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Instrumentos De Origem Africana

Instrumentos De Origem Africana

O que são instrumentos de origem africana e por que todo mundo fala deles

São instrumentos musicais criados em diferentes regiões do continente africano ao longo de séculos. O termo não descreve uma categoria única, mas sim um grupo extremamente diverso de objetos sonoros que vão de percussões de madeira a cordas feitas com materiais naturais. Quando alguém procura por instrumentos de origem africana, geralmente está interessado em kora, djembes, balafons ou ngonis, mas a realidade é muito mais ampla do que isso. Eu trabalho com esses instrumentos há mais de quinze anos, principalmente com as tradições do Oeste africano e do Zimbabwe. O que as pessoas não entendem é que muitos desses instrumentos têm problemas específicos que ninguém explica nos sites de venda. A madeira quebra, os couros esticam de forma imprevisível, e a afinação varia conforme a altitude e a umidade do local onde você mora. Isso é importante saber antes de comprar qualquer coisa.

A kora: o instrumento mais complexo que você provavelmente vai encontrar

A kora é um alaúde-harpa de vinte e uma cordas usado pelos griots na Senegambia, Mali e Gâmbia. É um instrumento extremamente delicado e caro para manter. A ponte de madeira que sustenta as cordas tem um formato específico que exige ajuste constante. Eu já passei noites inteiras tentando fazer uma kora afinar corretamente porque a umidade mudou bruscamente durante uma apresentação ao ar livre. O truque que eu descobri foi levar um pequeno envelope de sílica gel dentro da bolsa do instrumento e trocar a cada três horas em clima seco. Muitos músicos iniciantes acham que podem simplesmente comprar uma kora online e começar a tocar. A realidade é diferente. Uma kora barata, abaixo de duzentos dólares, geralmente vem com madeiras mal secas e cordas de nylon que soam opacas. Uma kora decente custa entre seiscentos e mil dólares, dependendo do artesão. Os melhoresmakers ficam na região de Kita, no Mali, e na Senegâmbia, mas nem sempre é fácil comprar diretamente deles sem intermediários.

Como obter e manter esses instrumentos na prática

Comprar instrumentos de origem africana autênticos não é simples. Existem alguns caminhos reais. Você pode comprar de artesãos locais se viajar à África, usar importadores especializados na Europa ou América do Norte, ou adquirir réplicas feitas em países asiáticos como a China. Cada opção tem prós e contras que vale a pena analisar antes de tomar uma decisão. Comprando diretamente de artesãos africanos: Essa é a melhor opção em termos de qualidade e autenticidade. Você conhece a história do instrumento, sabe qual madeira foi usada, e tem contato direto com o maker. O problema é que muitos artesãos não têm acesso a métodos de pagamento internacionais, e o envio pode demorar semanas ou meses. Além disso, você precisa confiar que o instrumento chegou intacto após uma viagem longa. Importadores especializados: Empresas na França, EUA e Brasil importam esses instrumentos regularmente. Eles oferecem garantia, suporte técnico e, em alguns casos, ajustam o instrumento antes do envio. O custo é maior devido aos impostos e fretes, mas a segurança vale a pena. Um djembe profissional vendido no Brasil custa entre trezentos e oitocentos reais, dependendo da procedência e do couro usado.

Dentre Os Instrumentos Abaixo São De Origem Africana - RETOEDU
Dentre Os Instrumentos Abaixo São De Origem Africana - RETOEDU

Réplicas asiáticas: Instrumentos feitos na China ou na Indonésia são baratos, mas a qualidade sonora é limitada. Para estudantes iniciantes, podem servir como introdução. Para músicos profissionais, não atendem às exigências técnicas. A madeira é geralmente menos densa, e os couros têm espessura irregular, o que afeta o timbre.

O djembe: o mais popular, mas também o mais mal compreendido

O djembe é um tambor de taça feito de madeira Ouleiro e coberto com pele de cabra ou bode. Originário da região da Guiné, Mali e Costa do Marfim, tornou-se o instrumento africano mais conhecido no Ocidente. O problema é que a maioria das pessoas compra um djembe sem entender como a pele deve ser regulada. Eu já vi músicos tocando com a pele excessivamente esticada, o que produz um som agudo e metálico, completamente errado para a tradição. A regulação do djembe exige paciência. Você deve ajustar as cordas ou o sistema de tensión gradualmente, testando o som a cada pequena mudança. Um djembe bem regulado produz três tipos de som básicos: o bass (som grave), o tone (som médio) e o slap (som agudo percussivo). Cada um exige uma técnica específica de mão e posição de toque. O couro precisa ser hidrificado em climas secos. Se você mora em uma região com umidade baixa, a pele encolhe e afrouxa, perdendo tensão. Eu uso um spray de água morna com um pouco de óleo de coco para manter a pele flexível. Aplicar uma vez por semana basta na maioria dos casos. Não use produtos químicos ou óleos minerais, que ressecam a pele a longo prazo.

