Incapaz É Prefixo Ou Sufixo
O que é morfologia e por que a dúvida existe
Quando a gente começa a estudar formação de palavras em português, logo se depara com termos como sufixo, prefixo, radical e vogal temática. A confusão é normal. Muitas línguas têm mecanismos parecidos e, às vezes, o mesmo elemento serve para mais de uma coisa dependendo do contexto. A resposta curta e direta é: nem um nem outro. O incapaz não é um afixo. Ele é uma palavra completa — um adjetivo que significa "aquele que não tem capacidade". A dúvida que levou à pergunta normalmente surge porque os estudantes acabam analisando os pedaços internos da palavra sem considerar que o prefixo in- e o sufixo -az existem de fato, mas a combinação deles gera um termo lexicalizado. Deixa eu explicar de um jeito prático. Se eu falo "incapaz" e você tenta decompor, o que aparece é:
- in-: prefixo de negação, de origem latina, presente em palavras como impossível, infinito, invisível
- capaz: radical, também de origem latina (capax), que significa "que tem capacidade"
- -az: aqui entra a nuance. Alguns gramáticos consideram o -az um sufixo adjetival arcaico, mas o consensus da linguística moderna trata o conjunto capaz como uma unidade lexicallizada, não como "radical + sufixo livre"
Então, tecnicamente, o que existe dentro de incapaz são elementos morfossintáticos que funcionam como prefixo e como parte de um adjetivo já consolidado, mas a palavra inteira não é um afixo. Ela funciona como adjetivo no uso real. Eu tenho uma regra que uso desde que comecei a dar aula de língua portuguesa e que funciona na maioria das vezes: teste a substituição. Se você pode trocar o elemento por outro e a palavra mantém a estrutura produtiva, provavelmente é um afixo. Se a substituição gera um nonsense ou uma palavra completamente diferente em significado, é provável que você esteja olhando para um termo lexicalizado. Vamos testar com o in-:
- in + possível = impossível
- in + feliz = infeliz
- in + capaz = incapaz
Percebeu o padrão? O prefixo in- é altamente produtivo. Ele aparece em dezenas de palavras e mantém a mesma função de negação. Isso é sinal clássico de um verdadeiro prefixo. Agora, e se a gente tentar testar o -az como sufixo? Bem, aqui a coisa muda de figura. Não existe uma série produtiva de palavras terminadas em -az que siga o mesmo padrão morfológico. Palavras como "alegre", "veloz", "feroz" compartilham uma terminação parecida, mas a etimologia é diferente e o sufixo não é produtivo no sentido de gerar novas palavras de forma sistemática.

A pegadinha que quase todo mundo leva
Eu já vi aluno tentar analisar "incapaz" dizendo que "in" era prefixo e "capaz" era sufixo. Ou vice-versa. Às vezes, no calor da hora, a gente esquece que a direção da derivação importa. Prefixo vem antes do radical. Suxivo vem depois. No caso de incapaz, a derivação é prefixal: in- + capaz. O radical é cap-, que carrega o sentido de "pegar, capacidade", e o -az (se existir como morfema) é parte integrante dessa lexicalização específica. Mas não tente usar o -az para criar novas palavras, porque isso simplesmente não funciona no português contemporâneo. Uma coisa interessante que notei estudando o assunto: alguns dicionários etimológicos classificam o -az como um sufixo adjetival latino (-āx, -ācis), mas no português moderno ele não tem mais esse status produtivo. Ele aparece em palavras herdados do latim, mas não é um sufixo ativo para formação de neologismos.
Dica prática para não errar mais
Quando estiver analisando uma palavra, primeiro identifique se ela é um afixo isolado. Afixos nunca existem sozinhos na fala — eles precisam de um suporte morfêmico. "In-" sozinho não é palavra. "-az" sozinho também não. Ambos são elementos dependentes. Depois, verifique a produtividade. Um sufixo ou prefixo produtivo gera múltiplas palavras em uso corrente. Um elemento não produtivo provavelmente é parte de um empréstimo lexical ou de uma formação histórica que parou de ser ativa na língua. Para o caso específico de incapaz, o que interessa mesmo é saber que ele é um adjetivo com estrutura prefixal (in- + capaz), e que essa classificação é suficiente para a maioria dasfinalidades acadêmicas e práticas. Você não precisa entrar no mérito discutível do -az para entender como a palavra funciona no português do dia a dia.
Se quiser confirmar, consulte o Houaiss ou o Novo Dicionário Eletrônico Aurélio. Ambos tratam "incapaz" como adjetivo de dois gêneros, derivado de "capaz" com o prefixo negativo in-. Sem grandes complicações.

Galeria
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Prefixo e sufixo: o que são, lista, tipos, exemplos - Brasil Escola -
Prefixo e Sufixo - Classificação em grupos -
Prefixos e sufixos