece com listas. Quando você começa uma frase com "there is" mas depois enumera vários itens plurais, a concordância fica travada. A forma mais comum e aceitável é manter o singular no verbo principal e ajustar a lista depois. "There is a pen, two notebooks, and a stapler on the desk." Soa melhor do que forçar "there are" antes de um singular. É uma decisão estilística, não gramatical, mas nativo fazem isso o tempo todo. A segunda pegadinha é com substantivos que parecem plurais mas são incontáveis. "There is information" está correto. "There are information" está errado, mesmo que "information" pareça algo que poderia ser pluralizado. Palavras como advice, furniture, equipment, luggage seguem a mesma regra. Sempre "there is" com elas. Um caso específico que me pegou em 2019: eu estava traduzindo um relatório técnico e precisei usar "there is" com "data". Tecnicamente, "data" é plural de "datum", mas no uso contemporâneo americano e britânico moderno, "data" é tratada como incontável na maior parte dos contextos. Escrevi "there are data" num email corporativo e recebi corretivos de dois colegas britânicos e um americano. A forma segura: "there is data" na maioria das situações profissionais atuais. Só use "there are data" em contextos acadêmicos estritos ou científicos onde o tratamento plural ainda é padrão.
Formação correta passo a passo
Comece identificando o que você quer afirmar como existente. Depois decida se é singular, plural ou incontável. Monte a estrutura na ordem fixa: there + is/are + sujeito + complemento. Não inverta. Não coloque o sujeito antes do verbo como faria em português. A ordem é rígida. Exemplo completo: você quer dizer "tem um problema na cozinha". Identifique o sujeito: "a problem" (singular). Estrutura: there is + a problem + in the kitchen. Resultado: "There is a problem in the kitchen." Se fosse "dois problemas": "There are two problems in the kitchen." A numeração antes do substantivo não muda a regra. "Two" é plural, então "there are". Para perguntas, inverta o sujeito fantasma e o verbo: "Is there...?" para singular e incontável. "Are there...?" para plural. A resposta curta segue o mesmo padrão: "Yes, there is." / "No, there aren't." Nada de "yes, it is" ou variações. O "there" permanece como sujeito da resposta.
Uma observação útil sobre pronúncia: "there is" quase sempre se contrai pra "there's" no fala cotidiano. "There are" raramente se contrai pra "there're" porque soa awkward pra maioria dos falantes. Evite tentar usar "there're" em contexts formais. Prefira manter a forma completa ou reestruturar a frase.

Quando a estrutura falha completamente
"There is/are" não funciona para ações. Se você quer dizer que alguém está fazendo algo, use o presente contínuo normal. "There is someone cooking" é aceitável como existência de uma pessoa que está cozinhando, mas se o foco é a ação, "Someone is cooking" é muito mais direto e claro. A estrutura de existência adiciona uma camada desnecessária quando o verbo principal já carrega o sentido completo. Também não use essa construção para posse direta. "I have a car" nunca vira "There is a car that I have". Isso é redundância inflada. A estrutura de existência existe para introduzir novos tópicos na conversa, não para substituir "have" ou "own". Se você já mencionou o objeto antes, use pronome normal. O maior limitador é contexto. Frases como "There is no point in..." ou "There is no way to..." usam a estrutura corretamente, mas quem está aprendendo muitas vezes tenta aplicar a regra de existência literalmente e acaba gerando construções truncadas. O "there" nessas expressões idiomáticas perdeu praticamente todo o sentido original de existência. Aprenda como blocos fixos, não como regras gramaticais aplicáveis.
Resumindo sem resumir: a chave é parar de traduzir mentalmente e começar a reconhecer o padrão como uma unidade funcional. Pratique com frases reais, não isoladas. A repetição exposta a variações naturais é o que transforma a regra decorada em uso automático.
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