Problemas reais que todo mundo ignora

Existem questões práticas que raramente aparecem em materiais promocionais. A primeira é a sensitividade climática. A maioria desses instrumentos é feita de materiais orgânicos: madeira, couro, fibras vegetais. Mudanças de temperatura e umidade afetam diretamente o som e a integridade estrutural. Um balafon, por exemplo, pode desenvolver trincas na caixa de ressonância se exposto a variações bruscas. Eu já tive que colar uma trinca em um balafon antigo usando cola de peixe, uma técnica tradicional que funciona melhor que colas sintéticas para madeira porosa. A segunda questão é a disponibilidade de peças de reposição. Cordas de kora, peles de djembe, barriletes de ngoni: tudo isso se desgasta com o uso. Se você mora longe de centros urbanos com lojas especializadas, encontrar substitutos pode ser difícil. Eu recomendo sempre comprar peças extras junto com o instrumento. Uma pele reserva para djembe custa entre vinte e cinquenta reais, e evita surpresas desagradáveis durante apresentações. A terceira questão é a diferença entre instrumentos tradicionais e adaptados para ensino ocidental. Muitos fabricantes produzem versões simplificadas para escolas de música, com tamanhos menores, afinações fixas e materiais mais duráveis. Essas versões são úteis para aprendizado, mas não reproduzem o som autêntico. Se o objetivo é tocar música tradicional africana, é preciso escolher instrumentos construídos segundo os padrões originais.

Instrumentos De Origem Africana - NAZAEDU
Instrumentos De Origem Africana - NAZAEDU

Alternativas quando o instrumento tradicional não funciona

Nem sempre é possível obter um instrumento autêntico. Às vezes, o custo é proibitivo, ou o fornecedor confiável não existe na sua região. Nesse caso, existem alternativas práticas. Para iniciantes em percussão africana, tambores surdo ou pandeiros brasileiros podem oferecer uma introdução razoável aos padrões rítmicos, embora o timbre seja diferente. Para melodia, sanfonas ou violões comuns permitem explorar as escalas usadas em músicas do Oeste africano, mesmo que a afinação não seja idêntica. Outra opção é aprender com gravações e vídeos de mestres africanos antes de investir em um instrumento caro. A tradição oral é muito forte nesses contextos, e observar a técnica das mãos, a postura e o uso do corpo faz diferença no aprendizado. Eu comecei a estudar kora assistindo a vídeos de artistas como Tambour Pundi e Djelimoussa Tounkara antes de conseguir comprar meu primeiro instrumento. Isso me ajudou a desenvolver uma ideia clara do som que eu queria alcançar. Se você mora em uma cidade grande, procure por grupos de percussão ou oficinas de música africana. Muitas vezes, os professores emprestam instrumentos para alunos praticarem antes de comprar os seus próprios. Essa é uma maneira econômica de testar se o instrumento realmente combina com seu estilo de toc.

O que não funciona e por quê

Comprar instrumentos de origem africana em feiras de artesanato turísticas geralmente é uma má ideia. Os preços podem parecer atraentes, mas a qualidade é comprometida. Madeiras apressadas, couros mal preparados, acabamento irregular. O instrumento pode parecer bonito visualmente, mas o som é medíocre e a durabilidade é questionável. Eu já comprei um ngoni em uma feira no Brasil e ele rachou após três meses de uso regular. O artesão brasileiro que o fez usou madeira de pinus, que não tem a densidade adequada para esse tipo de instrumento. Também não funciona tentar afinar esses instrumentos como se fossem instrumentos ocidentais. Um djembe não se afina com chave de afinação. Ele se ajusta manualmente, ajustando as cordas ou o sistema de tensión de forma assimétrica. Ajustar tudo uniformemente pode distorcer a forma do tambor e prejudicar o som. Eu já vi músicos apertando todas as cordas ao mesmo tempo e o corpo do tambor empenou, ficando impossível de corrigir sem substituir a madeira. Outro erro comum é acreditar que qualquer tambor africano serve para qualquer estilo musical. O djembe é adequado para ritmos da região da Guiné e Mali, mas não para samba ou maracatu, que têm tradições rítmicas diferentes, apesar de ambas terem influências africanas. Usar o instrumento errado para o contexto errado resulta em um som forçado e pouco natural.

Dicas práticas que realmente fazem diferença

Se você quer levar esses instrumentos a sério, existem algumas práticas que valem a pena adotar desde o início. Armazene os instrumentos em um local com temperatura e umidade estáveis. Evite exposição direta ao sol ou perto de fontes de calor. Uma diferença de dez graus Celsius pode alterar a tensão do couro e a afinação da madeira. Aprenda a manutenção básica antes de depender de um luthier especializado. Trocar uma pele de djembe, ajustar as cordas de uma kora, hidratar um balafon: são habilidades que economizam tempo e dinheiro. Existem tutoriais em vídeo feitos por músicos africanos que explicam esses processos de forma clara. Eu recomendo assistir a vários antes de tentar fazer você mesmo, para não danificar o instrumento. Participe de comunidades online e presenciais dedicadas a música africana. Grupos no Facebook, fóruns, encontros locais: nessas redes, você encontra dicas, recomendações de fornecedores e, às vezes, até instrumentos usados à venda por músicos que estão se desfazendo deles. Eu comprei minha primeira kora usada por metade do preço de uma nova, e ela estava em excelente estado porque o vendedor anterior a mantinha bem.

Consciência Negra - Instrumentos Musicais de origem Africana
Consciência Negra - Instrumentos Musicais de origem Africana

Respeite a origem cultural dos instrumentos. Muitos deles têm significados rituais, sociais e históricos que vão além do aspecto sonoro. Usá-los apenas como adereço exótico ou para fins puramente estéticos pode ser desrespeitoso. Entenda o contexto em que cada instrumento foi criado e como ele é valorizado pelas comunidades que o produzem e preservam. Se o objetivo é apenas conhecer o som desses instrumentos, ouvir gravações de artistas consagrados já é suficiente. Músicos como Ballaké Sissoko, Toumani Diabaté, Rokia Traoré, e grupos como Les Ambassadeurs de Mali oferecem exemplos excelentes da riqueza sonora do continente africano. A experiência auditiva é o primeiro passo antes de qualquer investimento material.