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Instrumento Musical Afro Brasileira

Instrumento Musical Afro Brasileira

O berimbau e os outros instrumentos de origem africana no Brasil

Muita gente acha que instrumento musical afro brasileira é só o berimbau. Não é. É um conjunto inteiro de percussão, cordas e sopros que foram trazidos e adaptados ao longo de séculos, com nomes que mudam conforme a região. A confusão começa aí mesmo: quando você pesquisa sobre, acha uma porrada de informações soltas, muitas vezes contraditórias, porque a tradição oral nunca padronizou nomenclatura. Eu já passei aperto tentando identificar instrumentos em gravações antigas de samba de roda e maracatu. O problema é que um mesmo objeto pode ter cinco nomes diferentes dependendo de quem está falando e de onde veio a família. Minha solução foi cruzar fotos de acervos do Museu do Ouro Preto com documentação fonográfica da Radio MEC dos anos 1940. Funcionou, mas levou semanas. Se você quer fazer algo parecido, anote tudo desde o início e já monta uma planilha de comparação.

Quem faz música com instrumento musical afro brasileira hoje

O berimbau-de-baiao (aquele de duas cordas ou com chocalho de cabaça), o agogô, o atabaque, o banjo nordestino, o tambor de crioula e o reco-reco são os principais. Cada um tem uma função específica dentro do formato Ensemble. O agogô não é só "sininho de ferro". Ele define o compasso e a métrica, geralmente em 2/4 ou em polirritmias de 6/8 contra 2/4, e errar a afinação dele desanda todo o grupo. Eu já vi regente de maracatu trocar o aro do instrumento porque o aço estava fadigado e o som tinha entrado no ruído. Custou caro, mas resolveu. O atabaque merece atenção separada. Existem pelo menos três modelos principais: o rum (grave), o rum-iantchê (médio) e o lé (agudo). Cada um toca um papel diferente na condução do toque. O erro mais comum que eu vejo é gente comprar atabaque genérico de loja online sem saber a diferença entre pele de cabra curtida a frio e pele sintética. O resultado é que o instrumento não responde bem aos golpes de mão e você perde controle dinâmico. A pele de cabra ainda é insuperável para execução profissional, mas exige controle de umidade. Deixe o atabaque longe de ar-condicionado direto e mantenha a sala entre 50% e 60% de umidade relativa. Se usar pele sintética, compre apenas de marcas reconocidas como Remo ou Aquarian, porque as genéricas distorcem em frequências altas. O banjo nordestino, por sua vez, é completamente diferente do banjo americano. É um instrumento de 4 cordas, com escala curta e corpo em forma de meia-lua, herança dos escaravelhos trazidos por escravizados angolares. A afinação padrão é G-C-D-G, mas existem variações regionais. Muitos instrumentistas tentam adaptar cifras de violão e o resultado é catastrófico porque o intervalo entre cordas não permite os mesmos acordes. Aprenda a digitção nativa antes de tentar transporanything.

Como adquirir e praticar

Se você quer começar, não compre o primeiro berimbau na Amazon. A maioria dos modelos vendidos lá tem cabo de madeira não tratada e a cabaça trincada em trânsito. Vá até um ateliê de artesãos especializados. A região de Salvador e a zona da mata pernambucana têm fabricantes confiáveis. Eu recomendo pesquisar por ateliês vinculados à Escola de Música da UFBA ou ao Grupo Olodum, porque os artesãos que trabalham com eles costumam entregar instrumentosaferidos e com garantia de acabamento. O preço varia de R$ 150 a R$ 800 para berimbaus funcionais, e de R$ 400 a R$ 2.500 para atabaques de pele vegetal. Para praticar sozinho, o segredo é o uso de pedra de quartzo ou moeda de cobre no braço do berimbau para ajustar a afinação. A pedra deve ser posicionada entre o arame e a vara em um ponto que corresponda a aproximadamente 1/5 do comprimento total da corda vibrante. Posicionar errado resulta em notas desafinadas que não corrigem nem ajustando a tensão do arame. Teste batendo a pedra em diferentes pontos enquanto canta uma nota de referência e anote onde o intervalo fica mais limpo. Outro problema comum é a falta de acompanhamento rítmico para exercícios. O que eu faço é gravar loops simples de atabaque em softwares gratuitos como Audacity e tocar por cima. Gravar primeiro o rum, depois o lé, e por último o rum-iantchê leva cerca de 20 minutos e te dá uma base realista para treinar. Existe também a opção de usar metrônomo com subdivisions de 6/8, mas não substitui o contato com a pulsação viva do tambor.

Afoxe, Atabaque, Pandeiro and Berimbau - Afro-Brazilian Musical ...
Afoxe, Atabaque, Pandeiro and Berimbau - Afro-Brazilian Musical ...

O que funciona e o que não funciona

Aprender solo de berimbau é viável para amadores, mas requer paciência porque o sistema harmônico do instrumento é limitado. O berimbau só produz três notas básicas: a nota fundamental, a nota da pedra e o som aberto. Tudo que vem depois disso é variação tímbrica e técnica de mão, não mudança de afinação. Se você espera fazer melodias complexas como em um violão, vai se frustrar. O instrumento foi concebido para acompanhamento e chamada-resposta dentro do jogo de capoeira e de formatos ensemblistas, não para harmonia vertical. Quanto ao agogô, o mito de que basta bater nos sinos para fazer ritmo está muito errado. A dinâmica de ataque e a posição do bastão determinam completamente o timbre. Bastão de madeira Produz som mais quente; bastão de metal Produz ataque mais definido. Eu prefiro madeira para sessões longas porque cansa menos o pulso e não danifica o aro do sino após meses de uso. Trocar de bastão a cada exercício muda completamente a leitura rítmica do que você está tocando, então decida qual vai usar antes de começar. Não existe método universal para dominar todos esses instrumentos em pouco tempo. Cada um tem suas particularidades e a maioria dos cursos online ensina de forma superficial porque não há como filmar a técnica de mão de forma didática sem perder detalhes importantes. O caminho mais rápido continua sendo a prática presencial com algum mestre ou professor que tenha repertório vivo. Leva de 6 a 12 meses para atingir um nível básico competente em pelo menos um deles, dependendo da frequência de treino. Treino diário de 30 minutos produz resultado melhor do que 3 horas semanais, porque a memória motora desses instrumentos depende de repetição consistente.

O mercado de instrumentos artesanais ainda carece de padronização de qualidade. Antes de fechar compra, peça áudio do instrumento tocado e veja se há ruídos de cabaça solta, costuras de pele frouxas ou barras de agogô desalinhadas. Problemas desses aparecem após poucas semanas de uso e a devolução costuma ser complicada. Anote o número de série do artesão e a data da compra. Se o fabricante for sério, ele vai reconhecer e resolver. Se não reconhecer, você já tem provas para reclamar no Procon ou na plataforma de venda.