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Infinitivo Pessoal E Impessoal

Infinitivo Pessoal E Impessoal

Infinitivo em português: o que você precisa saber para não errar

Muita gente estuda português e ainda assim trava na hora de usar o infinitivo pessoal. O problema não é a regra em si, é que os materiais didáticos tratam o assunto como se fosse uma coisa simples, quando na prática tem armadilha em todo canto. Eu passei anos corrigindo textos e artigos jurídicos antes de começar a ensinar isso, e posso te garantir: quase todo mundo erra no mesmo lugar. O infinitivo impessoal é a forma básica do verbo, aquela que aparece nos dicionários. Falar, comer, viver, partir. Não tem conjugação, não indica pessoa. Serve para completar o sentido de outras palavras ou funcionar como substantivo. "Gosto de correr." Pronto, está aí um infinitivo impessoal. O infinitivo pessoal é essa mesma forma, mas conjugada em todos os modos. Tem desinência de pessoa e número. Eu falar, tu falares, ele falar, nós falarmos, vós falardes, eles falarem. Pode parecer confuso à primeira vista, mas o padrão é sempre esse: raiz do infinitivo mais as desinências apropriadas. A única exceção importante é o verbo "ser", que no infinitivo pessoal fica "ser eu, seres tu, ser ele, sermos nós, serdes vós, serem eles". Verbos irregulares não têm surpresas aqui, o pessoal só se conjuga no infinitivo de forma regular mesmo.

A questão é quando usar um e quando usar outro. A regra básica que todo mundo aprende é: usa-se o impessoal quando o sujeito é o mesmo da oração principal, e o pessoal quando os sujeitos são diferentes. Mas isso é só o começo, porque na prática a situação é bem mais complicada do que parece. Eu tive um caso recente com um cliente que estava elaborando um contrato. O texto original trazia a seguinte cláusula: "O fornecedor se compromete a entregar os materiais, para iniciar-se o serviço no prazo de 30 dias." A construção estava errada por dois motivos. Primeiro, o uso do infinitivo pessoal ("iniciar-se") depois de "para" é questionável quando o sujeito não está claro. Segundo, a regência do verbo "comprometer-se a" pede infinitivo impessoal. O correto seria: "O fornecedor se compromete a entregar os materiais, para que o serviço se inicie no prazo de 30 dias." Note que mudei a estrutura toda, porque às vezes a solução não é corrigir o infinitivo, é mudar a oração. Outro ponto que pouca gente comenta: o infinitivo pessoal pode funcionar como sujeito da oração. "É necessário que todos trabalhem." Aqui o "trabalhem" não é infinitivo pessoal, é presente do subjuntivo. Confusão clássica. O infinitivo pessoal seria "trabalhar" (impessoal) ou "nós trabalharmos" (pessoal). Veja a diferença: "Nós trabalharmos juntos é fundamental." Aqui sim é infinitivo pessoal funcionando como sujeito. O verbo da oração principal ("é") fica na terceira pessoa do singular porque o sujeito é uma oração inteira, não um substantivo simples.

Quando o infinitivo pessoal é obrigatório

Não existe obrigatoratividade absoluta no uso do infinitivo pessoal, mas há situações em que o impessoal gera ambiguidade grave. O exemplo clássico é a oração subordinada adverbial com sujeito diferente do principal. "Quando eu chegar em casa, vou ligar para você." Você pode dizer "Quando chegar em casa, vou ligar para você." nesse caso o impessoal funciona porque o sujeito implícito é evidente. Mas se você quiser deixar claro que é outra pessoa quem chega em casa, precisa do pessoal: "Quando você chegar em casa, eu vou ligar para você." Ou então: "Ao chegar em casa, você vai encontrar algo especial." Aqui o "ao chegar" funciona com impessoal porque o sujeito é o mesmo de "vai encontrar". Em textos formais, como relatórios técnicos e artigos científicos, o uso do infinitivo pessoal é quase sempre preferível quando há mudança de sujeito, porque evita ambiguidades que poderiam comprometer a clareza do argumento. Eu já vi dois parágrafos inteiros de um relatório de engenharia serem mal interpretados porque o autor usou infinitivo impessoal onde deveria ter usado o pessoal, e o leitor assumiu que o sujeito da ação era o engenheiro quando na verdade era o contratante.

Infinitivo Pessoal e Infinitivo Impessoal - Toda Matéria
Infinitivo Pessoal e Infinitivo Impessoal - Toda Matéria

Os erros mais comuns

O erro mais frequente é usar infinitivo pessoal depois de preposição quando o sujeito é o mesmo. "Estou pronto para sair." Não se diz "Estou pronto para sairmos" a menos que haja pluralidade específica que exija marcação de pessoa. Outro erro comum é confundir infinitivo pessoal com subjuntivo. "É importante que eu fale." Isso é subjuntivo, não infinitivo. "É importante eu falar." Isso sim é infinitivo pessoal, com a partícula "eu" destacando o sujeito. Um terceiro erro, bem mais sutil, é o uso do infinitivo pessoal em orações coordenadas onde o sujeito é o mesmo em ambas as orações. "Ele chegou tarde e saiu apressado." Não há infinitivo aqui, claro. Mas se reformularmos: "Ele chegou tarde, tendo saído apressado." O "tendo saído" é gerúndio, não infinitivo. A confusão acontece quando as pessoas tentam forçar o infinitivo pessoal em construções onde o gerúndio ou o particípio seria mais adequado. Veja este exemplo prático: "Antes de eles partirem, houve uma reunião." Aqui o "partirem" é infinitivo pessoal porque o sujeito "eles" é diferente do sujeito da oração principal (implícito, provavelmente "nós" ou "a equipe"). Se o sujeito fosse o mesmo, diríamos "Antes de partir, houvera uma reunião." ou melhor ainda, "Antes de sairmos, houve uma reunião." A escolha entre pessoal e impessoal depende inteiramente da relação entre os sujeitos das orações.

Dicas práticas para dominar o assunto

Primeiro, pare de tentar decorar regras e comece a ler bastante texto bem escrito. A melhor forma de internalizar o uso correto é expor-se a exemplos genuínos. Segundo, pratique a identificação de sujeitos implícitos. Quando você lê uma frase com infinitivo, pergunte-se: quem pratica a ação descrita pelo verbo no infinitivo? Se a resposta for o mesmo sujeito da oração principal, use o impessoal. Se for outro sujeito, use o pessoal. Terceiro, treine reescritas. Pegue um parágrafo qualquer e tente transformá-lo usando infinitivo pessoal onde seria mais claro, ou impessoal onde o pessoal geraria redundância. A minha recomendação final é a mais simples e também a mais difícil de seguir: leia textos jornalísticos de qualidade, especialmente os de revistas comoVEJA, Época e CartaCapital, que costumam ter boa norma culta. Os artigos de opinião e as reportagens longas são particularmente bons porque exigem precisão linguística sem soar artificiais. Depois, compare com textos acadêmicos e jurídicos, onde o infinitivo pessoal aparece com mais frequência devido à necessidade de clareza argumentativa. Se quiser material de exercícios, recomendo o site do CELPeB (Centro de referencia em Educação Bilíngue) e o portal da Academia Brasileira de Letras, ambos com exercícios gratuitos e bem elaborados sobre o tema. Não tenho link direto aqui porque os URLs mudam com frequência, mas uma busca rápida por "infinitivo pessoal exercícios" na web traz bons resultados imediatos.