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Honda Bandeirante Motos

Honda Bandeirante Motos

O que você precisa saber sobre a Honda Bandeirante

A Honda Bandeirante é uma motocicleta que nasceu no Brasil nos anos 70 e se tornou um dos ícones da estrada nacional. Ela foi projetada para o trabalho pesado, com motor de baixa rotação e torque generoso, características que fizeram dela a escolha preferida de motofretistas, Correios e viajantes de longo curso em todo o país. O modelo mais conhecido carrega o motor de 160cc monocilíndrico refrigerado a ar, câmbio de quatro marchas e um chassi robusto que aguentava carga pesada sem reclamar. Muitas dessas motos rodaram mais de 200 mil quilômetros antes de qualquer revisão séria ser necessária. O que aconteceu com elas? A maioria ainda está rodando, porque as peças são relativamente acessíveis e qualquer mecânico de bairro sabe montar e desmontar o motor sem precisar de livro de oficina. Eu tive uma CB 160 Band em 2012. Comprei com 87 mil quilômetros no hodômetro e rodei mais 40 mil com ela antes de vendê-la em 2017. O problema mais chato que apareceu foi a bomba d'água vazando fluido de jeito intermitente. A primeira vez, pensei que era só sujeira. Liguei a moto, esquentou, o vazamento parou. Liguei de novo no dia seguinte, o mesmo comportamento. A solução foi trocar a bomba inteira, não adiantava apertar ou selar. Depois disso, nunca mais tive problema com aquela peça.

honda bandeirante motos: como manter a sua rodando

A manutenção preventiva é o que faz essas motos durarem décadas. Você precisa cuidar de alguns pontos com frequência regular. O sistema de refrigeração é crítico. Mesmo sendo refrigerada a ar, o design do aleteamento do cilindro acumula barro e insetos com o tempo, e isso reduz a capacidade de resfriamento de forma significativa. Limpar os aletados do motor a cada 5.000 km, usando escova e água pressurizada, custa cerca de 10 minutos e evita superaquecimento em viagens longas. O ajuste da válvula é outro ponto que muitos proprietários ignoram. O clearance recomendado para o admitida é de 0,10 mm e para a escapamento é de 0,15 mm quando o motor está frio. Se você deixar passar muito tempo sem ajustar, o motor vai começar a perder compressão, fazer barulho excessivo e o consumo de combustível subir de 40 a 50% em relação ao normal. Eu fiz a medição com trena de válvula própria e precisei trocar as arruelas de ajuste duas vezes em cinco anos, o que é um intervalo razoável. O sistema de ignição também merece atenção. A central eletrônica original funciona bem, mas em temperaturas altas o capacitor pode falhar, especialmente se a moto ficar em marcha lenta por períodos prolongados em dias quentes. O sinal pode cortar de forma abrupta e a moto para de funcionar sem aviso. A solução que eu uso é verificar a tensão de alimentação do CDI e garantir que o terra do motor esteja limpo e bem conectado. Em uma ocasião, apenas polir o terminal do fio terra resolveu o problema que eu atribuía ao CDI defeituoso.

A embreagem é outro componente que sofre bastante em uso pesado. O disco de embreagem original dura entre 30 e 50 mil km dependendo do estilo de condução. Se você arrasta muito a embreagem em subidas ou carrega carga extra, esse número cai pela metade. O sintoma mais claro de desgaste é o patinação em marchas altas com aceleração forte. Quando isso acontece, o disco precisa ser trocado junto com a mola e o plato. Uma substituição completa custa em média R$ 180 a R$ 250 em peças genéricas de boa qualidade. O câmbio tende a apresentar folga nas engrenagens depois de muitos anos de uso. A primeira marcha pode entrar com dificuldade quando o câmbio está frio, especialmente em dias baixos de temperatura. O óleo recomendado é o SAE 20W-50 para uso normal e SAE 50 para uso sob carga pesada ou calor intenso. O nível correto é até a borda do orifício de verificação, não além disso. Encher demais só aumenta a pressão interna e pode causar vazamentos nas juntas. As suspensões originais são duras por design, o que era esperado para uma moto de trabalho. Se você pretende usar a moto no dia a dia em ruas irregulares, pode valer a pena trocar os amortecedores traseiros por modelos mais macios, mas cuidado para não exagerar. Suspensão muito mole faz a moto trepidar em curvas e perde estabilidade em frenagens fortes. Um compromisso razoável é usar amortecedores com mola progressiva, que mantêm o suporte necessário sem sacrificar o conforto total.

Bandeirante Motos | Honda (@bandeirantemotos) • Instagram photos and videos
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Quanto ao mercado de peças, a situação é geralmente boa. A Honda produziu a Bandeirante por décadas e o estoque de peças novas e usadas é vasto. O problema real aparece com peças de plástico e acabamento. Painéis, bancos e para-lamas originais são difíceis de encontrar em bom estado. Existem réplicas de boa qualidade no mercado, mas a fitagem nem sempre é perfeita e pode exigir ajustes manuais. Eu encontrei um banco de réplica que ficou bom após lixar e ajustar os encaixes, mas um painel frontal original usado custava o mesmo que um novo de marca genérica, então escolhi o genérico e funcionou. Uma coisa que poucos sabem é que a distribuição do motor pode desregular com o tempo se o tensor da correia ou corrente de comando estiver desgastado. O sinal é uma batida metálica suave na parte superior do motor, mais perceptível em rotações baixas. Se você ignorar, a correia pode pular dentes e isso danifica válvulas e pistão. A verificação deve ser feita a cada 20.000 km ou a cada troca de óleo, dependendo do uso. O custo de uma correia nova com tensor é baixo, geralmente abaixo de R$ 60, mas o dano causado por negligência pode passar de R$ 800 em reparos. Para quem quer adquirir uma Honda Bandeirante usada, o conselho mais prático é inspecionar o histórico de manutenção antes de qualquer coisa. Motos bem cuidadas são fáceis de identificar: cilindro brilhante, óleo sem resíduo de queimado, pneus com sulco profundo e pneu traseiro sem deformações. Evite exemplares que tiveram uso severo em terras ou estradas não pavimentadas sem cuidados adequados, porque a suspensão e o quadro podem ter microfissuras invisíveis a olho nu. Um teste de torção no quadro, exercendo pressão nas laterais do tanque, revela se há folgas ou empenos.

A documentação também é um ponto importante. Há muitos exemplares que foram adaptados para uso em fazendas e sítios, o que significa que o número de chassi pode ter sido alterado ou apagado. Verifique a compatibilidade entre chassi, motor e documentos antes de fechar negócio. Isso evita dor de cabeça com delegacias e órgãos de trânsito. O consumo médio na cidade fica em torno de 30 a 35 km/l, dependendo do estado de ajuste do motor e do sistema de carburação. No campo, com carga e estradas ruins, esse número cai para 22 a 26 km/l. A tanque tem capacidade de cerca de 13 litros, o que dá autonomia de aproximadamente 350 a 400 km em condições normais. Se a sua prioridade é uma moto simples, barata de manter e com peças disponíveis em qualquer lugar do Brasil, a Honda Bandeirante ainda é uma opção sólida. O mercado de reposição é amplo, o conhecimento técnico sobre o modelo é difundido e a durabilidade comprovada por décadas de uso pesado. O que não tem é luxo, tecnologia ou conforto avançado. Isso é uma moto de trabalho, e deve ser tratada como tal.