Livro Os Instrumentos Mortais
O que você precisa saber antes de começar a ler
O livro os instrumentos mortais é uma série de sete volumes escrita por Cassandra Clare, com estreia em 2007. A história acompanha Clary Fray, uma jovem de Nova York que descobre ser uma bruxa da sombra e entra no mundo dos Caçadores de Sombras, caçadores de demônios. O primeiro livro se chama A Cidade dos Ossos. Os outros seis são A Cidade das Cinzas, A Cidade do Ar, A Cidade do Vício, A Cidade da Perda, A Cidade do Anjo Caído e A Cidade do Tempo Perdido. A série inteira se passa dentro do mesmo universo literário que Cassandra Clare construiu com as crônicas dos Caçadores e as crônicas dos Arcanjos. Se você quer ler tudo em ordem cronológica, tem uma bagunça narrativa aqui, porque os eventos dos três livros começam em momentos diferentes da timeline. Não é linear. O primeiro livro já mostra umClary mais experiente em alguns aspectos do que o ponto de partida oficial da saga.
A melhor forma de abordar o livro os instrumentos mortais
Eu recomendo começar pela publicação original, livro por livro, na ordem em que foram lançados. Muita gente tenta pular para a ordem cronológica dos acontecimentos e acaba confundindo tudo. A ordem de publicação preserva as revelações que a autora planejou. Se você virar a carta cedo, perde efeitos que funcionam só na primeira leitura. O sistema de magia da série é baseado em runas. Cada runa tem um efeito específico e é desenhada na pele com uma espada de prata. Bruxas da sombra usam runas, caçadores usam runas. É um sistema visual que a autora desenvolveu de forma consistente. Tem runas de proteção, de cura, de invisibilidade, de força, de comunicação. O problema é que nem sempre o efeito de uma runa é explicado com clareza no livro, então você vai precisar acompanhar as notas finais ou fóruns de fãs para entender algumas mecânicas.
Na prática, lendo os sete volumes, o ritmo começa lento no primeiro livro e acelera bastante a partir do terceiro. A Cidade do Vício é onde a série mais ganha densidade. Os dois últimos livros, especialmente A Cidade do Anjo Caído, trazem uma quantidade enorme de personagens e linhas temporais que se cruzam. Se você não prestar atenção nas transições de capítulo, vai se perder.
Eu li a série pela primeira vez quando ainda estava desenvolvendo minha própria compreensão de fantasia urbana com elementos sobrenaturais estruturados. O que me chamou atenção naquele momento foi a forma como Cassandra Clare mistura o Cotidiano americano com mitologia nórdica e judaica. Nephilim, seres angelicais, demônios, feitiçeiros. Ela pega essas categorias e as reinventa dentro de um contexto contemporâneo. O resultado não é perfeito, mas é coeso o suficiente para sustentar dezessete livros de história expandindo o universo depois.
Pontos cegos que quem está começando não percebe
O maior problema dos primeiros livros é a velocidade com que Clary aceita tudo que acontece com ela. Ela vê um homem desaparecer, encontra uma irmã desaparecida que é na verdade umaclone criada por um feiticeiro, e em três capítulos ela já está lidando com isso como se fosse normal. Isso é útil para o ritmo narrativo, mas fraco para quem busca realismo emocional. A série melhora nisso com o tempo, mas nos dois primeiros volumes o processo é bem superficial.
Outro detalhe que passa despercebido: a política dos mundos dos Caçadores é construída de forma bastante explícita nas notas e nos extras publicados depois. O Conclave, o Conselho Executivo, as leis dos Caçadores sobre casamento, morte, criação de descendentes. Se você quiser entender a série inteira como um todo organizado, precisa ler os materiais complementares, senão fica parecendo que o mundo foi improvisado. Ele não foi. Foi documentado. Os romances paralelos escritos por Mary Hoffman e outros autores expandem histórias laterais. O melhor deles é Pacto de Sangue, que mostra os eventos da primeira geração de Caçadores, com Valentine Morgenstern e John Lightwood. Ele resolve algumas perguntas que a série principal deixa em aberto sobre motivações políticas e conspirações. Vale a leitura se você pretende acompanhar também as crônicas posteriores.
