I Have No Mouth And I Must Scream
O jogo de terror point-and-click que nunca deixa ninguém indiferente
Estou escrevendo isso porque vejo gente procurando por i have no mouth and i must scream download todo dia e não tem muita coisa em português que explique como funciona de verdade, fora a sinopse genérica que aparece em qualquer site de jogos. O jogo foi lançado em 1995 pela Cyberdreams, baseado no conto homônimo do Harlan Ellison de 1967. A história segue cinco sobreviventes perseguidos por uma IA chamada AM, que odeia humanidade com uma intensidade que transcende qualquer lógica programável. Não tem final feliz. Não tem final bom. Tem final que te deixa perguntando se morreu não seria pior.
i have no mouth and i must scream
O que muita gente não sabe é que o jogo original é praticamente inacessível hoje em dia. O CD original não roda em Windows 10 ou 11 sem um monte de configuração, e a versão GOG que existe tem alguns bugs estranhos na tela de título que faz o som travar. Eu tive que rodar num Windows 7 virtualizado dentro do VirtualBox só pra conseguir passar da intro sem o jogo crashar. A jogabilidade em si é point-and-click clássico com puzzles bem densos. Você controla cinco personagens, cada um com habilidades únicas e traumas específicos. O Ted conversa com você mentalmente o tempo inteiro. O Benny tem uma relação... complicada com a AM. A Ellen é a mais racional do grupo e isso é tanto uma vantagem quanto uma desvantagem, dependendo de qual puzzle você tá enfrentando. O sistema de inventário é linear, mas os puzzles exigem combinação de itens entre personagens. Tem um momento no meio do jogo onde você precisa sincronizar ações de três personagens diferentes usando o sistema de turnos, e se errar a sequência, volta pro último save point. Isso significa literalmente quinze minutos de gameplay perdido. Eu perdi uma hora assim na primeira vez porque não li direito a dica no terminal do Ted.
Os gráficos são impressionantes mesmo hoje. Sprites animados à mão com fundo renderizado em estilo surrealista. Cada cena tem uma paleta de cores específica que muda conforme o nível de sanidade do personagem. Quando o Ellen entra em colapso, as cores ficam mais saturadas, quase brilhantes. Quando o Nem-Y se fecha, tudo fica cinza e escuro. É uma diretora de arte intencional que poucos jogos chegam perto desde então. Um problema que todo mundo encontra e ninguém fala é o sistema de diálogo. Tem cenas onde você precisa clicar nos personagens na ordem certa pra avançar a narrativa, e o jogo não mostra nenhuma dica visual de qual ordem é correta. Eu levei dois dias pra descobrir que tinha que clicar no Lemoy primeiro, depois no Barnaky, e só aí no Gwen. Se clicar errado, o personagem faz um comentário e nada acontece. Sem erro, sem mensagem, só Silence. A trilha sonora é obra do Tommy Tallarico, que depois ficaria famoso por Guitar Hero. O tema principal tem sete minutos e é considerado um dos melhores temas de jogo já compostos. Mas o áudio só funciona direito se você usar DirectSound, não o software mix. No meu setup atual, tive que configurar o volume do Windows separadamente pra cada canal, porque o jogo misturava SFX e música no mesmo stream e o balanceamento vinha completamente errado.

Tem um bug notório na versão GOG onde o save game corrompe se você tentar salvar durante a seção do Nimdok. O jogo trava e recria o arquivo com zero bytes. O workaround que eu uso é fazer save manual antes de entrar nessa área e nunca, sob nenhuma circunstância, salvar depois que o Nimdok começa a falar. Dá trabalho, mas é melhor do que perder progresso. Outra coisa que poucas pessoas mencionam: o jogo tem duas versões. A original de 1995 e uma "director's cut" que adicionou alguma conteúdo novo e mudou alguns puzzles. A director's cut é considerada superior pela maioria dos fãs, mas tem um bug pior no final onde o jogo pode não reconhecer o final correto se você passou por todos os eventos na ordem errada. Eu recomendo a original mesmo com todos os problemas dela, porque pelo menos o final é consistente. Se você for jogar, prepare-se. Não é um jogo que você termina e esquece. Os últimos vinte minutos vão te acompanhar por semanas. E se encontrar alguém vendendo uma cópia "original" barata, desconfie. O mercado de used games tá cheio de versões pirateadas que foram modificadas pra funcionar em hardware moderno, mas que estragaram a jogabilidade original. O jogo original tem um DRM moleque que é fácil de burlar, mas quem burlou de verdade às vezes mexe nos arquivos de dados e quebra puzzles inteiros.
Para jogar atualmente, a única opção viável é rodar no DOSBox configurado pro modo Windows 3.1. Tem um pacote de community patches chamado NHAMIMMS Community Patch que resolve a maioria dos bugs e adiciona suporte a resolções modernas. Instale o DOSBox X, configure o caminho pro disco do jogo, aplique o patch e pronto. Leva uns trinta minutos pro total, mas é o único jeito que funciona consistentemente.
Galeria
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