Jogo Com Material Dourado Para Imprimir
Material Dourado para Imprimir: o que é e como usar
O material dourado é um recurso concreto usado no ensino da matemática, principalmente na alfabetização numérica e nas operações básicas. O conjunto original vem em plástico ou madeira e custa caro. A versão imprimível existe desde que algumas pessoas começaram a compartilhar arquivos PDF nas redes educacionais, por volta de 2015. O conceito é simples: substituir as peças físicas por versões planas recortadas. O material dourado tradicional tem quatro tipos de peças. Cubinhos representam as unidades. Barras de dez representam as dezenas. Quadrados de cem representam as centenas. E um cubo grande de mil representa as unidades de milhar. Na versão impressa, cada uma dessas formas aparece desenhada em papel, colorida ou em preto e branco, dependendo do arquivo que você encontrar.
Como baixar e preparar um jogo com material dourado para imprimir
Existem vários sites que oferecem esses materiais gratuitamente. Alguns dos mais comuns são Portinari, Esplanada, e grupos do Facebook voltados para professores do ensino fundamental. Também há arquivos no Pinterest e no Google Drive organizados por educadores. O processo básico é o seguinte. Você baixa o PDF, imprime em papel couchê ou cartolina para dar mais resistência, cola em EVA ou papelão, e recorta. Leva cerca de trinta minutos se você já tiver tudo organizado. Se estiver começando do zero, pode levar uma hora ou mais. Eu recomendo fortemente usar papel couchê 180g ou acima. Papel sulfite comum amassa rápido e as bordas começam a descascar depois de duas ou três sessões de uso. Minha primeira tentativa foi com sulfite 75g e em uma semana as peças já estavam inutilizáveis. Depois mudei para couchê e elas duram pelo menos seis meses com uso diário em sala de aula.
Outro detalhe importante é colar as peças impressas em EVA de 3mm antes de recortar. Isso dá rigidez e evita que o papel rasgue nas pontas durante o manuseio das crianças. use cola branca mesmo, diluída com um pouco de água para penetração melhor no papel. Evite cola quente diretamente no papel porque causa ondulação. Tem um problema que muita gente não menciona e que eu levei tempo para resolver. Quando você imprime as barras de dezena e os quadrados de centena no mesmo arquivo, as proporções às vezes saem ligeiramente erradas porque a impressora não escala tudo com a mesma precisão. Para corrigir isso, eu sempre testo uma unidade de cada tipo e verifico se uma barra de dez cabe exatamente dez vezes sobre as unidades, se um quadrado de cem cabe exatamente dez vezes sobre as barras, e se o cubo de mil cabe dez vezes sobre os quadrados. Se não couber perfeitamente, você ajusta a escala no driver da impressora antes de imprimir a tiragem final. O site oficial do Material Dourado Brasil, que é uma referência no assunto, disponibiliza arquivos prontos com as medidas certas. Mas atenção: mesmo nesse arquivo, a recomendação deles é imprimir em escala 100% e verificar com uma régua. Eles avisam isso nos comentários, não no corpo do documento.

Como usar o material dourado impresso em sala de aula
A aplicação prática é mais ou menos a mesma do material físico. Você mostra o conceito de dezena e unidade trocando dez cubinhos por uma barra. Depois avança para centenas e milhares. O diferencial é que as peças impressas são mais leves e mais baratas, então você pode fazer conjuntos maiores sem gastar uma fortuna. Um uso que funciona muito bem é a representação de operações de adição e subtração com reagrupamento. As crianças montam os números com as peças, fazem a troca fisicamente, e depois registram no caderno. O contato visual e tátil com as trocas fixa o conceito muito mais rápido do que só resolver na lousa. Para crianças com dificuldade de aprendizagem, o material impresso também pode ser adaptado. Você pode colar velcro em algumas peças e fazer atividades de encaixe. Isso ajuda crianças com coordenação motora mais fina, que têm dificuldade de manejar os cubinhos pequenos do material original.
Tem um ponto que vale a pena mencionar. O material impresso tem uma limitação séria que muitos não consideram. Peças planas não permitem representar o conceito de volume da mesma forma que as peças tridimensionais. Quando você trabalha volume e capacidade, especialmente no segundo ciclo do ensino fundamental, o material plano fica insuficiente. Nesse caso, o ideal é usar o material dourado tridimensional original ou fabricar os cubos com isopor ou E.V.A enrolado. Outra limitação prática é que o material impresso não pode ser molhado. Se você estiver usando em projetos que envolvam tintas, cola líquida ou atividades ao ar livre, ele estraga. Minhas peças impressas duraram cerca de dois meses em uma turma com muitos projetos práticos. Depois disso, precisei refazer metade do conjunto. Se você quer economizar tempo na preparação, existem arquivos prontos para colar diretamente em palitos de sorvete. Dessa forma você cria peças que parecem blocos de montar e ficam mais resistentes ao manuseio. Eu fiz essa adaptação e funcionou bem por mais de quatro meses.
Para quem vai usar o material impresso em casa, com os próprios filhos, a dica é guardar as peças em sacos herméticos com sílica gel. O papel absorve umidade e embaralha com o tempo, principalmente em regiões costeiras. Em São Paulo, onde morei nos primeiros anos de uso, notei diferença na durabilidade apenas de colocar o saco fechado versus deixá-las soltas na gaveta.

Variantes do material dourado para diferentes faixas etárias
Existem versões adaptadas do material. Para alunos mais novos, há materiais com peças maiores, em cores mais vivas, e com contornos mais grossos para facilitar o reconhecimento visual. Essas versões são mais fáceis de imprimir e recortar. Para o terceiro ano do ensino fundamental, alguns professores adaptam o material para ensinar sistema monetário brasileiro, usando as mesmas peças mas atribuindo valores diferentes. Uma unidade vira um centavo, uma barra vira dez centavos, e assim por diante. Isso funciona bem porque o raciocínio de base dez permanece o mesmo. Tem também a variação do material dourado decimal, que inclui casas decimais. Existem arquivos específicos para isso, mas exigem que você imprima peças menores e com escala reduzida. Minha experiência com essa versão foi mista. As peças ficaram tão pequenas que as crianças do primeiro ciclo tinham dificuldade de manusear. Recomendo usar apenas com alunos do segundo ou terceiro ano.
Alternativas quando o material impresso não resolve
Se o seu objetivo é apenas representar números de forma visual e não precisa necessariamente do material dourado tradicional, você pode usar ábaco impresso ou tabelas de valor posicional. Esses recursos são mais rápidos de produzir e não exigem recorte. Basta imprimir e plastificar. Uma alternativa barata e funcional é usar fichas de cartolina coloridas cortadas à mão. Não tem a padronização visual do material dourado, mas para algumas atividades de contagem e agrupamento funciona bem e não depende de impressão. Para crianças com deficiência visual, o material dourado impresso não é adequado. Nesse caso, o recomendado é procurar por versões em relevo ou táteis, que existem em poucos lugares no Brasil mas podem ser encomendadas em lojas especializadas em material pedagógico para inclusão.
O custo-benefício do material dourado impresso é bom quando você considera o preço. Um arquivo gratuito economiza entre cinqüenta e duzentos reais dependendo da quantidade de peças. O investimento em papel couchê e cola é baixo. O problema real é o tempo de preparação e a durabilidade menor comparado ao material original. Para escolas que usam o material diariamente, o ideal é ter pelo menos um conjunto plástico original para as atividades mais intensas e usar o impresso apenas para reforço ou para distribuir em grupos menores. Essa combinação durou mais tempo e deu menos dor de cabeça do que depender exclusivamente de um ou de outro.

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