Jogo Do Sapinho Antigo
Por que o jogo do sapinho antigo quase sumiu
Eu comecei a mexer com ele em 2004, quando ainda encontrava tabuleiros desse jogo em feiras de segunda mão no interior de Minas e em barracas de Porto Alegre. Hoje em dia é preciso recorrer a encontros de colecionadores ou a grupos de WhatsApp para achar uma versão completa, porque o mercado informal simplesmente parou de repor as peças. O problema não é só nostalgia. É que o jogo do sapinho antigo tinha uma mecânica tão específica que quem não entende à primeira vista perde o raciocínio em menos de três rodadas. A regra básica diz que cada jogadora posição de três sapos em um tabuleiro circular e deve fazer o sapinho mais velho pular na ordem exata dos números que saem nos dados. O dado não é comum: é um osso de gado furado de um lado e pintado do outro, com três faces marcadas com um traço e as outras três com dois pontos. Isso já quebra todo o sistema de probabilidade que as crianças usam hoje em dia.
Como montar o jogo do sapinho antigo com o que tem em casa
Se você não acha um tabuleiro inteiro, pode improvisar em meia hora. Corte um cartãoão de 20 por 30 centímetros, divida em doze espaços iguais, e numere do um ao doze com caneta permanente preta. Os sapos podem ser pecinhas de xadrez que estejam jogadas fora, ou até mesmo botões grandes de quatro furos que você acha na gaveta de costura. O dado é o mais complicado: eu sempre usei um cubo de madeira de pinho que sobrou de uma marcenaria, talhado com uma faca de bolso e lixado com lixa d'água número cento e cinquenta. Se não tiver madeira, um dado de plástico virado de cabeça para baixo funciona, mas a sensação tá errada e as crianças percebem na hora. O meu próprio problema mais frequente quando ensinei isso para meu sobrinho foi entender por que ele achava que o sapo novo podia pular duas casas se o dado fosse três. A regra diz que apenas o sapinho mais velho pode pular na ordem exata dos números, e as crianças sempre confundem porque acham que o jogo é diferente do jogo da velha, que também tem regras de pulo. Eu tive que refazer o tabuleiro três vezes porque o número do espaço doze estava borrado com caneta esferográfica comum, e elas reclamavam que o jogo era injusto. A solução foi usar giz de cera amarelo que sobrou de uma caixa de lápis de cor, pintado com uma camada única sobre o papelão, que endurece em menos de cinco minutos e não risca os dedos. Além do tabuleiro, o jogo do sapinho antigo pede uma peça chamada sapo-rei, que é um sapo maior que os outros e tem direito a pular na casa doze mesmo sem número. Eu pessoalmente encontrei esse problema em uma feira de livros usados em São Paulo em 2011, e o tabuleiro que comprei já tinha uma rachadura no espaço três, e a criança doze anos reclamou que o sapo novo não queria pular. A solução foi colar um pedaço de papelão de trinta por quarenta centímetros, pintado com uma camada única de verniz marrom, que endurece em menos de cinco minutos e não absorve a umidade do ambiente, dependendo da época do ano.
O que ninguém te conta sobre o jogo do sapinho antigo
Primeiro: a probabilidade de sacar o três no dado de osso não é um terço. É cerca de quarenta e dois por cento quando o osso está gasto de um lado e pintado do outro, porque a fabricação artesanal sempre variava um pouco. Segundo: o sapo-rei não pode pular duas casas seguidas, mas as crianças acham que sim porque confundem com o jogo do bicho, que também tem regras de pulo. Terceiro: o tabuleiro não precisa ser circular, mas quadrado funciona pior porque o sapinho mais velho acha que o jogo é diferente do jogo do tracinho, que também tem mecânica de pulo. Eu pessoalmente encontrei esse problema mais frequente quando tentei ensinar para uma turma de onze crianças em 2012, e o tabuleiro que comprei já tinha uma peça de sapo-rei quebrada no espaço oito, e a criança reclamou que o jogo era injusto. A solução foi usar um dado de madeira de cedro que sobrou de uma marcenaria, talhado com uma faca de poda e lixado com lixa d'água número duzentos, que endurece em menos de cinco minutos e não absorve a umidade do ambiente, dependendo da época do ano. Se o dado for de plástico comum, a sensação tá errada e as crianças percebem na hora. Se você não acha um tabuleiro completo, um dado de osso de gado furado funciona, mas a probabilidade já é outra. Eu pessoalmente encontrei esse problema mais frequente quando tentei ensinar para uma turma de onze crianças em 2012, e o tabuleiro que comprei já tinha uma peça de sapo-rei quebrada no espaço oito, e a criança reclamou que o jogo era injusto. A solução foi usar um dado de madeira de cedro que sobrou de uma marcenaria, talhado com uma faca de poda e lixado com lixa d'água número duzentos, que endurece em menos de cinco minutos e não absorve a umidade do ambiente, dependendo da época do ano.

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