Existe uma versão brasileira publicada pela editora Arqueiro, com traduções que mantêm os nomes próprios em inglês. Alguns leitores preferem a versão original em inglês porque a tradução de termos como Shadowhunter para Caçador de Sombras nem sempre captura o peso exato. É uma questão de gosto. O conteúdo narrativo é o mesmo em ambas as versões.
Se você está procurando onde adquirir, as livrarias físicas e online no Brasil vendem tanto os livros avulsos quanto as caixas com os sete volumes. A editora Arqueiro faz relançamentos com capas novas periodicamente. Não tem versão gratuita oficial para download, então qualquer site que ofereça PDF grátis está distribuindo material pirateado. Eu não recomendo esse caminho, além de ilegal, a qualidade de digitalização costuma ser ruim, com letras trocadas e imagens distorcidas. A série tem adaptações em filmes e séries. A adaptação cinematográfica de A Cidade dos Ossos saiu em 2013 e recebeu críticas negativas. A série de TV Shadowhunters foi ao ar de 2016 a 2019, com três temporadas. Ela seguemente a trama dos livros, mas faz mudanças significativas, especialmente nos dois últimos livros que foram muito condensados. Para quem quer a experiência completa, os livros são melhores. A série de TV serve como introdução visual, mas não substitui a leitura. Um ponto que muita gente não leva a sério são os temas tratados na obra. A série aborda identidade, família, escolha versus destino, discriminação dentro de comunidades marginalizadas, e relações tóxicas disfarçadas de romance. Não é só ação e magia. Os relacionamentos entre os personagens principais evoluem de forma lenta e, em alguns casos, problemática. A relação entre Clary e Jace, por exemplo, é construída sobre uma revelação que muda completamente a dinâmica dos dois no livro três. Antes dessa revelação, tudo o que você pensava saber sobre eles está errado.
Estrutura prática de leitura
Eu recomendo ler um livro por semana, se possível. São livros grandes, cada um com cerca de quinhentas a seiscentas páginas. A Cidade do Anjo Caído passa de oitocentas. Se você tentar acelerar demais, vai perder detalhes importantes sobre runas, genealogias e conexões entre personagens. A série inteira gira em torno de redes familiares complexas. Os Lightwood, os Blackthorn, os Herondale, os Wayland. Saber quem é filho de quem ajuda muito a acompanhar os conflitos políticos. Se você gosta de mapas e genealogias, há materiais feitos por fãs que organizam tudo isso visualmente. Não são oficiais, mas são precisos. A própria autora mantém notas nos sites dedicados à série que detalham cada runa e cada evento. Usar esses recursos junto com a leitura regular economiza tempo de consulta posterior.
A série se conecta diretamente com as Crônicas dos Arcanjos, que começam com A Ilha das Estrelas Caídas. Essa sequência foca em Magnus Bane, o bruxo da Alta Bruxaria, e Alec Lightwood, um dos irmãos Lightwood. Os eventos ocorrem paralelamente aos últimos livros dos Instrumentos Mortais. Se você terminar a série principal e quiser continuar, essa é a próxima linha natural. Depois vêm as Crônicas dos Caçadores, que são contos curtos situados em diferentes períodos da história dos Nephilim. O universo construído por Cassandra Clare é denso e tem falhas, claro. Alguns arcos de personagem ficam incompletos. A resolução de certos conflitos no final dos livros setes parece apressada. Mas a coerência geral do mundo, a quantidade de detalhes técnicos sobre magia e a complexidade das redes políticas fazem dela uma das séries de fantasia urbana mais completas publicadas nos últimos vinte anos. Basta ler com atenção e não pular as notas finais.

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